news:

Ciência & Tecnologia

Cientistas encontram possível evidência de vida extraterrestre em Vênus.

Publicado por TV Minas em 15/09/2020 às 14h52

foto_principal.jpg

Presença de gás fosfina, produzido por bactérias que vivem em ambientes inóspitos, na atmosfera do planeta foi descoberta por equipe internacional.

 

Cientistas anunciaram nesta segunda-feira a descoberta de gás fosfina em Vênus, um forte indicador da presença de vida no planeta. As evidências foram publicadas no periódico científico Nature Astronomy. Na Terra, o composto químico é produzido por bactérias que vivem em ambientes com escassez de oxigênio, como é o caso da atmosfera venusiana.

 

"Eu fiquei muito surpresa. Estupefata, na verdade",  afirmou a astrônoma e professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, Jane Greaves, que liderou os trabalhos.

 

A existência de vida extraterreste é um dos maiores questionamentos da ciência. A descoberta do gás fosfina em Vênus foi feita por um time internacional de cientistas no Telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e confirmado por meio do rádiotelescópio Alma, no Chile. Esta é a primeira vez que este composto é descoberto em um planeta telúrico do Sistema Solar, com exceção da Terra. 

 

O gás, formado pela combinação de fósforo com três átomos de hidrogênio, é considerado altamente tóxico para seres humanos. A concentração encontrada na atmosfera de Vênus é de 20 partes por bilhão.

 

Jane explica que os pesquisadores avaliaram possíveis fontes não biológicas, como atividade vulcânica, meteoritos e diversas reações químicas, mas nenhuma pareceu viável. As pesquisas continuarão com o intuito de confirmar a presença de vida no planeta ou encontrar uma explicação alternativa.

 

"Com base no que sabemos sobre Vênus, a explicação mais plausível para a presença do gás fosfina, por mais fantástica que pareça, é a presença de vida", disse Clara Sousa-Silva, portuguesa de 33 anos, co-autora e astrofísica molecular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). "É preciso enfatizar, no entanto, que a hipótese de vida (extraterrestre) deve ser encarada como o último recurso. A descoberta é importante porque, se for o caso, isso significa que não estamos sozinhos e que a vida por si só pode ser muito comum. Pode haver vários outros planetas habitados em nossa galáxia".

 

Vênus é o planeta mais próximo da Terra. É similar em estrutura, embora ligeiramente menor, e é o segundo planeta mais próximo do Sol, enquanto a Terra é o terceiro. A atmosfera venusiana é tóxica e densa e retém o calor. A temperatura na superfície chega a 471°C, o suficiente para derreter chumbo. A pressão atmosférica é 90 vezes maior do que a terrestre.

 

"Nenhuma forma de vida poderia sobreviver na superfície de Vênus, que é completamente inóspita, até mesmo para bioquímicas completamente diferentes das nossas. Mas o planeta pode ter tido vida há muito tempo atrás, antes do efeito de gás estufa deixar a maior parte da superfície completamente inabitável", completou Clara.

 

 

Nuvens ácidas

 

A hipótese de vida em Vênus é antiga e já foi levantada por diferentes astrônomos como Carl Sagan, morto em 1996. No entanto, a maioria dos cientistas se concentrou em outros planetas, como Marte, e luas como Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno). Embora tenha enviado sondas ao planeta batizado com o nome da deusa grega da beleza, a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, deu bem menos atenção ao astro.

 

Alguns cientistas desconfiam que as nuvens altas do planeta, cuja temperatura gira em torno de 30°C, pode reunir micróbios aéreos capazes de sobreviver à extrema acidez — elas são formadas em boa parte por ácido sulfúrico, que compõe 90% da formação destas nuvens. Micróbios terrestres não são capazes de resistir a esse nível de acidez.

 

"Se forem micro-organismos, eles poderiam ter acesso a alguma luz solar e à água e talvez vivam em gotículas de água, o que impediria a desidratação. Mas isso exigiria algum mecanismo desconhecido para protegê-los da corrosão — disse Jane. 

 

Na Terra, micro-organismos que vivem em ambientes anaeróbicos, ou seja, que não dependem de oxigênio, produzem fosfina. Algumas bactérias absorvem fosfato e produzem o gás fosfina a partir da combinação com o hidrogênio.

