news:

Notícias

Governo Bolsonaro teme retorno do partido de Morales ao poder na Bolívia

Publicado por TV Minas em 17/10/2020 às 13h14

foto_principal.jpg

Brasília fracassou ao buscar união das candidaturas de direita para tentar barrar nas urnas ex-ministro de Evo Morales, favorito na eleição presidencial de amanhã.

 

Desde que foi um dos primeiros países a reconhecer a Presidência interina de Jeanine Áñez na Bolívia, em novembro passado, o Brasil acompanha com atenção a situação no vizinho e, às vésperas da eleição presidencial de amanhã, cresce o temor em Brasília de um eventual retorno do Movimento ao Socialismo (MAS) ao poder. A jogada necessária para derrotar o favorito — o ex-ministro da Economia do governo Evo Morales (2006-2019), Luis Arce — era, na visão do governo Jair Bolsonaro, uma ampla aliança da centro-direita.

 

O recado foi dado pelo Brasil a importantes lideranças bolivianas, confirmaram fontes, mas a estratégia esbarrou em disputas internas. Uma hipotética vitória do MAS é considerada pelo governo uma ameaça à estabilidade política no país, com quem o Brasil compartilha sua maior fronteira na região, além de representar o fracasso de uma clara aposta de Bolsonaro para ampliar sua zona de influência na América do Sul.

 

Um dos principais obstáculos para a unificação da centro-direita boliviana foi a rígida posição de Luis Fernando Camacho, ex-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e líder da onda de manifestações contra o governo Morales em 2019. Amanhã, os três principais candidatos à Presidência serão Arce, o ex-presidente Carlos Mesa (2002-2003) e Camacho.

 

Algumas pesquisas apontam triunfo do candidato do MAS no primeiro turno (para isso é preciso obter mais de 50% ou 40% dos votos com uma diferença de pelo menos dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado) ou um eventual segundo turno entre Arce e Mesa. Se houver segundo turno, o governo de Áñez e seus sócios regionais, entre eles o Brasil, confiam numa frente de centro-direita que impeça a eleição de Arce.

 

"Uma vitória do MAS abriria a possibilidade de uma nova fase de instabilidade política. Eles dizem que respeitarão as regras democráticas, mas existe na sociedade a sensação de que, se voltarem, fariam o contrário", disse ao GLOBO a chanceler boliviana, Karen Longaric.

 

Se o Brasil de Bolsonaro teme pela volta do MAS, a Argentina de Alberto Fernández permitiu que Morales fizesse campanha por seu candidato no país que lhe concedeu asilo. O governo de peronistas e kirchneristas nunca reconheceu a Presidência interina de Áñez e continua sustentando que o ex-presidente foi vítima de um golpe. Para o governo Fernández, a auditoria feita pela OEA sobre as eleições presidenciais de outubro passado cometeu graves erros e teve como objetivo legitimar o não reconhecimento da reeleição de Morales, que renunciou em novembro de 2019 sob forte pressão das forças policiais e militares.

 

Já o Brasil de Bolsonaro acusa Morales de fraude e, antes disso, de não ter respeitado o referendo de 2016, no qual venceu o “Não” à proposta do então governo do MAS de aprovar a reeleição indefinida. No início de seu governo, o presidente brasileiro conseguiu construir um vínculo pragmático com Morales. No entanto, a saída do MAS do poder foi vista como uma chance de equilibrar o tabuleiro político regional a favor da direita. Uma fonte disse que há “interesse e preocupação” em Brasília sobre a situação boliviana porque “muitos brasileiros moram na Bolívia” e a expectativa é de que “as eleições gerem estabilidade e pacificação”.

 

Assim como na Venezuela de Nicolás Maduro, onde Bolsonaro tampouco conseguiu os resultados esperados e traçados quando chegou ao poder, a visão generalizada no governo é de que somente juntos os adversários de Morales teriam a garantia de um triunfo contundente. Só semana passada o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (2001-2002) renunciou à sua candidatura, pouco após a própria Áñez fazer o mesmo.

