Aranhas "gigantes" assustam moradores de um bairro em Belo Horizonte

Publicado por Tv Minas em 08/05/2021 às 17h16

Espécie de aproximadamente 15 centímetros de comprimento foi encontrada dentro de prédios da região. Picada é dolorosa.

“Eu iria embora e deixava elas ficarem com a casa. Passava até a escritura para o nome delas." “Elas”, no caso, são aranhas. O comentário é uma reação ao aparecimento de aracnídeos robustos no Bairro Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte, registrado no Facebook. Moradores da localidade relatam que seus prédios têm sido invadidos pelos bichos, do tamanho da mão aberta de um adulto.

Especialistas consultados pelo Estado de Minas alertam para o fato de que os animais são agressivos, têm picada dolorosa, mas não há motivo para pânico, já que o veneno é moderadamente tóxico.

“Já é a terceira. Estamos preocupados aqui”, contou a administradora Flávia Prado na rede social, em que postou uma foto da “visitante” indesejada. Divulgada originalmente no grupo "Meu Bairro Buritis", a publicação acumula milhares de curtidas, compartilhamentos e comentários. Ao menos mais três vizinhos de Flávia responderam o post dizendo que também tiveram suas casas invadidas pelo mesmo tipo de aranha.

A moradora relata que o animal apareceu nessa quinta-feira (6/5) no 8° andar de seu prédio. Dias antes, um outro exemplar foi visto na área privativa. "Fiquei desesperada quando vi! Como tenho duas filhas pequenas, logo pensei: esses bichos vão matar minhas meninas!", comentou. 

 

 “Não são monstros”

A pedido da reportagem, Adalberto Santos, aracnólogo do Departamento de Zoologia do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, analisou as fotos da aranha e enumerou os principais cuidados que as pessoas devem tomar ao encontrá-la em casa. “Ela é peçonhenta, como todas as aranhas, e demanda atendimento médico em caso de picada”, afirma o especialista. 

Adalberto explica que o animal registrado pelos moradores do Buritis no Facebook é do gênero phoneutria, mais conhecido como “aranha armadeira”. 

Segundo o biólogo, o contato com a criatura pode ser perigoso, já que seu veneno é neurotóxico, ou seja, causa muita dor. “A mordida costuma causar dor intensa. A pessoa pode também manifestar sintomas como vômito e taquicardia. Crianças e animais domésticos correm mais risco. Todo aquele que for picado, no entanto, deve procurar atendimento médico. O Hospital João XXIII é a referência em BH para esses casos”, orienta Santos. 

“De qualquer forma, não há motivo para pânico. O escorpião amarelo, por exemplo, é bem mais perigoso. Não é pra brincar com esses bichos, claro, mas eles também não são monstros”, tranquiliza o professor da UFMG. 

 

Tem uma armadeira na minha sala, e agora?

Diante de uma armadeira, Adalberto diz que a melhor conduta é prendê-las dentro de um pote - de preferência, com o auxílio de um objeto de cabo longo, como uma vassoura macia. Em seguida, soltar o animal no mato. Em caso de infestação de aracnídeos, ele recomenda que a pessoa acione o Centro de Controle de Zoonoses da capital, ou mesmo uma empresa de dedetização. 

 

"Quem dera fosse fake', diz a dona da casa invadida pela aranha gigante

A foto da robusta aranha armadeira aguçou a desconfiança dos mais céticos nas redes sociais. Há quem garanta que o clique é uma montagem.

O caso ganhou repercussão depois que a imagem foi postada em um grupo do Facebook. Outros moradores do Buritis relatam ter recebido a "visita" de aracnídeos semelhantes. 

"Quem dera fosse fake!", brinca Renata Barros, dona da casa invadida pelo animal. O espelho onde a aranha repousa é do banheiro do imóvel dela. A gerente comercial conta que mandou a foto para vizinhos na quarta-feira (5/5), pouco depois de "enfrentar" o bicho, como forma de alerta.

"Uma das pessoas para quem mandei foi a Flávia Prado, vizinha do 9° andar que fez o post que repercutiu no grupo do Facebook", relata a moça.

Renata mora com o marido, o relações públicas Eduardo Barros, e duas filhas de 1 e 5 anos. O traumático encontro com a armadeira está registrado em ao menos mais 3 fotografias, incluindo o momento em que o animal foi morto. "Foi tenso!", comenta a jovem.

 

"Sobrou para nós"

A moradora diz que se deparou com a aranha no banheiro de casa por volta de 13h. "Tomei um baita susto! Quando vi aquela criatur enorme, do tamanho de uma mão aberta, gritei meu marido. Ele achou que eu estava exagerando, até que viu a cena!", relata. 

Sem saber como agir e com medo de que o bicho viesse a atacar as crianças, que são mais vulneráveis ao veneno de peçonhentos, o casal afirma que chegou a acionar autoridades, empresas e especialistas.

Primeiro, conta ela, o Corpo de Bombeiros, que ajudou a identificar a espécie do aracnídeo, mas informou que não poderia capturá-lo. Depois, uma empresa de dedetização, que também não se dispôs à tarefa.

"Sobrou pra nós mesmo. Ligamos então para um amigo biólogo e para o meu irmão, que é policial. Eles nos instruíram manter distância e nos deram algumas ideias, como vestir roupas compridas e botas antes da captura para evitar picadas, além de usar bastante inseticida", diz Renata.

A empreitada foi bem-sucedida. Derrotada, a aranha foi presa dentro de um potinho e, posteriormente, descartada. 

"Depois desse episódio, ficamos meio paranóicos. Demos uma geral na casa e, agora, sacudimos roupas, sapatos, lençois e cobertores sempre antes de nos deitarmos. Também acionamos o síndico do nosso prédio solicitando dedetização, que já foi marcada para semana que vem", diz Renata.

 

Mas, afinal, o que esses bichos estão fazendo dentro de residências de uma metrópole como BH?

O biólogo é claro: quem está no lugar errado não são as aranhas. “Elas vão parar dentro das nossas casas à medida em que avançamos para o habitat delas. Com a expansão urbana, os condomínios vão sendo construídos em ambientes naturais. Os invasores somos nós”, diz o especialista.

Segundo o professor da UFMG, a armadeira tornou-se relativamente comum em ambientes urbanos e gosta de locais com entulhos. A presença delas dentro das casas costuma indicar que algum terreno foi abandonado e, posteriormente, queimado sem controle, afugentando os aracnídeos. Os machos também saem da toca atrás de fêmeas.

“Por mais repulsa que essas aranhas nos causem, devemos nos lembrar de que elas são componentes importantes da biodiversidade e nos trazem benefícios. Por exemplo: controlar a população de baratas, já que são predadoras naturais de insetos. Não estou dizendo que é para criar uma aranha de estimação dentro de casa - até porque elas são perigosas. Mas, não matá-las, quando possível, é a melhor atitude. Nós dividimos esse mundo com outros animais. O espaço é deles também”, reflete o biólogo. 

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