 

O composto também pode ser produzido por plantas de esgotos, pântanos, plantações de arroz, sedimentos lagunais e também é encontrado nos excrementos e no trato digestivo de vários animais, incluindo seres humanos. O gás fosfina também pode ser gerado artificialmente em alguns procedimentos industriais.

 

Vênus deveria ser um planeta hostil ao gás fosfina, já que sua superfície e sua atmosfera são ricas em compostos de oxigênio que rapidamente reagiria e destruiria o elemento.

 

"Alguma coisa parece estar gerando a fosfina em Vênus de maneira tão rápida quanto a destruição do gás", disse outra co-autora do estudo, Anita Richards, astrofísica da Universidade de Manchester (Reino Unido).

 

 

Outros astros

 

Para a astrônoma Diana Paula Andrade, do Observatório do Valongo, da UFRJ, a descoberta de fosfina em Vênus é marco importante na astrobiologia, mas a especulação sobre vida ainda é prematura. A cientista recorda como exemplo a descoberta de metano (molécula de carbono e hidrogênio) em Titã, lua de Saturno.

 

"Essa descoberta causou alvoroço em 2007 na comunidade cientifica. Ficaram especulando se não poderia ser algum organismo que liberava metano", conta.

 

"Mas quando começaram a estudar melhor Titã, a gente viu que o metano saiu de processos geológicos mesmo. É o ciclo de hidrocarbonetos de Titã que faz esse metano ir para a atmosfera. Não é necessário usar um micro-organismo para explicar o metano de Titã".

 

A astrônoma conta que a busca de fosfina é um alvo já consolidado na astrobiologia, e o aparecimento de substância em um estudo sobre Vênus não é uma surpresa total.

 

"A formação da fosfina no meio interestelar é prevista em reações que não têm barreira de ativação, epodem acontecer naturalmente", conta. "A fosfina já foi encontrada no envoltório cinrcunstelar (gás, poeira e asteroides em torno de estrelas) também".

 

Clara Sousa-Silva, porém, diz crer que a relativa proximidade de Vênus, que já recebeu sondas da Nasa, pode facilitar as investigações científicas para elucidar o problema.

 

"Nós fizemos o melhor possível para explicar a descoberta sem a necessidade de ujm procedimento biológico. Com o nosso conhecimento atual a respeito da fosfina e de Vênus, bem como da geoquímica, não temos a resposta para a presença do gás nas nuvens do planeta. Isso não significa que há vida, necessariamente, mas que há um processo exótico produzindo fosfina, o que exige mais estudos", avaliou Clara. "Felizmente Vênus está 'logo ali'. Podemos literalmente investigar localmente".

 

No passado, houve missões do Programa Venera, da então União Soviética, em Vênus. Mas o principal desafio é garantir a operação de sondas, uma vez que metais derretem facilmente pelas temperaturas altíssimas . Atualmente, há apenas uma sonda na órbita do planeta, a japonesa Akatsuki, lançada em 2010.

Presença de gás fosfina, produzido por bactérias que vivem em ambientes inóspitos, na atmosfera do planeta foi descoberta por equipe internacional.


 


Cientistas anunciaram nesta segunda-feira a descoberta de gás fosfina em Vênus, um forte indicador da presença de vida no planeta. As evidências foram publicadas no periódico científico Nature Astronomy. Na Terra, o composto químico é produzido por bactérias que vivem em ambientes com escassez de oxigênio, como é o caso da atmosfera venusiana.


 


"Eu fiquei muito surpresa. Estupefata, na verdade",  afirmou a astrônoma e professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, Jane Greaves, que liderou os trabalhos.


 


A existência de vida extraterreste é um dos maiores questionamentos da ciência. A descoberta do gás fosfina em Vênus foi feita por um time internacional de cientistas no Telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e confirmado por meio do rádiotelescópio Alma, no Chile. Esta é a primeira vez que este composto é descoberto em um planeta telúrico do Sistema Solar, com exceção da Terra. 


 


O gás, formado pela combinação de fósforo com três átomos de hidrogênio, é considerado altamente tóxico para seres humanos. A concentração encontrada na atmosfera de Vênus é de 20 partes por bilhão.


