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Europeus que se juntaram ao EI agora querem voltar para casa

11/11/2017

Cerca de 1.700 franceses aderiram ao grupo desde 2014, e 950 alemães desde 2011; muitos foram capturados com as recentes derrotas dos extremistas.

 

Centenas de famílias europeias que viajaram para Síria ou Iraque para se unir ao grupo extremista Estado Islâmico (EI) pedem agora para voltar a seus países, onde as autoridades avaliam como manejar o retorno destes homens, mulheres e crianças.

 

Com as recentes reconquistas de importantes cidades antes controladas pelo grupo terrorista, como Raqqa, Mossul e Deir Ezzor, parte dos cidadãos europeus capturados pelas forças de segurança sírias e iraquianas após as batalhas enviaram pedidos às autoridades europeias para retornar. Alguns enviaram cartas por meio de familiares, enquanto outros usaram os meios de comunicação para divulgar sua mensagem.

 

“Senhora chanceler, quero voltar com meu filho, nos ajudem (…). Não precisa ter medo, não sou uma terrorista”, suplicou em alemão em um vídeo divulgado no início de outubro pelo jornal alemão Zeit uma mulher com um bebê nos braços, identificada como Nadia Ramadan, de 31 anos, oriunda de Frankfurt.

 

Ela foi detida recentemente com seus três filhos por milícias curdas em Raqqa, reduto do EI reconquistado há pouco pela coalizão internacional. O governo alemão se negou a ajudá-la.

 

Segundo os Serviços de Inteligência alemães, 950 cidadãos do país se uniram às fileiras do grupo terrorista desde 2011. Um terço retornou e 150 perderam a vida. “Consideramos que seja perigoso o retorno à Alemanha desses filhos de extremistas que foram doutrinados em uma zona de guerra. Esse risco deve ser levado em conta”, declarou o chefe dos Serviços de Inteligência Hans-Georg Massen.

 

 

Prestar contas

 

Na França, familiares de cerca de vinte mulheres que viajaram para se unir ao EI escreveram ao presidente Emmanuel Macron para pedir que elas sejam repatriadas junto com seus filhos. Um pedido que as autoridades responderam com firmeza.

 

“Se pessoas que estavam em território iraquiano estão presas, estas deverão ser julgadas no Iraque”, declarou na terça-feira a ministra francesa da Defesa, Florence Parly. “As pessoas que retornarem à França sabem que estarão se expondo sistematicamente a serem processadas pela Justiça”, acrescentou.

 

Segundo o governo francês, cerca de 1.700 franceses partiram para as zonas extremistas no Iraque e na Síria desde 2014. Entre eles, 278 morreram e 302 voltaram para a França (244 adultos e 58 menores de idade).

 

Nas cartas enviadas a Macron, estas famílias pedem ao presidente para “fazer todo o possível para facilitar o retorno dessas mulheres junto com seus filhos ao país, onde deverão prestar contas ante as autoridades competentes”.

 

 

Grã-Bretanha

 

No Reino Unido, para onde 425 pessoas retornaram, as autoridades locais esperam levá-las à Justiça “para que fiquem durante muito tempo atrás das grades”, declarou na semana passada Mark Rowley, diretor nacional da Polícia antiterrorista. No entanto, este funcionário admitiu que nem sempre é possível reunir elementos suficientes que demonstrem que cometeram crimes ou que representam um risco importante para a segurança.

 

Para as pessoas que estiverem nesses casos “pensamos em medidas preventivas (…) como instalá-las em algum lugar ou colocar um sistema de vigilância”, apontou. Mas alguns membros do governo britânico pedem métodos mais radicais.

 

“Devemos considerar que essas pessoas podem representar um grande perigo”, declarou recentemente Rory Stewart, secretário britânico de Estado encarregado de Desenvolvimento Internacional. “Infelizmente, a única forma de fazer frente a eles será, em quase todos os casos, matá-los”, disse.

Fonte: VEJA
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