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Ciência & Tecnologia

Cães ajudaram a humanidade a sobreviver


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16/12/2017

A descoberta de entalhes na Arábia Saudita mostra que os homens já caçavam com cães há 8.000 anos e que eles foram fundamentais para sua sobrevivência.

 

Os cientistas continuam tentando compreender quando e como, há milhares de anos, começou a relação dos humanos com os cães. Entalhes descobertos recentemente na Arábia Saudita, que mostram homens e cães caçando juntos, e controlados por correias, ajudam a compreender algo muito mais importante: sem os primeiros animais que domesticamos, nossa sobrevivência como espécie teria sido muito mais complicada, talvez impossível.

 

Os trabalhos sobre a origem do cão se baseiam de um lado em pesquisas do DNA antigo para descobrir quando se separou do lobo — as hipóteses mais recentes apontam para que os primeiros surgiram há cerca de 33.000 de anos na Ásia — e em tentar deduzir a forma como ocorreu a domesticação — as hipóteses afirmam que foram eles que nos domesticaram, aproximando-se dos acampamentos em busca de comida.

 

De outro lado, também rastreiam evidências arqueológicas que demonstrem desde que momento compartilhamos o mesmo espaço e, sobretudo, para que os utilizamos.

 

Os entalhes descobertos recentemente no noroeste da Arábia Saudita, nos sítios arqueológicos de Shuwaymis e Jubbah, representam um grande avanço: estão entre as imagens mais antigas de cães, já que têm entre 8.000 e 9.000 anos (tudo indica que são as mais remotas, apesar de haver uma cerâmica de oito milênios no Irã com cães), mas, sobretudo, são as primeiras que mostram o trabalho conjunto com os humanos. No total aparecem em 350 entalhes e em vários é possível vê-los claramente caçando, às vezes presos por correias, acompanhando homens armados. Por sua aparência poderia se tratar de uma raça que ainda existe: os cães de Canaã. Um problema é que as datações não são diretas, mas se baseiam em sítios de seu entorno, o que sempre cria controvérsias.

 

 

Dois cachorros diante de um leão, entalhes de 8.000/9.000 anos.

 

 

“As imagens nos mostram que os caçadores controlavam os cães e que os usavam para suas estratégias de caça, muito antes que outros animais, como vacas e cabras, tivessem sido domesticadas. Até agora não estava claro se os cães se sentiam atraídos pelos acampamentos humanos ou se foram ativamente domesticados”, explica Maria Guagnin, pesquisadora associada do Instituto Max Planck, atualmente na Universidade Livre de Berlim e uma das autoras do trabalho, publicado no Journal of Anthropological Archaeology. “O uso de cães aumenta as possibilidades de caçar e ajuda os humanos a sobreviver, especialmente quando a comida é escassa e só está disponível em certos momentos do ano”, acrescenta Guagnin.

 

Apesar de afirmar que se trata de uma descoberta difícil de datar, o pesquisador da Escola de Arqueologia da Universidade de Oxford, Greger Larson, e um dos principais pesquisadores da origem dos cães, reconhece a importância da descoberta. “Parece razoável pensar que são cães e que os humanos caçam com eles. Me parece que é mais difícil interpretar se se tratam de correias, mas não resta dúvidas de que trabalham juntos”, afirma. O local da descoberta, por sua vez, apresenta duas informações cruciais: ele é anterior ao período neolítico, ou seja, quando se acredita que ocorreu o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, e o mais importante, o local está fora do alcance natural do lobo. Isso quer dizer que se trata de cães domesticados anteriormente que estavam ali caçando com os humanos.

 

Larson é um dos estimuladores da criação de uma enorme base de dados genética para analisar DNA de cães pré-históricos, o Palaeogenomics & Bio-Archaeology Research Network. “Os princípios são sempre muito difíceis de identificar. A origem genética dos cães continua sendo uma confusão”, explica Larson. A pesquisadora Mietje Germonpré, do departamento de paleontologia do Real Instituto Belga de Ciências Naturais, participa desse projeto e foi uma das descobridoras de um crânio, possivelmente de cachorro, de cerca de 32.000 anos de idade, encontrado na caverna belga de Goyet. No entanto, essa descoberta tem seus detratores e o debate sobre a origem do cão oscila em um espectro imenso que vai dos 10.000 aos 38.000 anos. O momento em que acaba o lobo e começa o cachorro não foi ainda determinado pela ciência.

