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Cerveja antirressaca? Ela existe, e temos os ingredientes

Publicado por TV Minas em 24/01/2018

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Ela foi apresentada há alguns dias em várias cervejarias tradicionais de Amsterdã.

 

Há apenas três anos, nós, da imprensa, repercutíamos uma notícia que prometia mudar a história da gastronomia cervejeira. Aquele Messias que havíamos esperado por tanto tempo era revelado pelas mãos de um grupo de pesquisadores australianos que afirmava ter inventado a primeira cerveja “reconstituinte”. O Instituto Griffith de Saúde, da Austrália, abria esse caminho com a primeira cerveja isotônica, que simultaneamente causava e curava todos os males; uma cerveja que eliminava qualquer componente desidratante e adicionava uma forte dose de eletrólitos que permitiam num suspiro a recuperação de líquidos após uma sessão de exercícios. E, desde então, uma verdadeira procissão de marcas anunciaram ter uma cerveja isotônica infalível. A mais recente nos chega da Holanda – onde, mais do que cervejeiros, talvez falemos de alquimistas – e vai muito além: se propõe a curar a ressaca.

 

 

Helder: um privilégio para poucos

 

A cerveja antirressaca ainda é uma criação que está tateando o terreno. Seu nome, Helder, significa “brilhante” em holandês, um nome escolhido porque, segundo seu criador, é o estado em que se encontra seu cérebro depois de passar uma noite entornando esta milagrosa cerveja. Ainda não pensaram em engarrafá-la e lançá-la no mercado, já que está em fase de testes, mas o fato é que a ideia é poder comercializá-la no resto da Europa se o projeto vingar. A única forma de poder experimentá-la por enquanto é ir a uma cervejaria e ter a sorte de o estoque não ter acabado, já que sua produção é muito limitada. É preciso levar em conta que essas cervejarias estão situadas num dos lugares mais turísticos de Amsterdã, onde a principal pedida não é exatamente o chá com biscoitos.

 

Para ser um dos privilegiados, é necessário ficar atento a quando a cerveja está disponível no bar. No De Prael há jornadas de degustação da Helder e demais marcas da casa. A Helder pode ser encontrada em poucas ocasiões, basicamente em barril e eventualmente engarrafada, sem rótulo. Mas única e exclusivamente para tomar ali mesmo, então nem pense em tentar comprá-la pela Internet – você não irá encontrar. Aparentemente, pode-se beber até oito garrafas de 33cl e estar zerado no dia seguinte. E seu sabor é muito similar às pilsens, então – não vamos enganar ninguém – não há muita surpresa.

 

De um modo ou de outro, já temos uma invenção que semeou uma nova polêmica, contrapondo aqueles que consideram se tratar de algo revolucionário e os que argumentam que não passa de uma nova bobagem de um produtor de cerveja artesanal a fim de se promover. Seja como for, o mito e lenda viva da cerveja antirressaca continua dando o que falar.

 

 

Talvez a toxidade do álcool seja um mito

 

Não é preciso ser muito esperto nem consultar os astros para saber que uma das causas dessa hecatombe na cabeça após uma noite de cerveja, muita cerveja, não é tanto o álcool, e sim o abuso dele. Porque a ressaca não deixa de ser uma desidratação como manda o figurino, e a fórmula é bem simples: quanto mais bebo, mais me desidrato e mais invocarei os infernos no dia seguinte, desejando uma decapitação absoluta para acabar com todo o mal que tenho dentro de mim. Na verdade, o Instituto Nacional de Toxicologia da Espanha deixa bem claro que “os remédios para curar milagrosamente a ressaca são um mito”. Mas o que aconteceria se não precisássemos nos curar, porque a cerveja não deixa nada de ressaca? E agora, o que fazemos?

