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O cotidiano de uma criança imigrante detida nos EUA

Publicado por TV Minas em 15/07/2018

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Meninos e meninas sofrem separados dos pais após cruzarem a fronteira México-EUA.

 

Não se comporte mal. Não se sente no chão. Não compartilhe sua comida. Não use apelidos. Ah, e também é melhor não chorar. Pode prejudicar o andamento do seu processo. A luzes são apagadas às 21 horas e acesas ao amanhecer, quando você deve fazer a sua cama seguindo instruções detalhadas no passo a passo colado na parede. Esfregue o chão do banheiro, sem se esquecer de passar o pano na pia e no vaso sanitário. Agora é hora de entrar na fila para o café da manhã. A lista de proibições também inclui: não toque em outra criança, mesmo que seja seu irmão.

 

Pequena, franzina e com longos cabelos pretos, a guatemalteca Leticia foi separada de sua mãe após cruzarem a fronteira em maio. Foi enviada para o sul do Texas, a um dos mais de cem centros de detenção contratados pelo governo americano — uma mistura grosseira de internato, creche e prisão. Neles se encontram crianças e adolescentes como Leticia, de 12 anos, e seu irmão, Walter, de 10. A menina tinha a esperança de dar um abraço reconfortante no mais novo, mas “eles me disseram que eu não posso tocar nele”, contou.

 

Leticia escreve para sua mãe, mantida no Arizona, dizendo o quanto sente saudades. Ela rabisca rapidamente esses recados depois de terminar o dever para não violar mais uma regra: não se pode escrever nos dormitórios. E nada de correspondências. Por isso, a garota mantém as cartas a salvo em uma pasta, para quando voltar a ver a mãe. “Eu tenho uma pilha delas”, conta.

 

Outra criança pediu a seu advogado para enviar uma carta para sua mãe, detida, já que não recebera qualquer informação desde que foram separadas, há três semanas. “Mamãe, eu te amo e te adoro e sinto saudades demais”, a menina escreve em redondas letras bastão. Então, ela implora: “Por favor, mãe, comunique-se. Por favor, mãe. Eu espero que você esteja OK e lembre-se, você é a melhor coisa na minha vida”.

 

 

Destino incerto 

 

Uma criança migrante pode ser enviada para o abrigo para menores em Nova York, com mais de 40 mil metros quadrados, mesas de piquenique, quadras esportivas e até uma piscina. Ou ir parar em um motel convertido em centro de detenção, ladeado por caminhonetes, lojas de liquidações, postos de gasolina e motéis baratos. A recreação é feita em um espaço descampado com grama seca e a velha piscina está coberta. Mais de 2.800 crianças permanecem nesses estabelecimentos.

 

Apesar das diferenças, um elemento parece universal: as regras. O toque de despertar e o toque de apagar as luzes, as várias horas horas de estudo que incluem educação cívica de acordo com a história e as leis americana. As lições não incluem as leis que levaram ao encarceramento dos alunos, no entanto.

 

 

O "doutor" e as injeções do sono   

 

Diego Magalhães, um menino brasileiro com cabelos castanhos cacheados, passou 43 dias em um centro de detenção em Chicago depois de ser separado de sua mãe, Sirley Paixão, quando eles cruzaram a fronteira em Maio. Cumprindo o que havia prometido a ela na despedida, Diego não chorou. Ele tem orgulho disso. Ele tem 10 anos.

 

A primeira noite foi passada no chão de um centro, ao lado de outra criança. No dia seguinte, Diego embarcou em um avião. “Achei que eles estavam me levando para ver minha mãe”, disse. Estava errado.

 

Em Chicago, recebeu roupas novas que associou a um uniforme escolar: camisas, dois shorts, um macacão, cuecas e itens de higiene. Foi levado para um quarto com outros três garotos, dois deles brasileiros: Diogo, de 9 anos, e Leonardo, de 10. Os três logo se tornaram amigos, indo para as aulas juntos, jogando futebol e recebendo o título de “irmãos mais velhos” dos demais por servirem de exemplo em bom comportamento. Por isso, os três foram recompensados com o privilégio de poder jogar videogames.

 

Fora a preocupação sobre quando veria novamente sua mãe, Diego não teve medo, porque sempre foi um bom menino. Ele viu o que aconteceu com Adonias, da Guatemala, que lançava socos e objetos pelos ares. Uma pessoa que Diego chamou de “o doutor” deu injeções em Adonias no meio da aula: “Eles deram injeções nele, porque era muito agitado, e então ele caiu no sono”.

 

Diego permaneceu calmo, conforme prometido a sua mãe. Na semana passada, um juiz federal de Chicago ordenou que ele se reunisse com a família. Antes de ir, conseguiu alguns minutos para se despedir de Leonardo, seu companheiro de quarto.

 

"Dissemos tchau, boa sorte e tenha uma boa vida"..

 

Mas, por causa das regras, eles não se abraçaram.

