Sul de Minas
Fraude na coleta de lixo acontecia durante pesagem de caminhões em MG

11/11/2017

Seis de oito suspeitos presos em Passos foram ouvidos nesta sexta-feira; esquema teria desviado R$ 11 milhões em recursos públicos.

 

Matéria extraída do G1

 

O Ministério Público de Passos ouviu nesta sexta-feira (10) seis dos oito suspeitos presos na "Operação Purgamentum", que investiga fraudes em licitações com empresas de coleta de lixo. Os envolvidos contaram como funcionava o esquema, que teria desviado mais de R$ 11 milhões da Prefeitura de Passos.

 

O golpe acontecia na pesagem. O ex-prefeito de Passos, Ataíde Vilela (PSDB), continua no presídio da cidade. O depoimento dele ao Ministério Público é um dos mais aguardados e deve acontecer no início da próxima semana.

 

Segundo o Ministério Público, o esquema enriqueceu uma organização criminosa composta por políticos, servidores públicos e empresários.

 

"Na verdade, os investigados em resumo em geral, eles confirmaram a adulteração das pesagens para fraudar as medições do serviço de lixo", disse o promotor Paulo Frank.

 

Os crimes aconteciam de três maneiras: primeiro no favorecimento da licitação da coleta de lixo. Depois, na adulteração da balança, sempre constando pesos a mais. Por último, na pesagem de caminhões com a mesma carga. A balança ficava a cerca de 10 Km do aterro. O mesmo caminhão pesava com a mesma carga duas ou três vezes ao dia. A prefeitura pagava a empresa por toneladas de lixo recolhido.

 

"O que nos parece, o que as provas indicam, é que havia um acordo com os agentes políticos e realmente, quanto maior o número, esse dinheiro em tese voltaria para o agente político como propina", disse o promotor Fabrício José da Fonseca Pinto.

 

A balança manual foi substituída por uma eletrônica, instalada no mesmo terreno do aterro. Mas, na época, a balança usada era uma alugada para a empresa "Seleta". Quem tinha todo o acesso eram os funcionários.

 

"A responsabilidade era da prefeitura, eles tinham os balanceiros próprios, aí chegava o caminhão cheio, eles pesavam, depois vinha um novo caminhão vazio, pesava a tara", disse o filho do dono do aterro, André Cardoso Nogueira.

 

Das oito pessoas presas durante a operação na quinta-feira (9), seis já foram ouvidas no Ministério Público de Passos. Segundo o promotor responsável, esses depoimentos estão sendo fundamentais para a Justiça entender como acontecia a lavagem do dinheiro.

 

"Em muitas vezes em nome de terceiro, familiares, mulher e alguns laranjas. Então há uma linha de investigação que demonstra uma possível lavagem de dinheiro por meio da transferência de bens", completou o promotor Fabrício.

 

Todo o material apreendido na operação foi levado para Belo Horizonte para análise. O Tribunal de Contas também ajudou o Ministério Público, apresentando provas que confirmam as irregularidades das empresas Seleta e Filadélfia.

 

"Os investigados precisam ser ouvidos todos eles e analisada toda a documentação apreendida. Basicamente é o que falta pra gente concluir essa investigação e novos desdobramentos da investigação", completou o promotor Paulo Frank.

 

O advogado de Ataíde Vilela, Bernardo Simões Coelho, diz que ainda está estudando o processo, mas que não vê provas contra o ex-prefeito. Além do ex-prefeito, continuam presos Sonia Maria Oliveira, Gleison Santos Martins, Adriano dos Santos, Onofre Serafim de Barros, Mario da Silva, Antônio Aparecido Nivaldo e José Pereira da Silva. O advogado de Sônia disse que a ex-secretária não teve participação em nenhum esquema de fraude e que deverá entrar com um pedido de habeas corpus.

 

Jefferson Rodrigues Faria, que defende José Pereira da Silva, disse que seu cliente está colaborando com as investigações. Até a publicação desta reportagem, os advogados dos outros envolvidos ainda não tinham sido encontrados.

 

 

Materiais foram apreendidos durante operação do MP em Passos.

 

 

Transferência de presos no interior de SP

 

O dono da empresa Seleta, Jorge Saquy Neto e o funcionário Fernando Gonçalves de Oliveira, que estavam presos em Ribeirão Preto (SP), foram transferidos na tarde desta sexta-feira para o Presídio de Passos. Eles passaram pela delegacia da cidade, mas não prestaram depoimento. Eles devem ser ouvidos na próxima semana.

 

O advogado Samuel Solito de Freitas Oliveira, que defende a empresa Seleta, além do dono e do funcionário, disse que ainda não teve acesso ao processo e, por isso, não vai se manifestar sobre o caso.

 

O promotor Paulo Frank informou também que mais de R$ 9 milhões das contas das empresas investigadas e dos suspeitos presos na operação foram bloqueados.

 

 

Veja também: 9 presos por fraudes em contratos de coleta de lixo em cidade sul-mineira​

Fonte: G1
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