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Titanic: Por que Jack não coube em cima da porta com a Rose?


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04/12/2017

Não precisa nem ser grande fã da Sessão da Tarde para já ter visto a cena uma dúzia de vezes. Após o Titanic se partir em dois e começar a submergir por completo, Jack e Rose se lançam no mar gelado e aguardam ajuda. Há, porém, uma sutil diferença: enquanto a moça está “confortavelmente” apoiada em uma prancha improvisada, o jovem se apoia no pedaço de madeira pela borda, com o corpo mergulhado nas águas geladas do Atlântico. A morte do herói é inevitável, e acontece antes mesmo de Rose ser resgatada.

 

Para quem assiste, a insatisfação com o desfecho é inevitável. Além da vontade de ver na tela o bom e velho final feliz, a solução dada pelo roteiro simplesmente não convence. Tudo por conta de um questionamento simples: por que Jack não subiu no abrigo de madeira junto de sua amada, mesmo com a nítida impressão de que cabia mais um corpo ali? Teria o mocinho se apavorado com a situação a ponto de perder sua noção espacial por completo? Ou os espectadores é que desprezam por completo as leis da física e enxergam uma possibilidade que não existia?

 

A própria Kate Winslet, que interpreta Rose, já brincou que sua personagem fora um tanto egoísta, “Eu concordo. Eu acho que na verdade ele caberia naquela porta”, disse, em entrevista a um programa de TV dos EUA. Da mesma maneira, vários fãs já tentaram apelar para a ciência para cravar que sim, dava para Rose ter ‘dado uma beira’ para seu amante e salvado ambos do naufrágio. A tentativa mais famosa de comprovar a tese foi a dos Caçadores de Mitos, que testaram fatores como o peso da embarcação e propuseram, inclusive, um plano infalível de resgate — como você pode assistir aqui abaixo.

 

 

 

 

A ideia pareceu convincente para todo mundo. Menos para James Cameron, diretor do filme. Em entrevista concedida este ano ao The Daily Beast, ele chegou a refutar os argumentos utilizados na tentativa de Adam Savage e Jamie Hyneman. “Ok, vamos imaginar a situação: você é o Jack e está na água a -2ºC, quando seu cérebro começa a ser afetado pela hipotermia. O ‘Caçadores de Mitos’ pede a você que retire seu colete salva-vidas, retire o dela, nade por debaixo da tábua, prenda os coletes de alguma forma que eles não se soltem dois minutos depois — o que significa que você estará debaixo d’água amarrando esse negócio sob uma temperatura abaixo de zero, o que levaria entre 5 e 10 minutos. Ou seja, quando você for voltar, já estará morto. Então isso não funcionaria. A melhor opção para ele era manter a parte superior do seu corpo fora da água e esperar que um barco ou qualquer outra coisa o retirasse do mar antes de morrer.”

 

A resposta definitiva, é claro, não iria convencer por completo os fãs. Mais hora menos hora, o questionamento apareceria novamente. Foi o que aconteceu em uma nova entrevista de Cameron, dessa vez, para a revista Vanity Fair. Aproveitando o aniversário de 20 anos do filme, completados em 2017, um incauto repórter resolveu reviver o debate sobre a tal porta de madeira pequena-demais-para-duas-pessoas. O argumento do cineasta, porém, foi outro bem diferente. Cameron desistiu de justificar a escolha do ponto de vista científico e apelou para um porquê, digamos, mais subjetivo.

 

“A resposta é muito simples. O roteiro diz, na página 147, que Jack morre. Muito simples… é claro que foi uma escolha artística, a placa era grande o suficiente para segurá-la, mas não para aguentar também o peso dele… eu acho que é meio besta termos essa discussão 20 anos depois. Mas isso mostra que o filme conseguiu mostrar um Jack tão cativante para o público a ponto de sua morte ser algo difícil de lidar… se ele vivesse, o final do filme poderia ser sem sentido… o filme é sobre morte e separação; ele tinha que morrer. Assim é a arte, as coisas acontecem por motivações artísticas, não físicas.”