 

 

Mãe e filho, Sirley e Diego finalmente foram reunidos após 44 dias de separação nos EUA.

Meninos e meninas sofrem separados dos pais após cruzarem a fronteira México-EUA.


 


Não se comporte mal. Não se sente no chão. Não compartilhe sua comida. Não use apelidos. Ah, e também é melhor não chorar. Pode prejudicar o andamento do seu processo. A luzes são apagadas às 21 horas e acesas ao amanhecer, quando você deve fazer a sua cama seguindo instruções detalhadas no passo a passo colado na parede. Esfregue o chão do banheiro, sem se esquecer de passar o pano na pia e no vaso sanitário. Agora é hora de entrar na fila para o café da manhã. A lista de proibições também inclui: não toque em outra criança, mesmo que seja seu irmão.


 


Pequena, franzina e com longos cabelos pretos, a guatemalteca Leticia foi separada de sua mãe após cruzarem a fronteira em maio. Foi enviada para o sul do Texas, a um dos mais de cem centros de detenção contratados pelo governo americano — uma mistura grosseira de internato, creche e prisão. Neles se encontram crianças e adolescentes como Leticia, de 12 anos, e seu irmão, Walter, de 10. A menina tinha a esperança de dar um abraço reconfortante no mais novo, mas “eles me disseram que eu não posso tocar nele”, contou.


 


Leticia escreve para sua mãe, mantida no Arizona, dizendo o quanto sente saudades. Ela rabisca rapidamente esses recados depois de terminar o dever para não violar mais uma regra: não se pode escrever nos dormitórios. E nada de correspondências. Por isso, a garota mantém as cartas a salvo em uma pasta, para quando voltar a ver a mãe. “Eu tenho uma pilha delas”, conta.


 


Outra criança pediu a seu advogado para enviar uma carta para sua mãe, detida, já que não recebera qualquer informação desde que foram separadas, há três semanas. “Mamãe, eu te amo e te adoro e sinto saudades demais”, a menina escreve em redondas letras bastão. Então, ela implora: “Por favor, mãe, comunique-se. Por favor, mãe. Eu espero que você esteja OK e lembre-se, você é a melhor coisa na minha vida”.


 


 


Destino incerto 


 


Uma criança migrante pode ser enviada para o abrigo para menores em Nova York, com mais de 40 mil metros quadrados, mesas de piquenique, quadras esportivas e até uma piscina. Ou ir parar em um motel convertido em centro de detenção, ladeado por caminhonetes, lojas de liquidações, postos de gasolina e motéis baratos. A recreação é feita em um espaço descampado com grama seca e a velha piscina está coberta. Mais de 2.800 crianças permanecem nesses estabelecimentos.


 


Apesar das diferenças, um elemento parece universal: as regras. O toque de despertar e o toque de apagar as luzes, as várias horas horas de estudo que incluem educação cívica de acordo com a história e as leis americana. As lições não incluem as leis que levaram ao encarceramento dos alunos, no entanto.


 


 


PATROCINADORES

O "doutor" e as injeções do sono   


 


Diego Magalhães, um menino brasileiro com cabelos castanhos cacheados, passou 43 dias em um centro de detenção em Chicago depois de ser separado de sua mãe, Sirley Paixão, quando eles cruzaram a fronteira em Maio. Cumprindo o que havia prometido a ela na despedida, Diego não chorou. Ele tem orgulho disso. Ele tem 10 anos.


 


A primeira noite foi passada no chão de um centro, ao lado de outra criança. No dia seguinte, Diego embarcou em um avião. “Achei que eles estavam me levando para ver minha mãe”, disse. Estava errado.


 


Em Chicago, recebeu roupas novas que associou a um uniforme escolar: camisas, dois shorts, um macacão, cuecas e itens de higiene. Foi levado para um quarto com outros três garotos, dois deles brasileiros: Diogo, de 9 anos, e Leonardo, de 10. Os três logo se tornaram amigos, indo para as aulas juntos, jogando futebol e recebendo o título de “irmãos mais velhos” dos demais por servirem de exemplo em bom comportamento. Por isso, os três foram recompensados com o privilégio de poder jogar videogames.


 


Fora a preocupação sobre quando veria novamente sua mãe, Diego não teve medo, porque sempre foi um bom menino. Ele viu o que aconteceu com Adonias, da Guatemala, que lançava socos e objetos pelos ares. Uma pessoa que Diego chamou de “o doutor” deu injeções em Adonias no meio da aula: “Eles deram injeções nele, porque era muito agitado, e então ele caiu no sono”.


 


Diego permaneceu calmo, conforme prometido a sua mãe. Na semana passada, um juiz federal de Chicago ordenou que ele se reunisse com a família. Antes de ir, conseguiu alguns minutos para se despedir de Leonardo, seu companheiro de quarto.


 


"Dissemos tchau, boa sorte e tenha uma boa vida"..


 


Mas, por causa das regras, eles não se abraçaram.


