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Ciência & Tecnologia

A curiosa razão pela qual há insetos homossexuais

Publicado por TV Minas em 15/07/2018

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A homossexualidade em insetos é tão ampla quanto enigmática, segundo o biólogo Kris Sales, da universidade britânica de East Anglia.

 

"Por que a evolução permite que continue existindo uma custosa atividade homossexual, quando a reprodução é atingida primariamente pelo acasalamento heterossexual?", questionam Sales e seus colegas em seu estudo mais recente, publicado no periódico Animal Behaviour.

 

Relações homossexuais já foram registradas em mais de cem espécies de insetos e são atividades trabalhosas para eles, com grande gasto de energia e tempo.

 

"Em algumas espécies, como um gafanhoto, cada ejaculação chega a equivaler a um quarto do peso corporal dele", explicou Sales à BBC News Mundo. "No caso de uma espécie de mosca da fruta, o fluido do sêmen é mais comprido que todo seu corpo."

 

Sales se pôs, então, a pesquisar os motivos de os insetos alocarem tanta energia no sexo homossexual, que não permite o acasalamento e ainda traz, como qualquer atividade sexual, riscos - desde transmissão de cerca de uma centena de doenças sexuais já identificadas nessas criaturas até lesões que podem ser causadas por parceiros com órgãos sexuais perfurantes.

 

 

Como se explica a homosexualidade em insetos

 

Nessa busca, o biólogo identificou uma teoria bastante interessante: há pesquisadores que sugerem que o relacionamento homossexual nos insetos traz vantagens evolutivas, uma vez que reduz a competição entre machos - ao distrair ou machucar rivais que disputam uma fêmea.

 

Mas a pesquisa de Sales acabou encontrando indícios que sustentam outra teoria: a de que a homossexualidade ocorre "simplesmente porque os machos não reconhecem bem a seus pares".

 

O biólogo e seus colegas projetaram um experimento em laboratório com uma espécie chamada besouro castanho (Tribolium castaneum).

 

 

Experimento com besouros comparou dois grupos: um com mais machos e outro com mais fêmeas.

 

 

Besouro castanho visto sob microscópio; no grupo com menos machos que fêmeas usado na pesquisa, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular com ambos os sexos.

 

 

O besouro foi escolhido porque tem um ciclo de vida relativamente rápido e "cresce facilmente em um ambiente com farinha, levedura e aveia", explicou o biólogo.

 

"Comparamos dois grupos de besouros, um com mais machos que fêmeas e outro com mais fêmeas que machos", relatou.

 

"Depois, observamos a copulação de cerca de 300 machos. Criamos um ambiente para os insetos com 30ºC de calor e 60% de umidade e passamos 50 horas observando-os enquanto tentavam copular."

 

 

Interesses variáveis

 

Sales e seus colegas constataram que os dois grupos observados estavam igualmente motivados para copular. Mas havia uma diferença: no grupo com menos fêmeas, em que a competição masculina era maior, cresceu a incidência dos machos que buscaram primeiro as fêmeas e passaram mais tempo copulando com elas.

 

 

'Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre', diz Sales.

 

 

Já no grupo com menos machos que fêmeas, porém, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular tanto com fêmeas quanto com os demais machos.

 

Para Sales, isso indica que "o comportamento homossexual em insetos, especialmente nesses besouros, não é uma adaptação evolutiva, porque quando existe a pressão da competição, a homossexualidade se torna menos comum".

 

"Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre", disse o pesquisador à BBC News Mundo.

 

O besouro castanho tem uma visão ruim, tendo dificuldades para distinguir entre machos e fêmeas.

 

Após a publicação de seu estudo, Sales e seus colegas esperam agora investigar o mecanismo exato pelo qual esses besouros conseguem identificar as fêmeas.

 

O biólogo destacou que, embora os besouros e escaravelhos representem cerca de 25% das espécies conhecidas de insetos, as conclusões do estudo não podem ser extrapoladas a outras espécies com funções cognitivas e estruturas sociais mais complexas, como aves e mamíferos.