 


Jane explica que os pesquisadores avaliaram possíveis fontes não biológicas, como atividade vulcânica, meteoritos e diversas reações químicas, mas nenhuma pareceu viável. As pesquisas continuarão com o intuito de confirmar a presença de vida no planeta ou encontrar uma explicação alternativa.


 


"Com base no que sabemos sobre Vênus, a explicação mais plausível para a presença do gás fosfina, por mais fantástica que pareça, é a presença de vida", disse Clara Sousa-Silva, portuguesa de 33 anos, co-autora e astrofísica molecular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). "É preciso enfatizar, no entanto, que a hipótese de vida (extraterrestre) deve ser encarada como o último recurso. A descoberta é importante porque, se for o caso, isso significa que não estamos sozinhos e que a vida por si só pode ser muito comum. Pode haver vários outros planetas habitados em nossa galáxia".


 


Vênus é o planeta mais próximo da Terra. É similar em estrutura, embora ligeiramente menor, e é o segundo planeta mais próximo do Sol, enquanto a Terra é o terceiro. A atmosfera venusiana é tóxica e densa e retém o calor. A temperatura na superfície chega a 471°C, o suficiente para derreter chumbo. A pressão atmosférica é 90 vezes maior do que a terrestre.


 


"Nenhuma forma de vida poderia sobreviver na superfície de Vênus, que é completamente inóspita, até mesmo para bioquímicas completamente diferentes das nossas. Mas o planeta pode ter tido vida há muito tempo atrás, antes do efeito de gás estufa deixar a maior parte da superfície completamente inabitável", completou Clara.


 


 


Nuvens ácidas


 


A hipótese de vida em Vênus é antiga e já foi levantada por diferentes astrônomos como Carl Sagan, morto em 1996. No entanto, a maioria dos cientistas se concentrou em outros planetas, como Marte, e luas como Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno). Embora tenha enviado sondas ao planeta batizado com o nome da deusa grega da beleza, a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, deu bem menos atenção ao astro.


 


Alguns cientistas desconfiam que as nuvens altas do planeta, cuja temperatura gira em torno de 30°C, pode reunir micróbios aéreos capazes de sobreviver à extrema acidez — elas são formadas em boa parte por ácido sulfúrico, que compõe 90% da formação destas nuvens. Micróbios terrestres não são capazes de resistir a esse nível de acidez.


 


"Se forem micro-organismos, eles poderiam ter acesso a alguma luz solar e à água e talvez vivam em gotículas de água, o que impediria a desidratação. Mas isso exigiria algum mecanismo desconhecido para protegê-los da corrosão — disse Jane. 


PATROCINADORES

 


Na Terra, micro-organismos que vivem em ambientes anaeróbicos, ou seja, que não dependem de oxigênio, produzem fosfina. Algumas bactérias absorvem fosfato e produzem o gás fosfina a partir da combinação com o hidrogênio.


 


O composto também pode ser produzido por plantas de esgotos, pântanos, plantações de arroz, sedimentos lagunais e também é encontrado nos excrementos e no trato digestivo de vários animais, incluindo seres humanos. O gás fosfina também pode ser gerado artificialmente em alguns procedimentos industriais.


 


Vênus deveria ser um planeta hostil ao gás fosfina, já que sua superfície e sua atmosfera são ricas em compostos de oxigênio que rapidamente reagiria e destruiria o elemento.


 


"Alguma coisa parece estar gerando a fosfina em Vênus de maneira tão rápida quanto a destruição do gás", disse outra co-autora do estudo, Anita Richards, astrofísica da Universidade de Manchester (Reino Unido).


 


 


Outros astros


 


Para a astrônoma Diana Paula Andrade, do Observatório do Valongo, da UFRJ, a descoberta de fosfina em Vênus é marco importante na astrobiologia, mas a especulação sobre vida ainda é prematura. A cientista recorda como exemplo a descoberta de metano (molécula de carbono e hidrogênio) em Titã, lua de Saturno.


 


"Essa descoberta causou alvoroço em 2007 na comunidade cientifica. Ficaram especulando se não poderia ser algum organismo que liberava metano", conta.


 


"Mas quando começaram a estudar melhor Titã, a gente viu que o metano saiu de processos geológicos mesmo. É o ciclo de hidrocarbonetos de Titã que faz esse metano ir para a atmosfera. Não é necessário usar um micro-organismo para explicar o metano de Titã".