 

Ok, James, entendemos seu ponto. Mas que cabia, isso cabia.

Não precisa nem ser grande fã da Sessão da Tarde para já ter visto a cena uma dúzia de vezes. Após o Titanic se partir em dois e começar a submergir por completo, Jack e Rose se lançam no mar gelado e aguardam ajuda. Há, porém, uma sutil diferença: enquanto a moça está “confortavelmente” apoiada em uma prancha improvisada, o jovem se apoia no pedaço de madeira pela borda, com o corpo mergulhado nas águas geladas do Atlântico. A morte do herói é inevitável, e acontece antes mesmo de Rose ser resgatada.


 


Para quem assiste, a insatisfação com o desfecho é inevitável. Além da vontade de ver na tela o bom e velho final feliz, a solução dada pelo roteiro simplesmente não convence. Tudo por conta de um questionamento simples: por que Jack não subiu no abrigo de madeira junto de sua amada, mesmo com a nítida impressão de que cabia mais um corpo ali? Teria o mocinho se apavorado com a situação a ponto de perder sua noção espacial por completo? Ou os espectadores é que desprezam por completo as leis da física e enxergam uma possibilidade que não existia?


 


A própria Kate Winslet, que interpreta Rose, já brincou que sua personagem fora um tanto egoísta, “Eu concordo. Eu acho que na verdade ele caberia naquela porta”, disse, em entrevista a um programa de TV dos EUA. Da mesma maneira, vários fãs já tentaram apelar para a ciência para cravar que sim, dava para Rose ter ‘dado uma beira’ para seu amante e salvado ambos do naufrágio. A tentativa mais famosa de comprovar a tese foi a dos Caçadores de Mitos, que testaram fatores como o peso da embarcação e propuseram, inclusive, um plano infalível de resgate — como você pode assistir aqui abaixo.


 


 



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A ideia pareceu convincente para todo mundo. Menos para James Cameron, diretor do filme. Em entrevista concedida este ano ao The Daily Beast, ele chegou a refutar os argumentos utilizados na tentativa de Adam Savage e Jamie Hyneman. “Ok, vamos imaginar a situação: você é o Jack e está na água a -2ºC, quando seu cérebro começa a ser afetado pela hipotermia. O ‘Caçadores de Mitos’ pede a você que retire seu colete salva-vidas, retire o dela, nade por debaixo da tábua, prenda os coletes de alguma forma que eles não se soltem dois minutos depois — o que significa que você estará debaixo d’água amarrando esse negócio sob uma temperatura abaixo de zero, o que levaria entre 5 e 10 minutos. Ou seja, quando você for voltar, já estará morto. Então isso não funcionaria. A melhor opção para ele era manter a parte superior do seu corpo fora da água e esperar que um barco ou qualquer outra coisa o retirasse do mar antes de morrer.”


 


A resposta definitiva, é claro, não iria convencer por completo os fãs. Mais hora menos hora, o questionamento apareceria novamente. Foi o que aconteceu em uma nova entrevista de Cameron, dessa vez, para a revista Vanity Fair. Aproveitando o aniversário de 20 anos do filme, completados em 2017, um incauto repórter resolveu reviver o debate sobre a tal porta de madeira pequena-demais-para-duas-pessoas. O argumento do cineasta, porém, foi outro bem diferente. Cameron desistiu de justificar a escolha do ponto de vista científico e apelou para um porquê, digamos, mais subjetivo.


 


“A resposta é muito simples. O roteiro diz, na página 147, que Jack morre. Muito simples… é claro que foi uma escolha artística, a placa era grande o suficiente para segurá-la, mas não para aguentar também o peso dele… eu acho que é meio besta termos essa discussão 20 anos depois. Mas isso mostra que o filme conseguiu mostrar um Jack tão cativante para o público a ponto de sua morte ser algo difícil de lidar… se ele vivesse, o final do filme poderia ser sem sentido… o filme é sobre morte e separação; ele tinha que morrer. Assim é a arte, as coisas acontecem por motivações artísticas, não físicas.”


 


Ok, James, entendemos seu ponto. Mas que cabia, isso cabia.