A homossexualidade em insetos é tão ampla quanto enigmática, segundo o biólogo Kris Sales, da universidade britânica de East Anglia.


 


"Por que a evolução permite que continue existindo uma custosa atividade homossexual, quando a reprodução é atingida primariamente pelo acasalamento heterossexual?", questionam Sales e seus colegas em seu estudo mais recente, publicado no periódico Animal Behaviour.


 


Relações homossexuais já foram registradas em mais de cem espécies de insetos e são atividades trabalhosas para eles, com grande gasto de energia e tempo.


 


"Em algumas espécies, como um gafanhoto, cada ejaculação chega a equivaler a um quarto do peso corporal dele", explicou Sales à BBC News Mundo. "No caso de uma espécie de mosca da fruta, o fluido do sêmen é mais comprido que todo seu corpo."


 


Sales se pôs, então, a pesquisar os motivos de os insetos alocarem tanta energia no sexo homossexual, que não permite o acasalamento e ainda traz, como qualquer atividade sexual, riscos - desde transmissão de cerca de uma centena de doenças sexuais já identificadas nessas criaturas até lesões que podem ser causadas por parceiros com órgãos sexuais perfurantes.


 


 


Como se explica a homosexualidade em insetos


 


Nessa busca, o biólogo identificou uma teoria bastante interessante: há pesquisadores que sugerem que o relacionamento homossexual nos insetos traz vantagens evolutivas, uma vez que reduz a competição entre machos - ao distrair ou machucar rivais que disputam uma fêmea.


 


Mas a pesquisa de Sales acabou encontrando indícios que sustentam outra teoria: a de que a homossexualidade ocorre "simplesmente porque os machos não reconhecem bem a seus pares".


 


O biólogo e seus colegas projetaram um experimento em laboratório com uma espécie chamada besouro castanho (Tribolium castaneum).


 


 



Experimento com besouros comparou dois grupos: um com mais machos e outro com mais fêmeas.


 


 



Besouro castanho visto sob microscópio; no grupo com menos machos que fêmeas usado na pesquisa, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular com ambos os sexos.


 


PATROCINADORES

 


O besouro foi escolhido porque tem um ciclo de vida relativamente rápido e "cresce facilmente em um ambiente com farinha, levedura e aveia", explicou o biólogo.


 


"Comparamos dois grupos de besouros, um com mais machos que fêmeas e outro com mais fêmeas que machos", relatou.


 


"Depois, observamos a copulação de cerca de 300 machos. Criamos um ambiente para os insetos com 30ºC de calor e 60% de umidade e passamos 50 horas observando-os enquanto tentavam copular."


 


 


Interesses variáveis


 


Sales e seus colegas constataram que os dois grupos observados estavam igualmente motivados para copular. Mas havia uma diferença: no grupo com menos fêmeas, em que a competição masculina era maior, cresceu a incidência dos machos que buscaram primeiro as fêmeas e passaram mais tempo copulando com elas.


 


 



'Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre', diz Sales.


 


 


Já no grupo com menos machos que fêmeas, porém, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular tanto com fêmeas quanto com os demais machos.


 


Para Sales, isso indica que "o comportamento homossexual em insetos, especialmente nesses besouros, não é uma adaptação evolutiva, porque quando existe a pressão da competição, a homossexualidade se torna menos comum".


 


"Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre", disse o pesquisador à BBC News Mundo.


 


O besouro castanho tem uma visão ruim, tendo dificuldades para distinguir entre machos e fêmeas.


 


Após a publicação de seu estudo, Sales e seus colegas esperam agora investigar o mecanismo exato pelo qual esses besouros conseguem identificar as fêmeas.


 


O biólogo destacou que, embora os besouros e escaravelhos representem cerca de 25% das espécies conhecidas de insetos, as conclusões do estudo não podem ser extrapoladas a outras espécies com funções cognitivas e estruturas sociais mais complexas, como aves e mamíferos.


