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Ciência & Tecnologia

Mutação precoce do coronavírus pode ter tornado a pandemia mais potente

Publicado por TV Minas em 27/11/2020 às 14h15 - Atualizado às 12h58

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Como qualquer outro vírus, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) sofre inúmeras mutações durante o processo reprodutivo. No entanto, a maior parte dessas variações em pouco (ou em nada) afeta o seu comportamento. Agora, pesquisadores do Reino Unido compreendem que a mutação, conhecida como 614G, pode ter sido a responsável pela pandemia da COVID-19 chegar ao atual estágio. No mundo, são mais de 60 milhões de contaminados, segundo a plataforma da Universidade Johns Hopkins.

 

Cronologicamente, a mutação 614G do coronavírus foi detectada pela primeira vez no leste da China, ainda em janeiro deste ano, e depois se espalhou rapidamente pela Europa e pela cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em poucos meses, segundo as análises genômicas dos casos, a variante se espalhou por grande parte do mundo e, inclusive, substituiu outras variantes. Entre elas, a variante original detectada em Wuhan, também na China.

 

Desde então, cientistas debatem se, de fato, essa cepa da COVID-19 teria uma vantagem evolutiva que a tornasse mais infecciosa, mas sem sucesso. Agora, duas novas análises confirmam a maior capacidade de contaminação da mutação 614G do coronavírus. No entanto, não há nenhuma evidência de que ela cause sintomas mais graves, mate mais pessoas ou complique o desenvolvimento de vacinas.

 

 

A causa da pandemia da COVID-19?

 

“No final das contas, pode ser que essa mutação [do coronavírus] tenha causado a pandemia”, defende David Engelthaler, geneticista do Translational Genomics Research Institute, no Arizona. No entanto, não significa que a mutação é a única causa da situação pandêmica da COVID-19. De acordo com Engelthaler e outro cientistas, os primeiros surtos do coronavírus teriam se espalhado pelo mundo mesmo sem a mutação.

 

Isso porque potencial pandêmico do coronavírus se deve ao fato de ser um agente infeccioso altamente contagioso, mesmo na variante original que foi identificada em Wuhan, na China, no final de 2019. Na verdade, a mutação 614G parece, segundo os pesquisadores, ter feito a pandemia se espalhar ainda mais geograficamente, e de maneira mais acelerada. Ou seja, a variação foi uma propulsora precoce da doença no mundo.

 

 

Pesquisa investiga a mutação no Reino Unido

 

Um estudo descobriu que os surtos em comunidades no Reino Unido cresceram mais rápido quando semeados pela variante 614G do que quando semeados pelo coronavírus ancestral, identificado em Wuhan. Essa análise foi feita a partir dos dados coletados pelo Consórcio COVID-19 Genomics UK, analisando mais de 25 mil genomas do coronavírus, e foi publicada na revista científica Cell.

 

“Esse é exatamente o tipo de análise que precisava ser feito e fornece mais suporte para [o vírus com a mutação] 614G ser mais transmissível” do que seu ancestral, confirma uma das pesquisadoras associadas ao estudo e professora de biologia da Emory University, Katharina V. Koelle. Novamente, não foi identificada nenhuma alteração no nível de gravidade da infecção pelo coronavírus.

 

 

Hamsters e COVID-19

 

Outro estudo, publicado na Science, descobriu que a variante 614G era mais transmissível em hamsters, quando os animais infectados estavam próximos de outros saudáveis. Antes desse teste, os cientistas já investigavam se uma mutação que torna os vírus mais infecciosos em uma placa de laboratório também o faz em uma população viva.

 

Para comprovar a ideia, a equipe de pesquisadores, liderada por Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, colocou uma série de hamsters contaminados pelo coronavírus em uma gaiola, ao lado de gaiolas de animais não infectados.

 

As duas gaiolas estavam separadas por apenas alguns centímetros, de modo que os animais não podiam se tocar. Dessa forma, qualquer transmissão da COVID-19 só poderia ocorrer pelo ar, através de gotículas ou aerossóis. Após dois dias, cinco dos oito hamsters com a variante 614G infectaram seu par. Nenhum dos portadores do vírus ancestral havia feito isso.

 

 

Segunda onda, mutações ou falta de proteção?

 

A partir dessa variante e sua maior transmissibilidade, é possível explicar por que alguns países que conseguiram, de forma positiva, controlar inicialmente a pandemia, foram vítimas tardias da COVID-19. Isso porque “o que você costumava fazer pode não ser o suficiente para controlá-la”, explica Kristian Andersen, geneticista da Scripps Research. “Não espere necessariamente que o inimigo de dois meses atrás seja o inimigo que você terá da próxima vez”, completa.

 

No entanto, outros pesquisadores alegam que a falta de medidas de contenção adequadas, e não a mutação, foi a grande culpada pelos surtos ressurgentes da COVID-19 e pelo atual cenário da pandemia, em que mais de 1,4 milhão de pessoas foram a óbito.