Não precisa nem ser grande fã da Sessão da Tarde para já ter visto a cena uma dúzia de vezes. Após o Titanic se partir em dois e começar a submergir por completo, Jack e Rose se lançam no mar gelado e aguardam ajuda. Há, porém, uma sutil diferença: enquanto a moça está “confortavelmente” apoiada em uma prancha improvisada, o jovem se apoia no pedaço de madeira pela borda, com o corpo mergulhado nas águas geladas do Atlântico. A morte do herói é inevitável, e acontece antes mesmo de Rose ser resgatada.


 


Para quem assiste, a insatisfação com o desfecho é inevitável. Além da vontade de ver na tela o bom e velho final feliz, a solução dada pelo roteiro simplesmente não convence. Tudo por conta de um questionamento simples: por que Jack não subiu no abrigo de madeira junto de sua amada, mesmo com a nítida impressão de que cabia mais um corpo ali? Teria o mocinho se apavorado com a situação a ponto de perder sua noção espacial por completo? Ou os espectadores é que desprezam por completo as leis da física e enxergam uma possibilidade que não existia?


 


A própria Kate Winslet, que interpreta Rose, já brincou que sua personagem fora um tanto egoísta, “Eu concordo. Eu acho que na verdade ele caberia naquela porta”, disse, em entrevista a um programa de TV dos EUA. Da mesma maneira, vários fãs já tentaram apelar para a ciência para cravar que sim, dava para Rose ter ‘dado uma beira’ para seu amante e salvado ambos do naufrágio. A tentativa mais famosa de comprovar a tese foi a dos Caçadores de Mitos, que testaram fatores como o peso da embarcação e propuseram, inclusive, um plano infalível de resgate — como você pode assistir aqui abaixo.


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A ideia pareceu convincente para todo mundo. Menos para James Cameron, diretor do filme. Em entrevista concedida este ano ao The Daily Beast, ele chegou a refutar os argumentos utilizados na tentativa de Adam Savage e Jamie Hyneman. “Ok, vamos imaginar a situação: você é o Jack e está na água a -2ºC, quando seu cérebro começa a ser afetado pela hipotermia. O ‘Caçadores de Mitos’ pede a você que retire seu colete salva-vidas, retire o dela, nade por debaixo da tábua, prenda os coletes de alguma forma que eles não se soltem dois minutos depois — o que significa que você estará debaixo d’água amarrando esse negócio sob uma temperatura abaixo de zero, o que levaria entre 5 e 10 minutos. Ou seja, quando você for voltar, já estará morto. Então isso não funcionaria. A melhor opção para ele era manter a parte superior do seu corpo fora da água e esperar que um barco ou qualquer outra coisa o retirasse do mar antes de morrer.”


 


A resposta definitiva, é claro, não iria convencer por completo os fãs. Mais hora menos hora, o questionamento apareceria novamente. Foi o que aconteceu em uma nova entrevista de Cameron, dessa vez, para a revista Vanity Fair. Aproveitando o aniversário de 20 anos do filme, completados em 2017, um incauto repórter resolveu reviver o debate sobre a tal porta de madeira pequena-demais-para-duas-pessoas. O argumento do cineasta, porém, foi outro bem diferente. Cameron desistiu de justificar a escolha do ponto de vista científico e apelou para um porquê, digamos, mais subjetivo.


 


“A resposta é muito simples. O roteiro diz, na página 147, que Jack morre. Muito simples… é claro que foi uma escolha artística, a placa era grande o suficiente para segurá-la, mas não para aguentar também o peso dele… eu acho que é meio besta termos essa discussão 20 anos depois. Mas isso mostra que o filme conseguiu mostrar um Jack tão cativante para o público a ponto de sua morte ser algo difícil de lidar… se ele vivesse, o final do filme poderia ser sem sentido… o filme é sobre morte e separação; ele tinha que morrer. Assim é a arte, as coisas acontecem por motivações artísticas, não físicas.”


 


Ok, James, entendemos seu ponto. Mas que cabia, isso cabia.


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