 

A grande pedra no sapato continua sendo Camacho. Nem mesmo seus aliados mais próximos conseguiram convencê-lo e muito menos o governo Bolsonaro, que chegou a ter contatos com Camacho em 2019 (o dirigente boliviano esteve em Brasília e visitou o Itamaraty), mas há algum tempo se distanciou.

 

"Tenho diferenças com outros candidatos, mas espero que atuem para derrotar o MAS", declarou recentemente Quiroga.

 

Depois de ter visto suas expectativas frustradas na Venezuela, onde o líder opositor Juan Guaidó surgiu com fôlego no começo de 2019 e enfraqueceu-se após uma tentativa frustrada de golpe contra Maduro, e na Argentina com a derrota do então presidente Mauricio Macri (2015-2019), o governo Bolsonaro encontrou na Bolívia uma oportunidade.

 

Quando o recado sobre a necessidade de união da direita foi dado, a resposta de muitos dirigentes bolivianos foi, segundo fontes, que “no momento certo vamos nos unir”. O governo Bolsonaro espera que esse momento seja um segundo turno entre Mesa e Arce. Mas os cenários possíveis são variados e incluem a eleição do candidato do MAS no primeiro turno e até o não reconhecimento do resultado por parte de partidos que amanhã disputarão a Presidência.

Brasília fracassou ao buscar união das candidaturas de direita para tentar barrar nas urnas ex-ministro de Evo Morales, favorito na eleição presidencial de amanhã.


 


Desde que foi um dos primeiros países a reconhecer a Presidência interina de Jeanine Áñez na Bolívia, em novembro passado, o Brasil acompanha com atenção a situação no vizinho e, às vésperas da eleição presidencial de amanhã, cresce o temor em Brasília de um eventual retorno do Movimento ao Socialismo (MAS) ao poder. A jogada necessária para derrotar o favorito — o ex-ministro da Economia do governo Evo Morales (2006-2019), Luis Arce — era, na visão do governo Jair Bolsonaro, uma ampla aliança da centro-direita.


 


O recado foi dado pelo Brasil a importantes lideranças bolivianas, confirmaram fontes, mas a estratégia esbarrou em disputas internas. Uma hipotética vitória do MAS é considerada pelo governo uma ameaça à estabilidade política no país, com quem o Brasil compartilha sua maior fronteira na região, além de representar o fracasso de uma clara aposta de Bolsonaro para ampliar sua zona de influência na América do Sul.


 


Um dos principais obstáculos para a unificação da centro-direita boliviana foi a rígida posição de Luis Fernando Camacho, ex-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e líder da onda de manifestações contra o governo Morales em 2019. Amanhã, os três principais candidatos à Presidência serão Arce, o ex-presidente Carlos Mesa (2002-2003) e Camacho.


 


Algumas pesquisas apontam triunfo do candidato do MAS no primeiro turno (para isso é preciso obter mais de 50% ou 40% dos votos com uma diferença de pelo menos dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado) ou um eventual segundo turno entre Arce e Mesa. Se houver segundo turno, o governo de Áñez e seus sócios regionais, entre eles o Brasil, confiam numa frente de centro-direita que impeça a eleição de Arce.


 


"Uma vitória do MAS abriria a possibilidade de uma nova fase de instabilidade política. Eles dizem que respeitarão as regras democráticas, mas existe na sociedade a sensação de que, se voltarem, fariam o contrário", disse ao GLOBO a chanceler boliviana, Karen Longaric.


 


PATROCINADORES

Se o Brasil de Bolsonaro teme pela volta do MAS, a Argentina de Alberto Fernández permitiu que Morales fizesse campanha por seu candidato no país que lhe concedeu asilo. O governo de peronistas e kirchneristas nunca reconheceu a Presidência interina de Áñez e continua sustentando que o ex-presidente foi vítima de um golpe. Para o governo Fernández, a auditoria feita pela OEA sobre as eleições presidenciais de outubro passado cometeu graves erros e teve como objetivo legitimar o não reconhecimento da reeleição de Morales, que renunciou em novembro de 2019 sob forte pressão das forças policiais e militares.


