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O ataque a escola mais mortal dos EUA ocorreu há mais de 90 anos


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22/02/2018

Em 1927, Andrew Kehoe, engenheiro sem ficha na polícia, detonou uma bomba relógio no porão da escola de Bath, em Michigan. Matou 38 crianças e 6 adultos.

 

Em 18 de maio de 1927 – dois dias antes de Charles Lindbergh se tornar o primeiro a atravessar o Atlântico sozinho em um avião –, Bath, um vilarejo de 300 habitantes em Michigan, foi palco do ataque mais letal e sofisticado já feito a uma escola americana. O autor, um homem sem ficha policial nem histórico psiquiátrico, foi o primeiro a levantar a pergunta que mais aflige a opinião pública a cada notícia de tiroteio nos EUA: o que leva uma pessoa normal, sem a motivação ideológica de um terrorista, a matar crianças e depois se suicidar?

 

Andrew Philip Kehoe, dono de uma fazenda e tesoureiro do conselho de educação local, era o caçula de uma família com mais de dez irmãos. Se formou em engenharia elétrica e passou algum tempo trabalhando na área antes de se casar e se mudar para a zona rural. Era descrito pelos vizinhos como um homem inteligente e meticuloso, que usava camisas imaculadamente limpas e tratava funcionários e animais com rispidez.

 

Em 1911, se feriu na cabeça e passou dois meses em coma. Vários intérpretes já tentaram atribuir  seus crimes a algum tipo de instabilidade mental causada pelo acidente, mas há poucas evidências palpáveis a favor dessa hipótese – principalmente considerando as limitações da medicina na época. Segundo Arnie Bernstein, autor de um livro sobre o caso, a situação financeira de Kehoe era difícil nos meses anteriores ao ataque. Ele estava prestes a perder seu sítio, que era hipotecado, e perdeu a eleição para um cargo público. Sua esposa contraiu tuberculose e ia ao hospital com frequência, mas ele não podia pagar as consultas. Passava longos períodos sozinho, e frequentemente se esquecia de colher o milho que plantava. Em novembro de 1926, comprou quatro caixas de dinamite. Em dezembro, um rifle e munição.

 

Na manhã do ataque, Kehoe estava calmo. Uma testemunha relatou que ele parou sua picape para deixá-la atravessar a rua, e acenou educadamente com o chapéu. Ele havia passado os últimos dias instalando a dinamite no porão da escola local, e ninguém estranhou sua presença lá embaixo: além de comparecer ao prédio rotineiramente para pagar o salário dos professores – parte de suas atribuições como conselheiro –, ele também usava seus conhecimentos sobre instalações elétricas para fazer pequenos reparos, sem cobrar nada.

 

Terminado o trabalho, ligou um relógio aos explosivos, e programou a detonação para 8h45. Fez a mesma coisa em sua casa e nas demais construções do sítio. As explosões foram praticamente simultâneas. Morreram 36 crianças, dois professores, sua esposa e seus cavalos. Quando as primeiras equipes de resgate chegaram, Kehoe levou a picape, com a dinamite remanescente na caçamba, para perto da agitação, e disparou na carga. O veículo explodiu, matando ele, o diretor da escola e outros três socorristas.

 

Foram, ao todo, 44 mortos e 58 feridos – até hoje, o maior massacre em uma instituição de ensino da história dos EUA. O tiroteio da Universidade Virginia Tech, em 2007, tirou a vida de 33 pessoas. O da escola Sandy Hook, de 2012, 27. A revista da rede de museus Smithsonian recuperou os arquivos do The New York Times e do The Boston Globe. O primeiro atribuiu a tragédia à hipoteca. O segundo, a problemas mentais supostamente causados pelo ferimento na cabeça, mais de uma década antes. O biógrafo Bernstein, porém, não vê motivo para panos quentes. “A conclusão do inquérito afirma que ele agiu racionalmente o tempo todo. E você realmente precisa ser racional para bolar um plano desses. A verdade é que não há um porquê.”

 

Mais de 50 mil pessoas, entre curiosos e voluntários, visitaram o vilarejo à época, causando imensos congestionamentos. A escola foi reformada e funcionou até a década de 1970, quando foi demolida. Hoje há um memorial no local em que ficava o prédio.