 

Mas os desenhos da Arábia Saudita abrem uma nova perspectiva, porque a relação ficou gravada em pedra. “Muito provavelmente tinham uma grande importância para os homens, porque estão conectados por correias. Tudo isso sugere que sua presença na caça era muito útil e que as presas podiam ser encontradas e mortas muito mais facilmente graças aos cães”, afirma Germonpré. Robert Losey, professor de Antropologia na Universidade de Alberta (Canadá) e um dos grandes estudiosos da relação entre cães e homens, afirma por sua vez que “essas imagens indicam que vivemos próximos aos cães há milhares de anos. E que caçamos com cães há milênios. Suspeitava-se disso há muito tempo, mas até agora não tinha sido demonstrado com evidências arqueológicas”.

 

Perguntado sobre se os cães nos ajudaram a sobreviver, o professor Losey é enfático: “Sem dúvida alguma. Em certas situações, os cães podem aumentar muito nossas habilidades. Se não estivessem conosco, é muito possível que não estivéssemos aqui”.

A descoberta de entalhes na Arábia Saudita mostra que os homens já caçavam com cães há 8.000 anos e que eles foram fundamentais para sua sobrevivência.


 


Os cientistas continuam tentando compreender quando e como, há milhares de anos, começou a relação dos humanos com os cães. Entalhes descobertos recentemente na Arábia Saudita, que mostram homens e cães caçando juntos, e controlados por correias, ajudam a compreender algo muito mais importante: sem os primeiros animais que domesticamos, nossa sobrevivência como espécie teria sido muito mais complicada, talvez impossível.


 


Os trabalhos sobre a origem do cão se baseiam de um lado em pesquisas do DNA antigo para descobrir quando se separou do lobo — as hipóteses mais recentes apontam para que os primeiros surgiram há cerca de 33.000 de anos na Ásia — e em tentar deduzir a forma como ocorreu a domesticação — as hipóteses afirmam que foram eles que nos domesticaram, aproximando-se dos acampamentos em busca de comida.


 


De outro lado, também rastreiam evidências arqueológicas que demonstrem desde que momento compartilhamos o mesmo espaço e, sobretudo, para que os utilizamos.


 


Os entalhes descobertos recentemente no noroeste da Arábia Saudita, nos sítios arqueológicos de Shuwaymis e Jubbah, representam um grande avanço: estão entre as imagens mais antigas de cães, já que têm entre 8.000 e 9.000 anos (tudo indica que são as mais remotas, apesar de haver uma cerâmica de oito milênios no Irã com cães), mas, sobretudo, são as primeiras que mostram o trabalho conjunto com os humanos. No total aparecem em 350 entalhes e em vários é possível vê-los claramente caçando, às vezes presos por correias, acompanhando homens armados. Por sua aparência poderia se tratar de uma raça que ainda existe: os cães de Canaã. Um problema é que as datações não são diretas, mas se baseiam em sítios de seu entorno, o que sempre cria controvérsias.


 


 



PATROCINADORES

Dois cachorros diante de um leão, entalhes de 8.000/9.000 anos.


 


 


“As imagens nos mostram que os caçadores controlavam os cães e que os usavam para suas estratégias de caça, muito antes que outros animais, como vacas e cabras, tivessem sido domesticadas. Até agora não estava claro se os cães se sentiam atraídos pelos acampamentos humanos ou se foram ativamente domesticados”, explica Maria Guagnin, pesquisadora associada do Instituto Max Planck, atualmente na Universidade Livre de Berlim e uma das autoras do trabalho, publicado no Journal of Anthropological Archaeology. “O uso de cães aumenta as possibilidades de caçar e ajuda os humanos a sobreviver, especialmente quando a comida é escassa e só está disponível em certos momentos do ano”, acrescenta Guagnin.


