Bem Estar
Jovem omite que é gay pra poder doar sangue a tia com leucemia

28/10/2017

Bruno Diniz, um jovem de 25 anos, se viu obrigado a esconder o fato de ser gay para poder doar sangue para sua tia internada com leucemia.

 

Segundo normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), homens que se declararem homossexuais podem ser proibidos de doarem sangue por um período de até 12 meses após a última relação sexual.

 

O jovem de 25 anos afirmou que não tinha conhecimento da medida até ter sido impedido de participar de uma campanha de doação de sangue realizada na universidade onde ele cursa publicidade:  “Me senti humilhado por saber que estava sendo excluído única e exclusivamente por ser gay”.

 

Bruno relatou que após o ocorrido, prometeu para si mesmo que evitaria doar sangue para evitar constrangimentos futuros, mas acabou voltando atrás para conseguir ajudar a sua tia que tanto precisava. Bruno omitiu o fato de ser gay e acabou sendo aprovado na triagem, porém achou o fato inadmissível: “Há muitos gays que não aparentam ser o que são e há muitos héteros que aparentam ser gays, mas não são.”

 

Atualmente o STF vem justamente analisando o veto a doação de sangue por homossexuais como possível inconstitucionalidade. O ministro Edson Fachin, o primeiro dos juízes a votar a favor de derrubar esta decisão, afirmou: “Orientação sexual não contamina ninguém. O preconceito, sim”.

 

A ANVISA por sua vez afirma que apenas segue as orientações da Organização Mundial de Saúde, que de fato reconhece a relação sexual entre dois homens como um fator de risco. Segundo reforçado pelo Ministério da Saúde na tentativa de defender a medida, segundo a OMS, as probabilidades de infecção pelo HIV são 19,3 vezes superiores para homens que fazem sexo com outros homens, em relação às dos homens na população em geral.

 

A presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos), Symmy Larrat, ressalta que a Aids não atinge apenas os homossexuais e até reconhece que os riscos de transmissões são maiores no sexo anal: “Mas quem diz que mulheres não fazem sexo anal? Por que elas não são indagadas sobre essa prática sexual assim como os gays?”, questiona ela.

 

Sobre a medida, o presidente do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual, Paulo Iotti, afirmou: “Não interessa o grupo que você faz parte, mas sim suas práticas sexuais se são de risco ou não”. Ele ainda afirma que existe uma série de incompatibilidades nas restrições adotadas pelo Ministério da Saúde, como por exemplo: “Por que um homem heterossexual que tenha feito sexo sem camisinha ou uma mulher que tenha feito sexo anal pode doar sangue e um homossexual que usa preservativo é vetado?”.

 

Ele define a restrição como “preconceito” e sugere uma proposta que parece a mais real e justa: diminuir a exigência de 12 meses sem sexo para 10 dias, já que este seria justamente o período de janela imunológica em que o vírus do HIV fica indetectável por exames no sangue. Já que todo sangue doado é examinado, realmente parece o mais sensato e menos preconceituoso, não é mesmo?

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