Em 1927, Andrew Kehoe, engenheiro sem ficha na polícia, detonou uma bomba relógio no porão da escola de Bath, em Michigan. Matou 38 crianças e 6 adultos.


 


Em 18 de maio de 1927 – dois dias antes de Charles Lindbergh se tornar o primeiro a atravessar o Atlântico sozinho em um avião –, Bath, um vilarejo de 300 habitantes em Michigan, foi palco do ataque mais letal e sofisticado já feito a uma escola americana. O autor, um homem sem ficha policial nem histórico psiquiátrico, foi o primeiro a levantar a pergunta que mais aflige a opinião pública a cada notícia de tiroteio nos EUA: o que leva uma pessoa normal, sem a motivação ideológica de um terrorista, a matar crianças e depois se suicidar?


 


Andrew Philip Kehoe, dono de uma fazenda e tesoureiro do conselho de educação local, era o caçula de uma família com mais de dez irmãos. Se formou em engenharia elétrica e passou algum tempo trabalhando na área antes de se casar e se mudar para a zona rural. Era descrito pelos vizinhos como um homem inteligente e meticuloso, que usava camisas imaculadamente limpas e tratava funcionários e animais com rispidez.


 


Em 1911, se feriu na cabeça e passou dois meses em coma. Vários intérpretes já tentaram atribuir  seus crimes a algum tipo de instabilidade mental causada pelo acidente, mas há poucas evidências palpáveis a favor dessa hipótese – principalmente considerando as limitações da medicina na época. Segundo Arnie Bernstein, autor de um livro sobre o caso, a situação financeira de Kehoe era difícil nos meses anteriores ao ataque. Ele estava prestes a perder seu sítio, que era hipotecado, e perdeu a eleição para um cargo público. Sua esposa contraiu tuberculose e ia ao hospital com frequência, mas ele não podia pagar as consultas. Passava longos períodos sozinho, e frequentemente se esquecia de colher o milho que plantava. Em novembro de 1926, comprou quatro caixas de dinamite. Em dezembro, um rifle e munição.


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Na manhã do ataque, Kehoe estava calmo. Uma testemunha relatou que ele parou sua picape para deixá-la atravessar a rua, e acenou educadamente com o chapéu. Ele havia passado os últimos dias instalando a dinamite no porão da escola local, e ninguém estranhou sua presença lá embaixo: além de comparecer ao prédio rotineiramente para pagar o salário dos professores – parte de suas atribuições como conselheiro –, ele também usava seus conhecimentos sobre instalações elétricas para fazer pequenos reparos, sem cobrar nada.


 


Terminado o trabalho, ligou um relógio aos explosivos, e programou a detonação para 8h45. Fez a mesma coisa em sua casa e nas demais construções do sítio. As explosões foram praticamente simultâneas. Morreram 36 crianças, dois professores, sua esposa e seus cavalos. Quando as primeiras equipes de resgate chegaram, Kehoe levou a picape, com a dinamite remanescente na caçamba, para perto da agitação, e disparou na carga. O veículo explodiu, matando ele, o diretor da escola e outros três socorristas.


 


Foram, ao todo, 44 mortos e 58 feridos – até hoje, o maior massacre em uma instituição de ensino da história dos EUA. O tiroteio da Universidade Virginia Tech, em 2007, tirou a vida de 33 pessoas. O da escola Sandy Hook, de 2012, 27. A revista da rede de museus Smithsonian recuperou os arquivos do The New York Times e do The Boston Globe. O primeiro atribuiu a tragédia à hipoteca. O segundo, a problemas mentais supostamente causados pelo ferimento na cabeça, mais de uma década antes. O biógrafo Bernstein, porém, não vê motivo para panos quentes. “A conclusão do inquérito afirma que ele agiu racionalmente o tempo todo. E você realmente precisa ser racional para bolar um plano desses. A verdade é que não há um porquê.”


 


Mais de 50 mil pessoas, entre curiosos e voluntários, visitaram o vilarejo à época, causando imensos congestionamentos. A escola foi reformada e funcionou até a década de 1970, quando foi demolida. Hoje há um memorial no local em que ficava o prédio.