 

Partamos do princípio de que a solução para não ter ressaca é evitar a desidratação. Se a cerveja de Gesink for fabricada com água salgada do mar, aqui teríamos que entender que esse mesmo efeito isotônico poderia ser propiciado por marcas espanholas como a Er Boquerón e a Mustache, que têm suas variedades com água do mar, e supondo que efetivamente o resultado fosse o desejado. Depois, temos que interpretar que os efeitos supostamente depurativos do gengibre e da casca de salgueiro poderiam fazer o resto. Em relação à vitamina B12, existe uma enorme quantidade de lendas urbanas sobre seus benefícios contra a ressaca; fosse assim, provavelmente as farmácias de um país de bebedores como a Espanha estariam se defendendo todos os finais de semana de um apocalipse de zumbis ressacados. E, aparentemente, continua havendo estoque, de complexo vitamínicos; aí ficamos sem saber muito bem o que pensar. Se a mistura desses quatro ingredientes é a base de um futuro cervejeiro sem ressaca, o que esse setor está esperando para patentear tão maravilhosa invenção? Talvez porque seja uma história um tanto suspeita.

 

Por outro lado, é possível que alguém por aí tenha esquecido que o álcool, mesmo em quantidades não muito elevadas, é um tóxico que o corpo humano tem enorme dificuldade em expelir. Está claro que beber álcool não precisa ser o equivalente a entoar um salmo satânico; não o demonizemos, e atire a primeira pedra quem estiver livre de etanol. O que temos que levar em conta é que o consumo descontrolado vai causar uma ressaca que milagre nenhum irá sanar, por mais que a cerveja tenha esse efeito reconstituinte nas suas tripas. É possível que a melhor forma de desfrutar de uma manhã tranquila seja com uma noitada com as cervejas de sempre, aquelas que só causam ressaca se você quiser. O resto deixemos ao paladar, por favor.

Ela foi apresentada há alguns dias em várias cervejarias tradicionais de Amsterdã.


 


Há apenas três anos, nós, da imprensa, repercutíamos uma notícia que prometia mudar a história da gastronomia cervejeira. Aquele Messias que havíamos esperado por tanto tempo era revelado pelas mãos de um grupo de pesquisadores australianos que afirmava ter inventado a primeira cerveja “reconstituinte”. O Instituto Griffith de Saúde, da Austrália, abria esse caminho com a primeira cerveja isotônica, que simultaneamente causava e curava todos os males; uma cerveja que eliminava qualquer componente desidratante e adicionava uma forte dose de eletrólitos que permitiam num suspiro a recuperação de líquidos após uma sessão de exercícios. E, desde então, uma verdadeira procissão de marcas anunciaram ter uma cerveja isotônica infalível. A mais recente nos chega da Holanda – onde, mais do que cervejeiros, talvez falemos de alquimistas – e vai muito além: se propõe a curar a ressaca.


 


 


Helder: um privilégio para poucos


 


A cerveja antirressaca ainda é uma criação que está tateando o terreno. Seu nome, Helder, significa “brilhante” em holandês, um nome escolhido porque, segundo seu criador, é o estado em que se encontra seu cérebro depois de passar uma noite entornando esta milagrosa cerveja. Ainda não pensaram em engarrafá-la e lançá-la no mercado, já que está em fase de testes, mas o fato é que a ideia é poder comercializá-la no resto da Europa se o projeto vingar. A única forma de poder experimentá-la por enquanto é ir a uma cervejaria e ter a sorte de o estoque não ter acabado, já que sua produção é muito limitada. É preciso levar em conta que essas cervejarias estão situadas num dos lugares mais turísticos de Amsterdã, onde a principal pedida não é exatamente o chá com biscoitos.


 


Para ser um dos privilegiados, é necessário ficar atento a quando a cerveja está disponível no bar. No De Prael há jornadas de degustação da Helder e demais marcas da casa. A Helder pode ser encontrada em poucas ocasiões, basicamente em barril e eventualmente engarrafada, sem rótulo. Mas única e exclusivamente para tomar ali mesmo, então nem pense em tentar comprá-la pela Internet – você não irá encontrar. Aparentemente, pode-se beber até oito garrafas de 33cl e estar zerado no dia seguinte. E seu sabor é muito similar às pilsens, então – não vamos enganar ninguém – não há muita surpresa.


PATROCINADORES

 


De um modo ou de outro, já temos uma invenção que semeou uma nova polêmica, contrapondo aqueles que consideram se tratar de algo revolucionário e os que argumentam que não passa de uma nova bobagem de um produtor de cerveja artesanal a fim de se promover. Seja como for, o mito e lenda viva da cerveja antirressaca continua dando o que falar.