 


A astrônoma conta que a busca de fosfina é um alvo já consolidado na astrobiologia, e o aparecimento de substância em um estudo sobre Vênus não é uma surpresa total.


 


"A formação da fosfina no meio interestelar é prevista em reações que não têm barreira de ativação, epodem acontecer naturalmente", conta. "A fosfina já foi encontrada no envoltório cinrcunstelar (gás, poeira e asteroides em torno de estrelas) também".


 


Clara Sousa-Silva, porém, diz crer que a relativa proximidade de Vênus, que já recebeu sondas da Nasa, pode facilitar as investigações científicas para elucidar o problema.


 


"Nós fizemos o melhor possível para explicar a descoberta sem a necessidade de ujm procedimento biológico. Com o nosso conhecimento atual a respeito da fosfina e de Vênus, bem como da geoquímica, não temos a resposta para a presença do gás nas nuvens do planeta. Isso não significa que há vida, necessariamente, mas que há um processo exótico produzindo fosfina, o que exige mais estudos", avaliou Clara. "Felizmente Vênus está 'logo ali'. Podemos literalmente investigar localmente".


 


No passado, houve missões do Programa Venera, da então União Soviética, em Vênus. Mas o principal desafio é garantir a operação de sondas, uma vez que metais derretem facilmente pelas temperaturas altíssimas . Atualmente, há apenas uma sonda na órbita do planeta, a japonesa Akatsuki, lançada em 2010.


Presença de gás fosfina, produzido por bactérias que vivem em ambientes inóspitos, na atmosfera do planeta foi descoberta por equipe internacional.



Cientistas anunciaram nesta segunda-feira a descoberta de gás fosfina em Vênus, um forte indicador da presença de vida no planeta. As evidências foram publicadas no periódico científico Nature Astronomy. Na Terra, o composto químico é produzido por bactérias que vivem em ambientes com escassez de oxigênio, como é o caso da atmosfera venusiana.



"Eu fiquei muito surpresa. Estupefata, na verdade",  afirmou a astrônoma e professora da Universidade de Cardiff, no País de Gales, Jane Greaves, que liderou os trabalhos.



A existência de vida extraterreste é um dos maiores questionamentos da ciência. A descoberta do gás fosfina em Vênus foi feita por um time internacional de cientistas no Telescópio James Clerk Maxwell, no Havaí, e confirmado por meio do rádiotelescópio Alma, no Chile. Esta é a primeira vez que este composto é descoberto em um planeta telúrico do Sistema Solar, com exceção da Terra. 



O gás, formado pela combinação de fósforo com três átomos de hidrogênio, é considerado altamente tóxico para seres humanos. A concentração encontrada na atmosfera de Vênus é de 20 partes por bilhão.



Jane explica que os pesquisadores avaliaram possíveis fontes não biológicas, como atividade vulcânica, meteoritos e diversas reações químicas, mas nenhuma pareceu viável. As pesquisas continuarão com o intuito de confirmar a presença de vida no planeta ou encontrar uma explicação alternativa.



"Com base no que sabemos sobre Vênus, a explicação mais plausível para a presença do gás fosfina, por mais fantástica que pareça, é a presença de vida", disse Clara Sousa-Silva, portuguesa de 33 anos, co-autora e astrofísica molecular do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). "É preciso enfatizar, no entanto, que a hipótese de vida (extraterrestre) deve ser encarada como o último recurso. A descoberta é importante porque, se for o caso, isso significa que não estamos sozinhos e que a vida por si só pode ser muito comum. Pode haver vários outros planetas habitados em nossa galáxia".



Vênus é o planeta mais próximo da Terra. É similar em estrutura, embora ligeiramente menor, e é o segundo planeta mais próximo do Sol, enquanto a Terra é o terceiro. A atmosfera venusiana é tóxica e densa e retém o calor. A temperatura na superfície chega a 471°C, o suficiente para derreter chumbo. A pressão atmosférica é 90 vezes maior do que a terrestre.



"Nenhuma forma de vida poderia sobreviver na superfície de Vênus, que é completamente inóspita, até mesmo para bioquímicas completamente diferentes das nossas. Mas o planeta pode ter tido vida há muito tempo atrás, antes do efeito de gás estufa deixar a maior parte da superfície completamente inabitável", completou Clara.