Em 1927, Andrew Kehoe, engenheiro sem ficha na polícia, detonou uma bomba relógio no porão da escola de Bath, em Michigan. Matou 38 crianças e 6 adultos.



Em 18 de maio de 1927 – dois dias antes de Charles Lindbergh se tornar o primeiro a atravessar o Atlântico sozinho em um avião –, Bath, um vilarejo de 300 habitantes em Michigan, foi palco do ataque mais letal e sofisticado já feito a uma escola americana. O autor, um homem sem ficha policial nem histórico psiquiátrico, foi o primeiro a levantar a pergunta que mais aflige a opinião pública a cada notícia de tiroteio nos EUA: o que leva uma pessoa normal, sem a motivação ideológica de um terrorista, a matar crianças e depois se suicidar?



Andrew Philip Kehoe, dono de uma fazenda e tesoureiro do conselho de educação local, era o caçula de uma família com mais de dez irmãos. Se formou em engenharia elétrica e passou algum tempo trabalhando na área antes de se casar e se mudar para a zona rural. Era descrito pelos vizinhos como um homem inteligente e meticuloso, que usava camisas imaculadamente limpas e tratava funcionários e animais com rispidez.



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Em 1911, se feriu na cabeça e passou dois meses em coma. Vários intérpretes já tentaram atribuir  seus crimes a algum tipo de instabilidade mental causada pelo acidente, mas há poucas evidências palpáveis a favor dessa hipótese – principalmente considerando as limitações da medicina na época. Segundo Arnie Bernstein, autor de um livro sobre o caso, a situação financeira de Kehoe era difícil nos meses anteriores ao ataque. Ele estava prestes a perder seu sítio, que era hipotecado, e perdeu a eleição para um cargo público. Sua esposa contraiu tuberculose e ia ao hospital com frequência, mas ele não podia pagar as consultas. Passava longos períodos sozinho, e frequentemente se esquecia de colher o milho que plantava. Em novembro de 1926, comprou quatro caixas de dinamite. Em dezembro, um rifle e munição.



Na manhã do ataque, Kehoe estava calmo. Uma testemunha relatou que ele parou sua picape para deixá-la atravessar a rua, e acenou educadamente com o chapéu. Ele havia passado os últimos dias instalando a dinamite no porão da escola local, e ninguém estranhou sua presença lá embaixo: além de comparecer ao prédio rotineiramente para pagar o salário dos professores – parte de suas atribuições como conselheiro –, ele também usava seus conhecimentos sobre instalações elétricas para fazer pequenos reparos, sem cobrar nada.



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Terminado o trabalho, ligou um relógio aos explosivos, e programou a detonação para 8h45. Fez a mesma coisa em sua casa e nas demais construções do sítio. As explosões foram praticamente simultâneas. Morreram 36 crianças, dois professores, sua esposa e seus cavalos. Quando as primeiras equipes de resgate chegaram, Kehoe levou a picape, com a dinamite remanescente na caçamba, para perto da agitação, e disparou na carga. O veículo explodiu, matando ele, o diretor da escola e outros três socorristas.



Foram, ao todo, 44 mortos e 58 feridos – até hoje, o maior massacre em uma instituição de ensino da história dos EUA. O tiroteio da Universidade Virginia Tech, em 2007, tirou a vida de 33 pessoas. O da escola Sandy Hook, de 2012, 27. A revista da rede de museus Smithsonian recuperou os arquivos do The New York Times e do The Boston Globe. O primeiro atribuiu a tragédia à hipoteca. O segundo, a problemas mentais supostamente causados pelo ferimento na cabeça, mais de uma década antes. O biógrafo Bernstein, porém, não vê motivo para panos quentes. “A conclusão do inquérito afirma que ele agiu racionalmente o tempo todo. E você realmente precisa ser racional para bolar um plano desses. A verdade é que não há um porquê.”



Mais de 50 mil pessoas, entre curiosos e voluntários, visitaram o vilarejo à época, causando imensos congestionamentos. A escola foi reformada e funcionou até a década de 1970, quando foi demolida. Hoje há um memorial no local em que ficava o prédio.



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