 


Apesar de afirmar que se trata de uma descoberta difícil de datar, o pesquisador da Escola de Arqueologia da Universidade de Oxford, Greger Larson, e um dos principais pesquisadores da origem dos cães, reconhece a importância da descoberta. “Parece razoável pensar que são cães e que os humanos caçam com eles. Me parece que é mais difícil interpretar se se tratam de correias, mas não resta dúvidas de que trabalham juntos”, afirma. O local da descoberta, por sua vez, apresenta duas informações cruciais: ele é anterior ao período neolítico, ou seja, quando se acredita que ocorreu o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, e o mais importante, o local está fora do alcance natural do lobo. Isso quer dizer que se trata de cães domesticados anteriormente que estavam ali caçando com os humanos.


 


Larson é um dos estimuladores da criação de uma enorme base de dados genética para analisar DNA de cães pré-históricos, o Palaeogenomics & Bio-Archaeology Research Network. “Os princípios são sempre muito difíceis de identificar. A origem genética dos cães continua sendo uma confusão”, explica Larson. A pesquisadora Mietje Germonpré, do departamento de paleontologia do Real Instituto Belga de Ciências Naturais, participa desse projeto e foi uma das descobridoras de um crânio, possivelmente de cachorro, de cerca de 32.000 anos de idade, encontrado na caverna belga de Goyet. No entanto, essa descoberta tem seus detratores e o debate sobre a origem do cão oscila em um espectro imenso que vai dos 10.000 aos 38.000 anos. O momento em que acaba o lobo e começa o cachorro não foi ainda determinado pela ciência.


 


Mas os desenhos da Arábia Saudita abrem uma nova perspectiva, porque a relação ficou gravada em pedra. “Muito provavelmente tinham uma grande importância para os homens, porque estão conectados por correias. Tudo isso sugere que sua presença na caça era muito útil e que as presas podiam ser encontradas e mortas muito mais facilmente graças aos cães”, afirma Germonpré. Robert Losey, professor de Antropologia na Universidade de Alberta (Canadá) e um dos grandes estudiosos da relação entre cães e homens, afirma por sua vez que “essas imagens indicam que vivemos próximos aos cães há milhares de anos. E que caçamos com cães há milênios. Suspeitava-se disso há muito tempo, mas até agora não tinha sido demonstrado com evidências arqueológicas”.


 


Perguntado sobre se os cães nos ajudaram a sobreviver, o professor Losey é enfático: “Sem dúvida alguma. Em certas situações, os cães podem aumentar muito nossas habilidades. Se não estivessem conosco, é muito possível que não estivéssemos aqui”.


A descoberta de entalhes na Arábia Saudita mostra que os homens já caçavam com cães há 8.000 anos e que eles foram fundamentais para sua sobrevivência.



Os cientistas continuam tentando compreender quando e como, há milhares de anos, começou a relação dos humanos com os cães. Entalhes descobertos recentemente na Arábia Saudita, que mostram homens e cães caçando juntos, e controlados por correias, ajudam a compreender algo muito mais importante: sem os primeiros animais que domesticamos, nossa sobrevivência como espécie teria sido muito mais complicada, talvez impossível.



Os trabalhos sobre a origem do cão se baseiam de um lado em pesquisas do DNA antigo para descobrir quando se separou do lobo — as hipóteses mais recentes apontam para que os primeiros surgiram há cerca de 33.000 de anos na Ásia — e em tentar deduzir a forma como ocorreu a domesticação — as hipóteses afirmam que foram eles que nos domesticaram, aproximando-se dos acampamentos em busca de comida.



De outro lado, também rastreiam evidências arqueológicas que demonstrem desde que momento compartilhamos o mesmo espaço e, sobretudo, para que os utilizamos.