A homossexualidade em insetos é tão ampla quanto enigmática, segundo o biólogo Kris Sales, da universidade britânica de East Anglia.



"Por que a evolução permite que continue existindo uma custosa atividade homossexual, quando a reprodução é atingida primariamente pelo acasalamento heterossexual?", questionam Sales e seus colegas em seu estudo mais recente, publicado no periódico Animal Behaviour.



Relações homossexuais já foram registradas em mais de cem espécies de insetos e são atividades trabalhosas para eles, com grande gasto de energia e tempo.



"Em algumas espécies, como um gafanhoto, cada ejaculação chega a equivaler a um quarto do peso corporal dele", explicou Sales à BBC News Mundo. "No caso de uma espécie de mosca da fruta, o fluido do sêmen é mais comprido que todo seu corpo."



Sales se pôs, então, a pesquisar os motivos de os insetos alocarem tanta energia no sexo homossexual, que não permite o acasalamento e ainda traz, como qualquer atividade sexual, riscos - desde transmissão de cerca de uma centena de doenças sexuais já identificadas nessas criaturas até lesões que podem ser causadas por parceiros com órgãos sexuais perfurantes.



Como se explica a homosexualidade em insetos



Nessa busca, o biólogo identificou uma teoria bastante interessante: há pesquisadores que sugerem que o relacionamento homossexual nos insetos traz vantagens evolutivas, uma vez que reduz a competição entre machos - ao distrair ou machucar rivais que disputam uma fêmea.



Mas a pesquisa de Sales acabou encontrando indícios que sustentam outra teoria: a de que a homossexualidade ocorre "simplesmente porque os machos não reconhecem bem a seus pares".



O biólogo e seus colegas projetaram um experimento em laboratório com uma espécie chamada besouro castanho (Tribolium castaneum).



PATROCINADORES



Experimento com besouros comparou dois grupos: um com mais machos e outro com mais fêmeas.





Besouro castanho visto sob microscópio; no grupo com menos machos que fêmeas usado na pesquisa, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular com ambos os sexos.



O besouro foi escolhido porque tem um ciclo de vida relativamente rápido e "cresce facilmente em um ambiente com farinha, levedura e aveia", explicou o biólogo.



"Comparamos dois grupos de besouros, um com mais machos que fêmeas e outro com mais fêmeas que machos", relatou.



"Depois, observamos a copulação de cerca de 300 machos. Criamos um ambiente para os insetos com 30ºC de calor e 60% de umidade e passamos 50 horas observando-os enquanto tentavam copular."



Interesses variáveis



PATROCINADORES

Sales e seus colegas constataram que os dois grupos observados estavam igualmente motivados para copular. Mas havia uma diferença: no grupo com menos fêmeas, em que a competição masculina era maior, cresceu a incidência dos machos que buscaram primeiro as fêmeas e passaram mais tempo copulando com elas.





'Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre', diz Sales.



Já no grupo com menos machos que fêmeas, porém, os machos passavam o mesmo tempo tentando copular tanto com fêmeas quanto com os demais machos.



Para Sales, isso indica que "o comportamento homossexual em insetos, especialmente nesses besouros, não é uma adaptação evolutiva, porque quando existe a pressão da competição, a homossexualidade se torna menos comum".



"Nossa investigação dá mais peso à ideia de que a homossexualidade (entre os insetos) é resultado de uma capacidade limitada em reconhecer o outro sexo, embora não saibamos por que isso ocorre", disse o pesquisador à BBC News Mundo.



O besouro castanho tem uma visão ruim, tendo dificuldades para distinguir entre machos e fêmeas.



Após a publicação de seu estudo, Sales e seus colegas esperam agora investigar o mecanismo exato pelo qual esses besouros conseguem identificar as fêmeas.



O biólogo destacou que, embora os besouros e escaravelhos representem cerca de 25% das espécies conhecidas de insetos, as conclusões do estudo não podem ser extrapoladas a outras espécies com funções cognitivas e estruturas sociais mais complexas, como aves e mamíferos.



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