 

“A razão pela qual isso está se espalhando é que as pessoas não estão adotando medidas suficientes”, defende Kari Stefansson, fundador da deCODE Genetics. “Parece uma política extremamente pobre culpar o vírus pelas inadequações. Eles deveriam estar mexendo com alguém do seu tamanho, não com esse vírus minúsculo", conclui Stefansson.

 

 

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Como qualquer outro vírus, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) sofre inúmeras mutações durante o processo reprodutivo. No entanto, a maior parte dessas variações em pouco (ou em nada) afeta o seu comportamento. Agora, pesquisadores do Reino Unido compreendem que a mutação, conhecida como 614G, pode ter sido a responsável pela pandemia da COVID-19 chegar ao atual estágio. No mundo, são mais de 60 milhões de contaminados, segundo a plataforma da Universidade Johns Hopkins.


 


Cronologicamente, a mutação 614G do coronavírus foi detectada pela primeira vez no leste da China, ainda em janeiro deste ano, e depois se espalhou rapidamente pela Europa e pela cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em poucos meses, segundo as análises genômicas dos casos, a variante se espalhou por grande parte do mundo e, inclusive, substituiu outras variantes. Entre elas, a variante original detectada em Wuhan, também na China.


 


Desde então, cientistas debatem se, de fato, essa cepa da COVID-19 teria uma vantagem evolutiva que a tornasse mais infecciosa, mas sem sucesso. Agora, duas novas análises confirmam a maior capacidade de contaminação da mutação 614G do coronavírus. No entanto, não há nenhuma evidência de que ela cause sintomas mais graves, mate mais pessoas ou complique o desenvolvimento de vacinas.


 


 


A causa da pandemia da COVID-19?


 


“No final das contas, pode ser que essa mutação [do coronavírus] tenha causado a pandemia”, defende David Engelthaler, geneticista do Translational Genomics Research Institute, no Arizona. No entanto, não significa que a mutação é a única causa da situação pandêmica da COVID-19. De acordo com Engelthaler e outro cientistas, os primeiros surtos do coronavírus teriam se espalhado pelo mundo mesmo sem a mutação.


 


Isso porque potencial pandêmico do coronavírus se deve ao fato de ser um agente infeccioso altamente contagioso, mesmo na variante original que foi identificada em Wuhan, na China, no final de 2019. Na verdade, a mutação 614G parece, segundo os pesquisadores, ter feito a pandemia se espalhar ainda mais geograficamente, e de maneira mais acelerada. Ou seja, a variação foi uma propulsora precoce da doença no mundo.


 


 


Pesquisa investiga a mutação no Reino Unido


 


Um estudo descobriu que os surtos em comunidades no Reino Unido cresceram mais rápido quando semeados pela variante 614G do que quando semeados pelo coronavírus ancestral, identificado em Wuhan. Essa análise foi feita a partir dos dados coletados pelo Consórcio COVID-19 Genomics UK, analisando mais de 25 mil genomas do coronavírus, e foi publicada na revista científica Cell.


 


“Esse é exatamente o tipo de análise que precisava ser feito e fornece mais suporte para [o vírus com a mutação] 614G ser mais transmissível” do que seu ancestral, confirma uma das pesquisadoras associadas ao estudo e professora de biologia da Emory University, Katharina V. Koelle. Novamente, não foi identificada nenhuma alteração no nível de gravidade da infecção pelo coronavírus.


 


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Hamsters e COVID-19


 


Outro estudo, publicado na Science, descobriu que a variante 614G era mais transmissível em hamsters, quando os animais infectados estavam próximos de outros saudáveis. Antes desse teste, os cientistas já investigavam se uma mutação que torna os vírus mais infecciosos em uma placa de laboratório também o faz em uma população viva.


 


Para comprovar a ideia, a equipe de pesquisadores, liderada por Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, colocou uma série de hamsters contaminados pelo coronavírus em uma gaiola, ao lado de gaiolas de animais não infectados.


 


As duas gaiolas estavam separadas por apenas alguns centímetros, de modo que os animais não podiam se tocar. Dessa forma, qualquer transmissão da COVID-19 só poderia ocorrer pelo ar, através de gotículas ou aerossóis. Após dois dias, cinco dos oito hamsters com a variante 614G infectaram seu par. Nenhum dos portadores do vírus ancestral havia feito isso.


 


 


Segunda onda, mutações ou falta de proteção?


 


A partir dessa variante e sua maior transmissibilidade, é possível explicar por que alguns países que conseguiram, de forma positiva, controlar inicialmente a pandemia, foram vítimas tardias da COVID-19. Isso porque “o que você costumava fazer pode não ser o suficiente para controlá-la”, explica Kristian Andersen, geneticista da Scripps Research. “Não espere necessariamente que o inimigo de dois meses atrás seja o inimigo que você terá da próxima vez”, completa.


 


No entanto, outros pesquisadores alegam que a falta de medidas de contenção adequadas, e não a mutação, foi a grande culpada pelos surtos ressurgentes da COVID-19 e pelo atual cenário da pandemia, em que mais de 1,4 milhão de pessoas foram a óbito.