 


 



Mãe e filho, Sirley e Diego finalmente foram reunidos após 44 dias de separação nos EUA.


Meninos e meninas sofrem separados dos pais após cruzarem a fronteira México-EUA.



Não se comporte mal. Não se sente no chão. Não compartilhe sua comida. Não use apelidos. Ah, e também é melhor não chorar. Pode prejudicar o andamento do seu processo. A luzes são apagadas às 21 horas e acesas ao amanhecer, quando você deve fazer a sua cama seguindo instruções detalhadas no passo a passo colado na parede. Esfregue o chão do banheiro, sem se esquecer de passar o pano na pia e no vaso sanitário. Agora é hora de entrar na fila para o café da manhã. A lista de proibições também inclui: não toque em outra criança, mesmo que seja seu irmão.



Pequena, franzina e com longos cabelos pretos, a guatemalteca Leticia foi separada de sua mãe após cruzarem a fronteira em maio. Foi enviada para o sul do Texas, a um dos mais de cem centros de detenção contratados pelo governo americano — uma mistura grosseira de internato, creche e prisão. Neles se encontram crianças e adolescentes como Leticia, de 12 anos, e seu irmão, Walter, de 10. A menina tinha a esperança de dar um abraço reconfortante no mais novo, mas “eles me disseram que eu não posso tocar nele”, contou.



Leticia escreve para sua mãe, mantida no Arizona, dizendo o quanto sente saudades. Ela rabisca rapidamente esses recados depois de terminar o dever para não violar mais uma regra: não se pode escrever nos dormitórios. E nada de correspondências. Por isso, a garota mantém as cartas a salvo em uma pasta, para quando voltar a ver a mãe. “Eu tenho uma pilha delas”, conta.



Outra criança pediu a seu advogado para enviar uma carta para sua mãe, detida, já que não recebera qualquer informação desde que foram separadas, há três semanas. “Mamãe, eu te amo e te adoro e sinto saudades demais”, a menina escreve em redondas letras bastão. Então, ela implora: “Por favor, mãe, comunique-se. Por favor, mãe. Eu espero que você esteja OK e lembre-se, você é a melhor coisa na minha vida”.



Destino incerto 



PATROCINADORES

Uma criança migrante pode ser enviada para o abrigo para menores em Nova York, com mais de 40 mil metros quadrados, mesas de piquenique, quadras esportivas e até uma piscina. Ou ir parar em um motel convertido em centro de detenção, ladeado por caminhonetes, lojas de liquidações, postos de gasolina e motéis baratos. A recreação é feita em um espaço descampado com grama seca e a velha piscina está coberta. Mais de 2.800 crianças permanecem nesses estabelecimentos.



Apesar das diferenças, um elemento parece universal: as regras. O toque de despertar e o toque de apagar as luzes, as várias horas horas de estudo que incluem educação cívica de acordo com a história e as leis americana. As lições não incluem as leis que levaram ao encarceramento dos alunos, no entanto.



O "doutor" e as injeções do sono   



Diego Magalhães, um menino brasileiro com cabelos castanhos cacheados, passou 43 dias em um centro de detenção em Chicago depois de ser separado de sua mãe, Sirley Paixão, quando eles cruzaram a fronteira em Maio. Cumprindo o que havia prometido a ela na despedida, Diego não chorou. Ele tem orgulho disso. Ele tem 10 anos.



A primeira noite foi passada no chão de um centro, ao lado de outra criança. No dia seguinte, Diego embarcou em um avião. “Achei que eles estavam me levando para ver minha mãe”, disse. Estava errado.



PATROCINADORES

Em Chicago, recebeu roupas novas que associou a um uniforme escolar: camisas, dois shorts, um macacão, cuecas e itens de higiene. Foi levado para um quarto com outros três garotos, dois deles brasileiros: Diogo, de 9 anos, e Leonardo, de 10. Os três logo se tornaram amigos, indo para as aulas juntos, jogando futebol e recebendo o título de “irmãos mais velhos” dos demais por servirem de exemplo em bom comportamento. Por isso, os três foram recompensados com o privilégio de poder jogar videogames.



Fora a preocupação sobre quando veria novamente sua mãe, Diego não teve medo, porque sempre foi um bom menino. Ele viu o que aconteceu com Adonias, da Guatemala, que lançava socos e objetos pelos ares. Uma pessoa que Diego chamou de “o doutor” deu injeções em Adonias no meio da aula: “Eles deram injeções nele, porque era muito agitado, e então ele caiu no sono”.



Diego permaneceu calmo, conforme prometido a sua mãe. Na semana passada, um juiz federal de Chicago ordenou que ele se reunisse com a família. Antes de ir, conseguiu alguns minutos para se despedir de Leonardo, seu companheiro de quarto.



"Dissemos tchau, boa sorte e tenha uma boa vida"..



Mas, por causa das regras, eles não se abraçaram.





Mãe e filho, Sirley e Diego finalmente foram reunidos após 44 dias de separação nos EUA.



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