Secretário de Saúde manda vacinar esposa que não está no grupo de priorizados

Publicado por Tv Minas em 23/01/2021 às 21h44

“Foi com intuito de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida. Sou capaz de dar minha própria vida por ela”, afirmou. Ele foi afastado do cargo.

 

Secretário de Saúde de Pires do Rio, no sudeste de Goiás, Assis Silva Filho admitiu que vacinou a própria esposa contra a Covid-19 mesmo sem ela estar entre os grupos que devem ser priorizados nesta primeira fase da imunização.

 

Após ser questionado pela atitude que tomou, ele fez um pronunciamento ao vivo pelas redes sociais pedindo desculpas pelo ato e justificando que o fez no intuito de protegê-la. Não foi divulgado se o próprio secretário recebeu uma dose da CoronaVac.

 

“Foi com intuito de resguardar e preservar a saúde e a vida da mulher da minha vida. Sou capaz de dar minha própria vida por ela”, afirmou.


Por meio de nota, a Prefeitura de Pires do Rio informou que "as devidas providências já estão sendo tomadas e que a apuração dos fatos já está sendo realizada".

 

O Ministério Público informou que deu início a apuração preliminar sobre o caso e que "inicialmente o secretário será notificado para que apresente explicações no prazo de 10 dias". "Caso comprovado o agente público poderá responder criminalmente e por ato de improbidade administrativa".

 

Segundo diretrizes do Ministério da Saúde (MS) e da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), devem ser vacinados contra a Covid-19, com prioridade:

 

  • Profissionais da saúde;
  • Pessoas idosas residentes em instituições de longa permanência (institucionalizadas);
  • Pessoas a partir de 18 anos de idade com deficiência e residentes em Residências Inclusivas (institucionalizadas);
  • População indígena vivendo em terras indígenas.


Segundo o próprio secretário, a esposa dele tem mais de 70 anos e o acompanha no trabalho que ele faz, visitando muitas vezes as unidades de saúde do município.

 

No entanto, não está prevista a vacinação de pessoas idosas que não estejam institucionalizadas nesta primeira fase do programa de imunização da Covid-19.

 

Pelo menos outras duas cidades goianas registraram casos de “furada de fila”, em que pessoas que não estão nos quatro grupos prioritários são imunizadas: Mineiros e Santa Helena de Goiás, ambas no sudoeste goiano.

 

 

Dentista posta foto ao receber dose da vacina contra o coronavírus em Santa Helena de Goiás.

 

 

Em Santa Helena, a imunização de uma dentista causou revolta em moradores. Ela trabalha em clínica particular de odontologia e não pertence ao grupo prioritário definido pelo Ministério da Saúde.

 

A subprocuradora-geral de Justiça do Ministério Público de Goiás, Laura Maria Ferreira, afirmou que o plano de imunização tem que ser cumprido e que, caso não haja cumprimento, o gestor pode ser punido.

 

"[Crimes] que podem ser tipificados como abuso de autoridade para o gestor, como a famosa 'carteirada'. Isso não pode acontecer ", disse.


Na quinta-feira (21), a presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Goiás (Cosems), Verônica Savatim, falou sobre o risco de desrespeitar a lista de prioridades.

 

“As doses vieram específicas. [...] O grande risco é você deixar de vacinar aquele grupo que ficou definido e vacinar outros que não estavam pactuados. O profissional de saúde, por exemplo, está muito exposto, independente de onde estiver”, pontuou.

 

 

Justiça manda afastar secretário de Saúde

 

O secretário de Saúde foi afastado por 60 dias do cargo, segundo informou o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO).

 

De acordo com o órgão, a medida foi solicitada à Justiça para que ele não atrapalhe investigações em andamento sobre o fato de ele ter cedido uma dose da CoronaVac à própria esposa, mesmo sem ela fazer parte dos grupos prioritários do Plano Nacional de Imunização (PNI) da Covid-19.

 

O MP-GO divulgou que a medida de afastamento foi concedida pelo juiz José dos Reis Pinheiro Lemes na sexta-feira (22). O órgão informou ainda que, durante o período em que ele estiver afastado, correrão investigações para saber se ele cometeu os crimes de abuso de autoridade e prevaricação.

 

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Fonte: G1

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