PATROCINADORES

Nuvens ácidas



A hipótese de vida em Vênus é antiga e já foi levantada por diferentes astrônomos como Carl Sagan, morto em 1996. No entanto, a maioria dos cientistas se concentrou em outros planetas, como Marte, e luas como Europa (Júpiter) e Encélado (Saturno). Embora tenha enviado sondas ao planeta batizado com o nome da deusa grega da beleza, a Nasa, a agência espacial dos Estados Unidos, deu bem menos atenção ao astro.



Alguns cientistas desconfiam que as nuvens altas do planeta, cuja temperatura gira em torno de 30°C, pode reunir micróbios aéreos capazes de sobreviver à extrema acidez — elas são formadas em boa parte por ácido sulfúrico, que compõe 90% da formação destas nuvens. Micróbios terrestres não são capazes de resistir a esse nível de acidez.



"Se forem micro-organismos, eles poderiam ter acesso a alguma luz solar e à água e talvez vivam em gotículas de água, o que impediria a desidratação. Mas isso exigiria algum mecanismo desconhecido para protegê-los da corrosão — disse Jane. 



Na Terra, micro-organismos que vivem em ambientes anaeróbicos, ou seja, que não dependem de oxigênio, produzem fosfina. Algumas bactérias absorvem fosfato e produzem o gás fosfina a partir da combinação com o hidrogênio.



O composto também pode ser produzido por plantas de esgotos, pântanos, plantações de arroz, sedimentos lagunais e também é encontrado nos excrementos e no trato digestivo de vários animais, incluindo seres humanos. O gás fosfina também pode ser gerado artificialmente em alguns procedimentos industriais.



Vênus deveria ser um planeta hostil ao gás fosfina, já que sua superfície e sua atmosfera são ricas em compostos de oxigênio que rapidamente reagiria e destruiria o elemento.



"Alguma coisa parece estar gerando a fosfina em Vênus de maneira tão rápida quanto a destruição do gás", disse outra co-autora do estudo, Anita Richards, astrofísica da Universidade de Manchester (Reino Unido).



PATROCINADORES

Outros astros



Para a astrônoma Diana Paula Andrade, do Observatório do Valongo, da UFRJ, a descoberta de fosfina em Vênus é marco importante na astrobiologia, mas a especulação sobre vida ainda é prematura. A cientista recorda como exemplo a descoberta de metano (molécula de carbono e hidrogênio) em Titã, lua de Saturno.



"Essa descoberta causou alvoroço em 2007 na comunidade cientifica. Ficaram especulando se não poderia ser algum organismo que liberava metano", conta.



"Mas quando começaram a estudar melhor Titã, a gente viu que o metano saiu de processos geológicos mesmo. É o ciclo de hidrocarbonetos de Titã que faz esse metano ir para a atmosfera. Não é necessário usar um micro-organismo para explicar o metano de Titã".



A astrônoma conta que a busca de fosfina é um alvo já consolidado na astrobiologia, e o aparecimento de substância em um estudo sobre Vênus não é uma surpresa total.



"A formação da fosfina no meio interestelar é prevista em reações que não têm barreira de ativação, epodem acontecer naturalmente", conta. "A fosfina já foi encontrada no envoltório cinrcunstelar (gás, poeira e asteroides em torno de estrelas) também".



Clara Sousa-Silva, porém, diz crer que a relativa proximidade de Vênus, que já recebeu sondas da Nasa, pode facilitar as investigações científicas para elucidar o problema.



"Nós fizemos o melhor possível para explicar a descoberta sem a necessidade de ujm procedimento biológico. Com o nosso conhecimento atual a respeito da fosfina e de Vênus, bem como da geoquímica, não temos a resposta para a presença do gás nas nuvens do planeta. Isso não significa que há vida, necessariamente, mas que há um processo exótico produzindo fosfina, o que exige mais estudos", avaliou Clara. "Felizmente Vênus está 'logo ali'. Podemos literalmente investigar localmente".



No passado, houve missões do Programa Venera, da então União Soviética, em Vênus. Mas o principal desafio é garantir a operação de sondas, uma vez que metais derretem facilmente pelas temperaturas altíssimas . Atualmente, há apenas uma sonda na órbita do planeta, a japonesa Akatsuki, lançada em 2010.



Veja Também