news:

Sul de Minas

Projeto emprega e recupera detentos com fábrica de eletrônicos em MG

Publicado por TV Minas em 29/06/2018

foto_principal.jpg

Matéria extraída do G1

 

G1 visitou unidade em Itajubá para conhecer iniciativa que recebeu "Selo Resgata", voltado para empresas que colaboram para reintegração de detentos na sociedade.

 

Um projeto desenvolvido no Presídio de Itajubá busca a recuperação dos detentos visando o mercado de trabalho. Dentro de um galpão de 600 metros quadrados, 59 detentos se revezam em três turnos para a produção produtos eletrônicos 24 horas por dia.

 

A responsável pelo projeto é uma empresa de Santa Rita do Sapucaí, que se instalou dentro da unidade prisional há 5 anos. Há 2 meses, a empresa recebeu o "Selo Resgata", do Governo Federal, que reconhece organizações que colaboram com a reintegração dos detentos ao mercado de trabalho e à sociedade.

 

"O Presídio de Itajubá vem na luta desde 2009 com diversas parcerias em diversos segmentos e, neste, a empresa emprega quase 60 detentos no presídio, fazendo um trabalho louvável de recuperação. É um serviço muito específico, em que ele está sendo qualificado", afirma o diretor de atendimento e ressocialização do presídio, Leandro Rodrigues Palma.

 

"São promovidos diversos cursos aqui dentro e como nós temos aqui em torno cidades em um polo de mecatrônica, de engenharia eletrônica, ele sai preparado para o trabalho", completa.

 

Segundo um dos sócios da empresa HR Indústria e Comércio de Eletrônicos, responsável pela produção, a ideia de instalar a unidade industrial no presídio surgiu após um estudo de viabilidade.

 

"A ideia surgiu no ano de 2010. A gente vinha produzindo filtros de linha e fizemos estudos que mostraram que 60% do custo final era de mão de obra. Como nós estávamos em Santa Rita do Sapucaí, no Vale da Eletrônica, nós arriscamos em um projeto diferenciado, que era levar essa produção para dentro da unidade prisional, para que a gente pudesse diminuir o custo do nosso produto e ganhar mercado", disse Hudson dos Reis Carvalho Pinto.

 

Para poder participar do projeto, o detento passa por uma triagem e é avaliado por uma comissão que envolve diversos profissionais do presídio.

 

"Tudo começa com a escolha do preso que vai trabalhar, do custodiado. É importante que ele passe por uma avaliação técnica. Esse custodiado é avaliado por psicólogo, assistente social, pedagogo, pela equipe de segurança, pela inteligência, pelas direções da unidade. aí nós começamos a criar um perfil para esse custodiado, para que a gente possa ter êxito quando formos ofertar essa mão de obra", explica o diretor regional da 17ª Região Integrada de Segurança Pública, Rodney Dantas Pinto.

 

 

Fernando pretende seguir profissão quando deixar o presídio.

 

 

Preso há 1 ano e 10 meses por tráfico de drogas, Fernando Henrique Silva Lopes, de 23 anos, é um dos detentos inseridos no projeto. Ele mostrou à reportagem do G1 um pouco de seu trabalho dentro da unidade, operando uma máquina chinesa que faz a injeção das peças utilizadas na fabricação de extensões elétricas. A experiência já abre novas perspectivas para o futuro.

 

"O serviço contribui, ocupa a cabeça, ganha mais experiência em outro serviço. Ajuda bastante, tem a sua remuneração. Pretendo arrumar um serviço na área, crescer na vida, esquecer o mundo do crime e trabalhar, ajudar a família, ter uma profissão"

 

Douglas Júlio Delfino, de 38 anos, está no preso há 7 meses e deve cumprir mais 9 meses na unidade prisional. O ex-operador de máquinas e agente administrativo diz não ter dificuldades com o trabalho, com o qual demonstra habilidade. Mais do que uma ocupação, ele procura no ofício uma nova chance com sua família.

 

"Particularmente, a minha intenção é sair do presídio, arrumar um emprego e poder cuidar da minha família, ficar mais próximo dela, coisa que eu deixei muito a desejar antes", diz Delfino.

 

"Aqui dentro do presídio não tem só criminoso e bandido. Aqui tem também pais de família, trabalhadores, maridos e filho. Apesar da gente ter cometido algum crime, muitos aqui trabalham e desejam sair e recomeçar uma nova vida", afirma.

