Bem Estar
Pacientes com conjuntivite não devem usar colírios antibióticos

02/08/2017

Esse tipo de medicamento é considerado ineficaz contra a doença, mas ainda é muito prescrito.

 

Apesar de colírios com antibióticos serem praticamente ineficazes no tratamento da conjuntivite, eles continuam sendo prescritos ou usados por pessoas com a doença, segundo estudo feito nos Estados Unidos.

 

"Cerca de 80% dos casos de conjuntivite são causados por um vírus e não há tratamento para a conjuntivite viral. A maioria das conjuntivites bacterianas é leve e melhora em uma semana ou duas, sem tratamento. Os antibióticos são eficazes apenas para um número muito menor de casos que envolvem a bactéria que causa a gonorreia ou a clamídia", afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO), de São Paulo.

 

Um estudo publicado na revista científica Ophthalmology, da Academia Americana de Oftalmologia (American Academy of Ophthalmology), analisou 340.372 pessoas com conjuntivite, sendo que 58% receberam prescrição de colírios antibióticos. Curiosamente, 83% desses voluntários foram diagnosticados por profissionais de saúde que não eram oftalmologistas. Em comparação com as pessoas diagnosticadas por um especialista em olhos, aqueles que foram diagnosticados por pediatras, clínicos gerais, internistas e médicos da emergência eram de duas a três vezes mais propensos a receber antibióticos.

 

Além de promover o gasto desnecessário com antibióticos, a prescrição desse tipo de colírio para tratar a conjuntivite acaba favorecendo o fortalecimento das bactérias. "Ele altera a flora bacteriana normal do olho e pode levar ao desenvolvimento de cepas resistentes de bactérias nocivas", diz a oftalmologista Meibal Junqueira, do IMO.

 

A médica lembra que a conjuntivite é uma doença que demanda um tratamento mais tradicional. "Recomendamos compressas frias, lágrimas artificiais, principalmente para proporcionar conforto aos olhos. Além disso, é contagiosa, então lave suas mãos, mude suas roupas de cama e não compartilhe as toalhas ou objetos de uso pessoal", comenta a médica

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