 


 


Talvez a toxidade do álcool seja um mito


 


Não é preciso ser muito esperto nem consultar os astros para saber que uma das causas dessa hecatombe na cabeça após uma noite de cerveja, muita cerveja, não é tanto o álcool, e sim o abuso dele. Porque a ressaca não deixa de ser uma desidratação como manda o figurino, e a fórmula é bem simples: quanto mais bebo, mais me desidrato e mais invocarei os infernos no dia seguinte, desejando uma decapitação absoluta para acabar com todo o mal que tenho dentro de mim. Na verdade, o Instituto Nacional de Toxicologia da Espanha deixa bem claro que “os remédios para curar milagrosamente a ressaca são um mito”. Mas o que aconteceria se não precisássemos nos curar, porque a cerveja não deixa nada de ressaca? E agora, o que fazemos?


 


Partamos do princípio de que a solução para não ter ressaca é evitar a desidratação. Se a cerveja de Gesink for fabricada com água salgada do mar, aqui teríamos que entender que esse mesmo efeito isotônico poderia ser propiciado por marcas espanholas como a Er Boquerón e a Mustache, que têm suas variedades com água do mar, e supondo que efetivamente o resultado fosse o desejado. Depois, temos que interpretar que os efeitos supostamente depurativos do gengibre e da casca de salgueiro poderiam fazer o resto. Em relação à vitamina B12, existe uma enorme quantidade de lendas urbanas sobre seus benefícios contra a ressaca; fosse assim, provavelmente as farmácias de um país de bebedores como a Espanha estariam se defendendo todos os finais de semana de um apocalipse de zumbis ressacados. E, aparentemente, continua havendo estoque, de complexo vitamínicos; aí ficamos sem saber muito bem o que pensar. Se a mistura desses quatro ingredientes é a base de um futuro cervejeiro sem ressaca, o que esse setor está esperando para patentear tão maravilhosa invenção? Talvez porque seja uma história um tanto suspeita.


 


Por outro lado, é possível que alguém por aí tenha esquecido que o álcool, mesmo em quantidades não muito elevadas, é um tóxico que o corpo humano tem enorme dificuldade em expelir. Está claro que beber álcool não precisa ser o equivalente a entoar um salmo satânico; não o demonizemos, e atire a primeira pedra quem estiver livre de etanol. O que temos que levar em conta é que o consumo descontrolado vai causar uma ressaca que milagre nenhum irá sanar, por mais que a cerveja tenha esse efeito reconstituinte nas suas tripas. É possível que a melhor forma de desfrutar de uma manhã tranquila seja com uma noitada com as cervejas de sempre, aquelas que só causam ressaca se você quiser. O resto deixemos ao paladar, por favor.


Ela foi apresentada há alguns dias em várias cervejarias tradicionais de Amsterdã.



Há apenas três anos, nós, da imprensa, repercutíamos uma notícia que prometia mudar a história da gastronomia cervejeira. Aquele Messias que havíamos esperado por tanto tempo era revelado pelas mãos de um grupo de pesquisadores australianos que afirmava ter inventado a primeira cerveja “reconstituinte”. O Instituto Griffith de Saúde, da Austrália, abria esse caminho com a primeira cerveja isotônica, que simultaneamente causava e curava todos os males; uma cerveja que eliminava qualquer componente desidratante e adicionava uma forte dose de eletrólitos que permitiam num suspiro a recuperação de líquidos após uma sessão de exercícios. E, desde então, uma verdadeira procissão de marcas anunciaram ter uma cerveja isotônica infalível. A mais recente nos chega da Holanda – onde, mais do que cervejeiros, talvez falemos de alquimistas – e vai muito além: se propõe a curar a ressaca.