PATROCINADORES

Os entalhes descobertos recentemente no noroeste da Arábia Saudita, nos sítios arqueológicos de Shuwaymis e Jubbah, representam um grande avanço: estão entre as imagens mais antigas de cães, já que têm entre 8.000 e 9.000 anos (tudo indica que são as mais remotas, apesar de haver uma cerâmica de oito milênios no Irã com cães), mas, sobretudo, são as primeiras que mostram o trabalho conjunto com os humanos. No total aparecem em 350 entalhes e em vários é possível vê-los claramente caçando, às vezes presos por correias, acompanhando homens armados. Por sua aparência poderia se tratar de uma raça que ainda existe: os cães de Canaã. Um problema é que as datações não são diretas, mas se baseiam em sítios de seu entorno, o que sempre cria controvérsias.





Dois cachorros diante de um leão, entalhes de 8.000/9.000 anos.



“As imagens nos mostram que os caçadores controlavam os cães e que os usavam para suas estratégias de caça, muito antes que outros animais, como vacas e cabras, tivessem sido domesticadas. Até agora não estava claro se os cães se sentiam atraídos pelos acampamentos humanos ou se foram ativamente domesticados”, explica Maria Guagnin, pesquisadora associada do Instituto Max Planck, atualmente na Universidade Livre de Berlim e uma das autoras do trabalho, publicado no Journal of Anthropological Archaeology. “O uso de cães aumenta as possibilidades de caçar e ajuda os humanos a sobreviver, especialmente quando a comida é escassa e só está disponível em certos momentos do ano”, acrescenta Guagnin.



PATROCINADORES

Apesar de afirmar que se trata de uma descoberta difícil de datar, o pesquisador da Escola de Arqueologia da Universidade de Oxford, Greger Larson, e um dos principais pesquisadores da origem dos cães, reconhece a importância da descoberta. “Parece razoável pensar que são cães e que os humanos caçam com eles. Me parece que é mais difícil interpretar se se tratam de correias, mas não resta dúvidas de que trabalham juntos”, afirma. O local da descoberta, por sua vez, apresenta duas informações cruciais: ele é anterior ao período neolítico, ou seja, quando se acredita que ocorreu o desenvolvimento da agricultura e a domesticação dos animais, e o mais importante, o local está fora do alcance natural do lobo. Isso quer dizer que se trata de cães domesticados anteriormente que estavam ali caçando com os humanos.



Larson é um dos estimuladores da criação de uma enorme base de dados genética para analisar DNA de cães pré-históricos, o Palaeogenomics & Bio-Archaeology Research Network. “Os princípios são sempre muito difíceis de identificar. A origem genética dos cães continua sendo uma confusão”, explica Larson. A pesquisadora Mietje Germonpré, do departamento de paleontologia do Real Instituto Belga de Ciências Naturais, participa desse projeto e foi uma das descobridoras de um crânio, possivelmente de cachorro, de cerca de 32.000 anos de idade, encontrado na caverna belga de Goyet. No entanto, essa descoberta tem seus detratores e o debate sobre a origem do cão oscila em um espectro imenso que vai dos 10.000 aos 38.000 anos. O momento em que acaba o lobo e começa o cachorro não foi ainda determinado pela ciência.



Mas os desenhos da Arábia Saudita abrem uma nova perspectiva, porque a relação ficou gravada em pedra. “Muito provavelmente tinham uma grande importância para os homens, porque estão conectados por correias. Tudo isso sugere que sua presença na caça era muito útil e que as presas podiam ser encontradas e mortas muito mais facilmente graças aos cães”, afirma Germonpré. Robert Losey, professor de Antropologia na Universidade de Alberta (Canadá) e um dos grandes estudiosos da relação entre cães e homens, afirma por sua vez que “essas imagens indicam que vivemos próximos aos cães há milhares de anos. E que caçamos com cães há milênios. Suspeitava-se disso há muito tempo, mas até agora não tinha sido demonstrado com evidências arqueológicas”.



Perguntado sobre se os cães nos ajudaram a sobreviver, o professor Losey é enfático: “Sem dúvida alguma. Em certas situações, os cães podem aumentar muito nossas habilidades. Se não estivessem conosco, é muito possível que não estivéssemos aqui”.



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