 


Já o Brasil de Bolsonaro acusa Morales de fraude e, antes disso, de não ter respeitado o referendo de 2016, no qual venceu o “Não” à proposta do então governo do MAS de aprovar a reeleição indefinida. No início de seu governo, o presidente brasileiro conseguiu construir um vínculo pragmático com Morales. No entanto, a saída do MAS do poder foi vista como uma chance de equilibrar o tabuleiro político regional a favor da direita. Uma fonte disse que há “interesse e preocupação” em Brasília sobre a situação boliviana porque “muitos brasileiros moram na Bolívia” e a expectativa é de que “as eleições gerem estabilidade e pacificação”.


 


Assim como na Venezuela de Nicolás Maduro, onde Bolsonaro tampouco conseguiu os resultados esperados e traçados quando chegou ao poder, a visão generalizada no governo é de que somente juntos os adversários de Morales teriam a garantia de um triunfo contundente. Só semana passada o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (2001-2002) renunciou à sua candidatura, pouco após a própria Áñez fazer o mesmo.


 


A grande pedra no sapato continua sendo Camacho. Nem mesmo seus aliados mais próximos conseguiram convencê-lo e muito menos o governo Bolsonaro, que chegou a ter contatos com Camacho em 2019 (o dirigente boliviano esteve em Brasília e visitou o Itamaraty), mas há algum tempo se distanciou.


 


"Tenho diferenças com outros candidatos, mas espero que atuem para derrotar o MAS", declarou recentemente Quiroga.


 


Depois de ter visto suas expectativas frustradas na Venezuela, onde o líder opositor Juan Guaidó surgiu com fôlego no começo de 2019 e enfraqueceu-se após uma tentativa frustrada de golpe contra Maduro, e na Argentina com a derrota do então presidente Mauricio Macri (2015-2019), o governo Bolsonaro encontrou na Bolívia uma oportunidade.


 


Quando o recado sobre a necessidade de união da direita foi dado, a resposta de muitos dirigentes bolivianos foi, segundo fontes, que “no momento certo vamos nos unir”. O governo Bolsonaro espera que esse momento seja um segundo turno entre Mesa e Arce. Mas os cenários possíveis são variados e incluem a eleição do candidato do MAS no primeiro turno e até o não reconhecimento do resultado por parte de partidos que amanhã disputarão a Presidência.


Brasília fracassou ao buscar união das candidaturas de direita para tentar barrar nas urnas ex-ministro de Evo Morales, favorito na eleição presidencial de amanhã.



Desde que foi um dos primeiros países a reconhecer a Presidência interina de Jeanine Áñez na Bolívia, em novembro passado, o Brasil acompanha com atenção a situação no vizinho e, às vésperas da eleição presidencial de amanhã, cresce o temor em Brasília de um eventual retorno do Movimento ao Socialismo (MAS) ao poder. A jogada necessária para derrotar o favorito — o ex-ministro da Economia do governo Evo Morales (2006-2019), Luis Arce — era, na visão do governo Jair Bolsonaro, uma ampla aliança da centro-direita.



O recado foi dado pelo Brasil a importantes lideranças bolivianas, confirmaram fontes, mas a estratégia esbarrou em disputas internas. Uma hipotética vitória do MAS é considerada pelo governo uma ameaça à estabilidade política no país, com quem o Brasil compartilha sua maior fronteira na região, além de representar o fracasso de uma clara aposta de Bolsonaro para ampliar sua zona de influência na América do Sul.