 


“A razão pela qual isso está se espalhando é que as pessoas não estão adotando medidas suficientes”, defende Kari Stefansson, fundador da deCODE Genetics. “Parece uma política extremamente pobre culpar o vírus pelas inadequações. Eles deveriam estar mexendo com alguém do seu tamanho, não com esse vírus minúsculo", conclui Stefansson.


 


 


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Cronologicamente, a mutação 614G do coronavírus foi detectada pela primeira vez no leste da China, ainda em janeiro deste ano, e depois se espalhou rapidamente pela Europa e pela cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos. Em poucos meses, segundo as análises genômicas dos casos, a variante se espalhou por grande parte do mundo e, inclusive, substituiu outras variantes. Entre elas, a variante original detectada em Wuhan, também na China.



Desde então, cientistas debatem se, de fato, essa cepa da COVID-19 teria uma vantagem evolutiva que a tornasse mais infecciosa, mas sem sucesso. Agora, duas novas análises confirmam a maior capacidade de contaminação da mutação 614G do coronavírus. No entanto, não há nenhuma evidência de que ela cause sintomas mais graves, mate mais pessoas ou complique o desenvolvimento de vacinas.



A causa da pandemia da COVID-19?



“No final das contas, pode ser que essa mutação [do coronavírus] tenha causado a pandemia”, defende David Engelthaler, geneticista do Translational Genomics Research Institute, no Arizona. No entanto, não significa que a mutação é a única causa da situação pandêmica da COVID-19. De acordo com Engelthaler e outro cientistas, os primeiros surtos do coronavírus teriam se espalhado pelo mundo mesmo sem a mutação.



Isso porque potencial pandêmico do coronavírus se deve ao fato de ser um agente infeccioso altamente contagioso, mesmo na variante original que foi identificada em Wuhan, na China, no final de 2019. Na verdade, a mutação 614G parece, segundo os pesquisadores, ter feito a pandemia se espalhar ainda mais geograficamente, e de maneira mais acelerada. Ou seja, a variação foi uma propulsora precoce da doença no mundo.



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Pesquisa investiga a mutação no Reino Unido



Um estudo descobriu que os surtos em comunidades no Reino Unido cresceram mais rápido quando semeados pela variante 614G do que quando semeados pelo coronavírus ancestral, identificado em Wuhan. Essa análise foi feita a partir dos dados coletados pelo Consórcio COVID-19 Genomics UK, analisando mais de 25 mil genomas do coronavírus, e foi publicada na revista científica Cell.



“Esse é exatamente o tipo de análise que precisava ser feito e fornece mais suporte para [o vírus com a mutação] 614G ser mais transmissível” do que seu ancestral, confirma uma das pesquisadoras associadas ao estudo e professora de biologia da Emory University, Katharina V. Koelle. Novamente, não foi identificada nenhuma alteração no nível de gravidade da infecção pelo coronavírus.



Hamsters e COVID-19



Outro estudo, publicado na Science, descobriu que a variante 614G era mais transmissível em hamsters, quando os animais infectados estavam próximos de outros saudáveis. Antes desse teste, os cientistas já investigavam se uma mutação que torna os vírus mais infecciosos em uma placa de laboratório também o faz em uma população viva.



Para comprovar a ideia, a equipe de pesquisadores, liderada por Ralph Baric, da Universidade da Carolina do Norte, colocou uma série de hamsters contaminados pelo coronavírus em uma gaiola, ao lado de gaiolas de animais não infectados.



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As duas gaiolas estavam separadas por apenas alguns centímetros, de modo que os animais não podiam se tocar. Dessa forma, qualquer transmissão da COVID-19 só poderia ocorrer pelo ar, através de gotículas ou aerossóis. Após dois dias, cinco dos oito hamsters com a variante 614G infectaram seu par. Nenhum dos portadores do vírus ancestral havia feito isso.



Segunda onda, mutações ou falta de proteção?



A partir dessa variante e sua maior transmissibilidade, é possível explicar por que alguns países que conseguiram, de forma positiva, controlar inicialmente a pandemia, foram vítimas tardias da COVID-19. Isso porque “o que você costumava fazer pode não ser o suficiente para controlá-la”, explica Kristian Andersen, geneticista da Scripps Research. “Não espere necessariamente que o inimigo de dois meses atrás seja o inimigo que você terá da próxima vez”, completa.



No entanto, outros pesquisadores alegam que a falta de medidas de contenção adequadas, e não a mutação, foi a grande culpada pelos surtos ressurgentes da COVID-19 e pelo atual cenário da pandemia, em que mais de 1,4 milhão de pessoas foram a óbito.



“A razão pela qual isso está se espalhando é que as pessoas não estão adotando medidas suficientes”, defende Kari Stefansson, fundador da deCODE Genetics. “Parece uma política extremamente pobre culpar o vírus pelas inadequações. Eles deveriam estar mexendo com alguém do seu tamanho, não com esse vírus minúsculo", conclui Stefansson.



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