Mortes por Covid-19 disparam após lotação de leitos em Pouso Alegre

Publicado por Tv Minas em 06/04/2021 às 22h13

Desde que os leitos para Covid-19 se esgotaram, em apenas 18 dias, Pouso Alegre registrou 85 mortes.

No dia 18 de março, pela primeira vez depois de praticamente 1 ano de pandemia, Pouso Alegre excedeu a capacidade de atendimento hospitalar das alas de enfermaria e de UTI destinadas à Covid-19. Na enfermaria, o boletim epidemiológico daquele dia mostrava 114% de lotação, na UTI, 105%.

Contando com a morte reportada naquele dia, desde então, o município somou mais 85 vidas perdidas ao longo de 18 dias, considerando o último boletim, referente a esta segunda-feira, 05. O que faz das últimas três semanas as mais mortíferas da pandemia no município.

Para se ter uma ideia, nesse curto espaço de tempo, se concentraram 41% de todas as mortes registradas pelo município desde o dia 6 de abril de 2020, quando a primeira morte pela infecção foi confirmada na cidade.

Os dias mais letais da doença também fizeram do mês de março o pior da pandemia até aqui. Foram 75 mortes reportadas no período, 12,5 vezes mais que no mês anterior, quando foram reportadas apenas 6 mortes pelo município.

Nos 18 dias passados após a lotação dos leitos, Pouso Alegre registrou uma média diária de 4,7 mortes por Covid-19. A média diária de toda a pandemia, desde o primeiro óbito registrado no dia 6 de abril de 2020, é de 0,56 mortes.

 

Disparada de novas contaminações esgotam sistema de saúde

Por óbvio, a disparada das mortes tem a ver com o aumento exponencial dos casos de contaminação, que passou dos 1 mil casos semanais nas últimas duas semanas e se mantém acima de 300 há sete semanas.

Outra possível relação apontada por alguns médicos intensivistas que atuam na linha de frente do combate a Covid-19, atendendo os casos mais graves, seria a maior letalidade das novas cepas do coronavírus, que sofreu inúmeras mutações e passou a atingir, inclusive, faixa etárias inferiores.

A secretária de Saúde Silvia Regina já reportou à imprensa essa percepção por parte das equipes que atuam na linha de frente do enfrentamento à Covid-19. Relatos desses profissionais dão conta de que o número de pacientes mais jovens a necessitarem de internação é crescente.

De toda forma, a letalidade da doença no município passou de 1,4 para 1,7% e o percentual de internação de 5 para 5,9% desde 18 de março, data em que os hospitais excederam sua capacidade de atendimento.

Mas a coincidência entre o aumento brutal do número de mortes e a lotação dos leitos hospitalares poderia sugerir falta de atendimento para casos graves? De recursos ou de insumos médicos?

Ontem, o governador Romeu Zema (Novo) informou que, em todo o estado, 1.407 pessoas com Covid-19 estão na fila por leitos. 526 deles aguardam leitos de UTI; 881 estão na espera por vagas em leitos clínicos.

O R24 entrou em contato com a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Pouso Alegre para saber se há fila de espera por leitos no município e região, mas até o fechamento desta reportagem não havia obtido retorno.

 

Prefeitura publica vídeo mostrando ‘realidade dos hospitais’ e faz novo apelo à população

Em diversas oportunidades nas últimas semanas, autoridades políticas, de saúde e gestores de hospitais do município vieram a público alertar para o colapso do sistema de saúde caso o município não conseguisse frear as novas contaminações pela Covid-19.

A mais contundente manifestação correu no dia 28 de março, quando diretores dos três hospitais que atendem pacientes com Covid-19 na cidade vieram a público afirmar que o sistema de saúde de Pouso Alegre estava à beira do colapso. Desde então, a situação se agravou ainda mais.

Nesta terça-feira, 06, foi a vez da Prefeitura publicar um vídeo com imagens internas do Hospital das Clínicas Samuel Libânio (HCSL), mostrando a dura realidade enfrentada pelas equipes de saúde e pelos pacientes. O informe que acompanha o vídeo afirma que são realizados “mais de 250 atendimentos por dia, [com] ocupação de leitos acima dos 100% e profissionais da saúde trabalhando sem descanso”.

O texto encerra pedindo às pessoas que se atentem às medidas de higiene e que evitem aglomerações. “É preciso que você nos ajude. Faça sua parte! Use máscara. higienize as mãos e, principalmente, evite aglomerações”.

 

Assista ao vídeo:

Fonte: Rede Moinho

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