 

"Devido a esse trabalho, a esse preparo, a sociedade já começa a enxergar ele de outra forma. Até mesmo a família começa a acreditar mais nele, ele começa a ter uma perspectiva de vida futura melhor, ele começa a estudar, começa a ter acesso a uma religiosidade, a família começa a ver que ele está buscando realmente o recomeço. Cria-se novas perspectivas, o comportamento dele muda, todo mundo sai ganhando nesse projeto", acrescenta o diretor Leandro.

 

 

Selo Resgata

 

O trabalho de recuperação realizado com os detentos em Itajubá recentemente foi reconhecido pelo "Selo Resgata", concedido pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), para empresas que dão oportunidades de trabalho para pessoas acauteladas.

 

Ao todo, 113 empresas, entre elas 31 mineiras, já receberam o selo concedido pelo Governo Federal. Minas Gerais é o estado que lidera o ranking de empresas selecionadas. A que faz o trabalho em Itajubá, recentemente também foi homenageada pelo governo e pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo trabalho.

 

"Só essas homenagens demonstram que o projeto deu certo, que a ideia deu certo. É gratificante quando você faz as coisas e ela acontece sem você buscar esse reconhecimento, veio naturalmente", diz Richard dos Reis Carvalho Pinto, sócio do irmão Hudson na empresa.

 

 

Resultados

 

O resultado do trabalho de recuperação começa a ser sentido nos números. Hoje, dos 650 detentos do Presídio de Itajubá, mais de 200 trabalham ou estudam dentro da unidade em projetos como o da fábrica de eletrônicos, na fábrica de artefatos de cimentos, nas hortas e na panificação.

 

Com isso, segundo o diretor geral do presídio, a reincidência dos presos vem caindo e até o grau de segurança da unidade aumentou.

 

"Nós observamos não só a redução da reincidência, mas hoje percebemos claramente que conseguimos devolver para a sociedade um elemento melhor do que quando ele entrou no cárcere", ressalta.

 

"Nós temos figuras extremamente complicadas dentro do meio carcerário e com o trabalho e o estudo, a gente percebe uma mudança muito grande no comportamento, no perfil, no humor dessas pessoas e algumas delas, conseguem até sair da linha criminal. Temos presos fazendo faculdade com notas de Enem, temos presos que já saem daqui com sua atividade bem definida, as pessoas buscam esse preso para o trabalho, exatamente porque já conhecem o seu perfil. Em síntese, conseguimos remodelar pessoas", completa Rodney Dantas.

 

Além de Itajubá, outras unidades da 17ª Região Integrada Pública já desenvolvem atividades de reinserção de detentos na sociedade por meio do trabalho. Segundo o diretor, já há projetos em andamento nas unidades de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, por exemplo. Em breve, a unidade de Caxambu também deve ganhar um galpão destinado apenas para o trabalho de mulheres presas.

 

"Temos um longo caminho a percorrer ainda, mas vamos continuar. A batalha é diária, é dura, mas nós não vamos esmorecer", conclui o diretor de ressocialização, Leandro Rodrigues Palma.

Matéria extraída do G1


 


G1 visitou unidade em Itajubá para conhecer iniciativa que recebeu "Selo Resgata", voltado para empresas que colaboram para reintegração de detentos na sociedade.


 


Um projeto desenvolvido no Presídio de Itajubá busca a recuperação dos detentos visando o mercado de trabalho. Dentro de um galpão de 600 metros quadrados, 59 detentos se revezam em três turnos para a produção produtos eletrônicos 24 horas por dia.


 


A responsável pelo projeto é uma empresa de Santa Rita do Sapucaí, que se instalou dentro da unidade prisional há 5 anos. Há 2 meses, a empresa recebeu o "Selo Resgata", do Governo Federal, que reconhece organizações que colaboram com a reintegração dos detentos ao mercado de trabalho e à sociedade.


 


"O Presídio de Itajubá vem na luta desde 2009 com diversas parcerias em diversos segmentos e, neste, a empresa emprega quase 60 detentos no presídio, fazendo um trabalho louvável de recuperação. É um serviço muito específico, em que ele está sendo qualificado", afirma o diretor de atendimento e ressocialização do presídio, Leandro Rodrigues Palma.


 


"São promovidos diversos cursos aqui dentro e como nós temos aqui em torno cidades em um polo de mecatrônica, de engenharia eletrônica, ele sai preparado para o trabalho", completa.