Um dos principais obstáculos para a unificação da centro-direita boliviana foi a rígida posição de Luis Fernando Camacho, ex-presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz e líder da onda de manifestações contra o governo Morales em 2019. Amanhã, os três principais candidatos à Presidência serão Arce, o ex-presidente Carlos Mesa (2002-2003) e Camacho.



PATROCINADORES

Algumas pesquisas apontam triunfo do candidato do MAS no primeiro turno (para isso é preciso obter mais de 50% ou 40% dos votos com uma diferença de pelo menos dez pontos percentuais em relação ao segundo colocado) ou um eventual segundo turno entre Arce e Mesa. Se houver segundo turno, o governo de Áñez e seus sócios regionais, entre eles o Brasil, confiam numa frente de centro-direita que impeça a eleição de Arce.



"Uma vitória do MAS abriria a possibilidade de uma nova fase de instabilidade política. Eles dizem que respeitarão as regras democráticas, mas existe na sociedade a sensação de que, se voltarem, fariam o contrário", disse ao GLOBO a chanceler boliviana, Karen Longaric.



Se o Brasil de Bolsonaro teme pela volta do MAS, a Argentina de Alberto Fernández permitiu que Morales fizesse campanha por seu candidato no país que lhe concedeu asilo. O governo de peronistas e kirchneristas nunca reconheceu a Presidência interina de Áñez e continua sustentando que o ex-presidente foi vítima de um golpe. Para o governo Fernández, a auditoria feita pela OEA sobre as eleições presidenciais de outubro passado cometeu graves erros e teve como objetivo legitimar o não reconhecimento da reeleição de Morales, que renunciou em novembro de 2019 sob forte pressão das forças policiais e militares.



Já o Brasil de Bolsonaro acusa Morales de fraude e, antes disso, de não ter respeitado o referendo de 2016, no qual venceu o “Não” à proposta do então governo do MAS de aprovar a reeleição indefinida. No início de seu governo, o presidente brasileiro conseguiu construir um vínculo pragmático com Morales. No entanto, a saída do MAS do poder foi vista como uma chance de equilibrar o tabuleiro político regional a favor da direita. Uma fonte disse que há “interesse e preocupação” em Brasília sobre a situação boliviana porque “muitos brasileiros moram na Bolívia” e a expectativa é de que “as eleições gerem estabilidade e pacificação”.



PATROCINADORES

Assim como na Venezuela de Nicolás Maduro, onde Bolsonaro tampouco conseguiu os resultados esperados e traçados quando chegou ao poder, a visão generalizada no governo é de que somente juntos os adversários de Morales teriam a garantia de um triunfo contundente. Só semana passada o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (2001-2002) renunciou à sua candidatura, pouco após a própria Áñez fazer o mesmo.



A grande pedra no sapato continua sendo Camacho. Nem mesmo seus aliados mais próximos conseguiram convencê-lo e muito menos o governo Bolsonaro, que chegou a ter contatos com Camacho em 2019 (o dirigente boliviano esteve em Brasília e visitou o Itamaraty), mas há algum tempo se distanciou.



"Tenho diferenças com outros candidatos, mas espero que atuem para derrotar o MAS", declarou recentemente Quiroga.



Depois de ter visto suas expectativas frustradas na Venezuela, onde o líder opositor Juan Guaidó surgiu com fôlego no começo de 2019 e enfraqueceu-se após uma tentativa frustrada de golpe contra Maduro, e na Argentina com a derrota do então presidente Mauricio Macri (2015-2019), o governo Bolsonaro encontrou na Bolívia uma oportunidade.



Quando o recado sobre a necessidade de união da direita foi dado, a resposta de muitos dirigentes bolivianos foi, segundo fontes, que “no momento certo vamos nos unir”. O governo Bolsonaro espera que esse momento seja um segundo turno entre Mesa e Arce. Mas os cenários possíveis são variados e incluem a eleição do candidato do MAS no primeiro turno e até o não reconhecimento do resultado por parte de partidos que amanhã disputarão a Presidência.



Veja Também