Helder: um privilégio para poucos



PATROCINADORES

A cerveja antirressaca ainda é uma criação que está tateando o terreno. Seu nome, Helder, significa “brilhante” em holandês, um nome escolhido porque, segundo seu criador, é o estado em que se encontra seu cérebro depois de passar uma noite entornando esta milagrosa cerveja. Ainda não pensaram em engarrafá-la e lançá-la no mercado, já que está em fase de testes, mas o fato é que a ideia é poder comercializá-la no resto da Europa se o projeto vingar. A única forma de poder experimentá-la por enquanto é ir a uma cervejaria e ter a sorte de o estoque não ter acabado, já que sua produção é muito limitada. É preciso levar em conta que essas cervejarias estão situadas num dos lugares mais turísticos de Amsterdã, onde a principal pedida não é exatamente o chá com biscoitos.



Para ser um dos privilegiados, é necessário ficar atento a quando a cerveja está disponível no bar. No De Prael há jornadas de degustação da Helder e demais marcas da casa. A Helder pode ser encontrada em poucas ocasiões, basicamente em barril e eventualmente engarrafada, sem rótulo. Mas única e exclusivamente para tomar ali mesmo, então nem pense em tentar comprá-la pela Internet – você não irá encontrar. Aparentemente, pode-se beber até oito garrafas de 33cl e estar zerado no dia seguinte. E seu sabor é muito similar às pilsens, então – não vamos enganar ninguém – não há muita surpresa.



De um modo ou de outro, já temos uma invenção que semeou uma nova polêmica, contrapondo aqueles que consideram se tratar de algo revolucionário e os que argumentam que não passa de uma nova bobagem de um produtor de cerveja artesanal a fim de se promover. Seja como for, o mito e lenda viva da cerveja antirressaca continua dando o que falar.



PATROCINADORES

Talvez a toxidade do álcool seja um mito



Não é preciso ser muito esperto nem consultar os astros para saber que uma das causas dessa hecatombe na cabeça após uma noite de cerveja, muita cerveja, não é tanto o álcool, e sim o abuso dele. Porque a ressaca não deixa de ser uma desidratação como manda o figurino, e a fórmula é bem simples: quanto mais bebo, mais me desidrato e mais invocarei os infernos no dia seguinte, desejando uma decapitação absoluta para acabar com todo o mal que tenho dentro de mim. Na verdade, o Instituto Nacional de Toxicologia da Espanha deixa bem claro que “os remédios para curar milagrosamente a ressaca são um mito”. Mas o que aconteceria se não precisássemos nos curar, porque a cerveja não deixa nada de ressaca? E agora, o que fazemos?



Partamos do princípio de que a solução para não ter ressaca é evitar a desidratação. Se a cerveja de Gesink for fabricada com água salgada do mar, aqui teríamos que entender que esse mesmo efeito isotônico poderia ser propiciado por marcas espanholas como a Er Boquerón e a Mustache, que têm suas variedades com água do mar, e supondo que efetivamente o resultado fosse o desejado. Depois, temos que interpretar que os efeitos supostamente depurativos do gengibre e da casca de salgueiro poderiam fazer o resto. Em relação à vitamina B12, existe uma enorme quantidade de lendas urbanas sobre seus benefícios contra a ressaca; fosse assim, provavelmente as farmácias de um país de bebedores como a Espanha estariam se defendendo todos os finais de semana de um apocalipse de zumbis ressacados. E, aparentemente, continua havendo estoque, de complexo vitamínicos; aí ficamos sem saber muito bem o que pensar. Se a mistura desses quatro ingredientes é a base de um futuro cervejeiro sem ressaca, o que esse setor está esperando para patentear tão maravilhosa invenção? Talvez porque seja uma história um tanto suspeita.



Por outro lado, é possível que alguém por aí tenha esquecido que o álcool, mesmo em quantidades não muito elevadas, é um tóxico que o corpo humano tem enorme dificuldade em expelir. Está claro que beber álcool não precisa ser o equivalente a entoar um salmo satânico; não o demonizemos, e atire a primeira pedra quem estiver livre de etanol. O que temos que levar em conta é que o consumo descontrolado vai causar uma ressaca que milagre nenhum irá sanar, por mais que a cerveja tenha esse efeito reconstituinte nas suas tripas. É possível que a melhor forma de desfrutar de uma manhã tranquila seja com uma noitada com as cervejas de sempre, aquelas que só causam ressaca se você quiser. O resto deixemos ao paladar, por favor.



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