 


Segundo um dos sócios da empresa HR Indústria e Comércio de Eletrônicos, responsável pela produção, a ideia de instalar a unidade industrial no presídio surgiu após um estudo de viabilidade.


 


"A ideia surgiu no ano de 2010. A gente vinha produzindo filtros de linha e fizemos estudos que mostraram que 60% do custo final era de mão de obra. Como nós estávamos em Santa Rita do Sapucaí, no Vale da Eletrônica, nós arriscamos em um projeto diferenciado, que era levar essa produção para dentro da unidade prisional, para que a gente pudesse diminuir o custo do nosso produto e ganhar mercado", disse Hudson dos Reis Carvalho Pinto.


 


Para poder participar do projeto, o detento passa por uma triagem e é avaliado por uma comissão que envolve diversos profissionais do presídio.


 


"Tudo começa com a escolha do preso que vai trabalhar, do custodiado. É importante que ele passe por uma avaliação técnica. Esse custodiado é avaliado por psicólogo, assistente social, pedagogo, pela equipe de segurança, pela inteligência, pelas direções da unidade. aí nós começamos a criar um perfil para esse custodiado, para que a gente possa ter êxito quando formos ofertar essa mão de obra", explica o diretor regional da 17ª Região Integrada de Segurança Pública, Rodney Dantas Pinto.


 


 



Fernando pretende seguir profissão quando deixar o presídio.


 


 


Preso há 1 ano e 10 meses por tráfico de drogas, Fernando Henrique Silva Lopes, de 23 anos, é um dos detentos inseridos no projeto. Ele mostrou à reportagem do G1 um pouco de seu trabalho dentro da unidade, operando uma máquina chinesa que faz a injeção das peças utilizadas na fabricação de extensões elétricas. A experiência já abre novas perspectivas para o futuro.


 


"O serviço contribui, ocupa a cabeça, ganha mais experiência em outro serviço. Ajuda bastante, tem a sua remuneração. Pretendo arrumar um serviço na área, crescer na vida, esquecer o mundo do crime e trabalhar, ajudar a família, ter uma profissão"


 


Douglas Júlio Delfino, de 38 anos, está no preso há 7 meses e deve cumprir mais 9 meses na unidade prisional. O ex-operador de máquinas e agente administrativo diz não ter dificuldades com o trabalho, com o qual demonstra habilidade. Mais do que uma ocupação, ele procura no ofício uma nova chance com sua família.


PATROCINADORES

 


"Particularmente, a minha intenção é sair do presídio, arrumar um emprego e poder cuidar da minha família, ficar mais próximo dela, coisa que eu deixei muito a desejar antes", diz Delfino.


 


"Aqui dentro do presídio não tem só criminoso e bandido. Aqui tem também pais de família, trabalhadores, maridos e filho. Apesar da gente ter cometido algum crime, muitos aqui trabalham e desejam sair e recomeçar uma nova vida", afirma.


 


"Devido a esse trabalho, a esse preparo, a sociedade já começa a enxergar ele de outra forma. Até mesmo a família começa a acreditar mais nele, ele começa a ter uma perspectiva de vida futura melhor, ele começa a estudar, começa a ter acesso a uma religiosidade, a família começa a ver que ele está buscando realmente o recomeço. Cria-se novas perspectivas, o comportamento dele muda, todo mundo sai ganhando nesse projeto", acrescenta o diretor Leandro.


 


 


Selo Resgata


 


O trabalho de recuperação realizado com os detentos em Itajubá recentemente foi reconhecido pelo "Selo Resgata", concedido pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), para empresas que dão oportunidades de trabalho para pessoas acauteladas.


 


Ao todo, 113 empresas, entre elas 31 mineiras, já receberam o selo concedido pelo Governo Federal. Minas Gerais é o estado que lidera o ranking de empresas selecionadas. A que faz o trabalho em Itajubá, recentemente também foi homenageada pelo governo e pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo trabalho.


 


"Só essas homenagens demonstram que o projeto deu certo, que a ideia deu certo. É gratificante quando você faz as coisas e ela acontece sem você buscar esse reconhecimento, veio naturalmente", diz Richard dos Reis Carvalho Pinto, sócio do irmão Hudson na empresa.


 


 


Resultados


 


O resultado do trabalho de recuperação começa a ser sentido nos números. Hoje, dos 650 detentos do Presídio de Itajubá, mais de 200 trabalham ou estudam dentro da unidade em projetos como o da fábrica de eletrônicos, na fábrica de artefatos de cimentos, nas hortas e na panificação.


 


Com isso, segundo o diretor geral do presídio, a reincidência dos presos vem caindo e até o grau de segurança da unidade aumentou.


 


"Nós observamos não só a redução da reincidência, mas hoje percebemos claramente que conseguimos devolver para a sociedade um elemento melhor do que quando ele entrou no cárcere", ressalta.


 


"Nós temos figuras extremamente complicadas dentro do meio carcerário e com o trabalho e o estudo, a gente percebe uma mudança muito grande no comportamento, no perfil, no humor dessas pessoas e algumas delas, conseguem até sair da linha criminal. Temos presos fazendo faculdade com notas de Enem, temos presos que já saem daqui com sua atividade bem definida, as pessoas buscam esse preso para o trabalho, exatamente porque já conhecem o seu perfil. Em síntese, conseguimos remodelar pessoas", completa Rodney Dantas.


 


Além de Itajubá, outras unidades da 17ª Região Integrada Pública já desenvolvem atividades de reinserção de detentos na sociedade por meio do trabalho. Segundo o diretor, já há projetos em andamento nas unidades de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, por exemplo. Em breve, a unidade de Caxambu também deve ganhar um galpão destinado apenas para o trabalho de mulheres presas.


 


"Temos um longo caminho a percorrer ainda, mas vamos continuar. A batalha é diária, é dura, mas nós não vamos esmorecer", conclui o diretor de ressocialização, Leandro Rodrigues Palma.


Matéria extraída do G1



G1 visitou unidade em Itajubá para conhecer iniciativa que recebeu "Selo Resgata", voltado para empresas que colaboram para reintegração de detentos na sociedade.



Um projeto desenvolvido no Presídio de Itajubá busca a recuperação dos detentos visando o mercado de trabalho. Dentro de um galpão de 600 metros quadrados, 59 detentos se revezam em três turnos para a produção produtos eletrônicos 24 horas por dia.



A responsável pelo projeto é uma empresa de Santa Rita do Sapucaí, que se instalou dentro da unidade prisional há 5 anos. Há 2 meses, a empresa recebeu o "Selo Resgata", do Governo Federal, que reconhece organizações que colaboram com a reintegração dos detentos ao mercado de trabalho e à sociedade.



"O Presídio de Itajubá vem na luta desde 2009 com diversas parcerias em diversos segmentos e, neste, a empresa emprega quase 60 detentos no presídio, fazendo um trabalho louvável de recuperação. É um serviço muito específico, em que ele está sendo qualificado", afirma o diretor de atendimento e ressocialização do presídio, Leandro Rodrigues Palma.



"São promovidos diversos cursos aqui dentro e como nós temos aqui em torno cidades em um polo de mecatrônica, de engenharia eletrônica, ele sai preparado para o trabalho", completa.



Segundo um dos sócios da empresa HR Indústria e Comércio de Eletrônicos, responsável pela produção, a ideia de instalar a unidade industrial no presídio surgiu após um estudo de viabilidade.



"A ideia surgiu no ano de 2010. A gente vinha produzindo filtros de linha e fizemos estudos que mostraram que 60% do custo final era de mão de obra. Como nós estávamos em Santa Rita do Sapucaí, no Vale da Eletrônica, nós arriscamos em um projeto diferenciado, que era levar essa produção para dentro da unidade prisional, para que a gente pudesse diminuir o custo do nosso produto e ganhar mercado", disse Hudson dos Reis Carvalho Pinto.



Para poder participar do projeto, o detento passa por uma triagem e é avaliado por uma comissão que envolve diversos profissionais do presídio.



"Tudo começa com a escolha do preso que vai trabalhar, do custodiado. É importante que ele passe por uma avaliação técnica. Esse custodiado é avaliado por psicólogo, assistente social, pedagogo, pela equipe de segurança, pela inteligência, pelas direções da unidade. aí nós começamos a criar um perfil para esse custodiado, para que a gente possa ter êxito quando formos ofertar essa mão de obra", explica o diretor regional da 17ª Região Integrada de Segurança Pública, Rodney Dantas Pinto.



PATROCINADORES



Fernando pretende seguir profissão quando deixar o presídio.



Preso há 1 ano e 10 meses por tráfico de drogas, Fernando Henrique Silva Lopes, de 23 anos, é um dos detentos inseridos no projeto. Ele mostrou à reportagem do G1 um pouco de seu trabalho dentro da unidade, operando uma máquina chinesa que faz a injeção das peças utilizadas na fabricação de extensões elétricas. A experiência já abre novas perspectivas para o futuro.



"O serviço contribui, ocupa a cabeça, ganha mais experiência em outro serviço. Ajuda bastante, tem a sua remuneração. Pretendo arrumar um serviço na área, crescer na vida, esquecer o mundo do crime e trabalhar, ajudar a família, ter uma profissão"



Douglas Júlio Delfino, de 38 anos, está no preso há 7 meses e deve cumprir mais 9 meses na unidade prisional. O ex-operador de máquinas e agente administrativo diz não ter dificuldades com o trabalho, com o qual demonstra habilidade. Mais do que uma ocupação, ele procura no ofício uma nova chance com sua família.



"Particularmente, a minha intenção é sair do presídio, arrumar um emprego e poder cuidar da minha família, ficar mais próximo dela, coisa que eu deixei muito a desejar antes", diz Delfino.



"Aqui dentro do presídio não tem só criminoso e bandido. Aqui tem também pais de família, trabalhadores, maridos e filho. Apesar da gente ter cometido algum crime, muitos aqui trabalham e desejam sair e recomeçar uma nova vida", afirma.



"Devido a esse trabalho, a esse preparo, a sociedade já começa a enxergar ele de outra forma. Até mesmo a família começa a acreditar mais nele, ele começa a ter uma perspectiva de vida futura melhor, ele começa a estudar, começa a ter acesso a uma religiosidade, a família começa a ver que ele está buscando realmente o recomeço. Cria-se novas perspectivas, o comportamento dele muda, todo mundo sai ganhando nesse projeto", acrescenta o diretor Leandro.



Selo Resgata



PATROCINADORES

O trabalho de recuperação realizado com os detentos em Itajubá recentemente foi reconhecido pelo "Selo Resgata", concedido pelo Ministério Extraordinário da Segurança Pública, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), para empresas que dão oportunidades de trabalho para pessoas acauteladas.



Ao todo, 113 empresas, entre elas 31 mineiras, já receberam o selo concedido pelo Governo Federal. Minas Gerais é o estado que lidera o ranking de empresas selecionadas. A que faz o trabalho em Itajubá, recentemente também foi homenageada pelo governo e pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais pelo trabalho.



"Só essas homenagens demonstram que o projeto deu certo, que a ideia deu certo. É gratificante quando você faz as coisas e ela acontece sem você buscar esse reconhecimento, veio naturalmente", diz Richard dos Reis Carvalho Pinto, sócio do irmão Hudson na empresa.



Resultados



O resultado do trabalho de recuperação começa a ser sentido nos números. Hoje, dos 650 detentos do Presídio de Itajubá, mais de 200 trabalham ou estudam dentro da unidade em projetos como o da fábrica de eletrônicos, na fábrica de artefatos de cimentos, nas hortas e na panificação.



Com isso, segundo o diretor geral do presídio, a reincidência dos presos vem caindo e até o grau de segurança da unidade aumentou.



"Nós observamos não só a redução da reincidência, mas hoje percebemos claramente que conseguimos devolver para a sociedade um elemento melhor do que quando ele entrou no cárcere", ressalta.



"Nós temos figuras extremamente complicadas dentro do meio carcerário e com o trabalho e o estudo, a gente percebe uma mudança muito grande no comportamento, no perfil, no humor dessas pessoas e algumas delas, conseguem até sair da linha criminal. Temos presos fazendo faculdade com notas de Enem, temos presos que já saem daqui com sua atividade bem definida, as pessoas buscam esse preso para o trabalho, exatamente porque já conhecem o seu perfil. Em síntese, conseguimos remodelar pessoas", completa Rodney Dantas.



Além de Itajubá, outras unidades da 17ª Região Integrada Pública já desenvolvem atividades de reinserção de detentos na sociedade por meio do trabalho. Segundo o diretor, já há projetos em andamento nas unidades de Pouso Alegre e Santa Rita do Sapucaí, por exemplo. Em breve, a unidade de Caxambu também deve ganhar um galpão destinado apenas para o trabalho de mulheres presas.



"Temos um longo caminho a percorrer ainda, mas vamos continuar. A batalha é diária, é dura, mas nós não vamos esmorecer", conclui o diretor de ressocialização, Leandro Rodrigues Palma.



Veja Também