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Ciência & Tecnologia

Hackers declaram guerra ao EI e ensinam internautas a combater o terror

Publicado por TV Minas em 18/11/2015

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Dois dias após os atentados terroristas na cidade de Paris, na França, que mataram mais de 120 pessoas, o grupo hacker conhecido como Anonymous declarou guerra ao Estado Islâmico, organização que assumiu a autoria dos ataques.

 

Em vídeo, um porta-voz usando a máscara de Guy Fawkes - que é a marca do grupo Anonymous - disse que membros de todo o mundo vão "caçar" os terroristas do Estado Islâmico. "Esperem por nós. Saibam que vamos achá-los e não vamos deixá-los. Lançaremos nossa maior operação até hoje contra vocês", diz o vídeo.

 

O porta-voz afirma ainda, em francês, que o objetivo é "unir a humanidade" e que o Estado Islâmico pode esperar por ataques cibernéticos "massivos". No Twitter, a organização Anonymous ainda alertou: "nós somos hackers melhores".

 

Não é a primeira vez que pessoas falando em nome do grupo Anonymous fazem ameaças ao Estado Islâmico. Em janeiro, após os atentados contra jornalistas e cartunistas da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, os hackers também se declararam em ação contra os extremistas.

 

 

Anonymous iniciou ataques ao Estado Islâmico há mais de um ano

 

Os recentes ataques do grupo fundamentalista Estado Islâmico à cidade de Paris, na França, motivaram o coletivo de hackers Anonymous a lançar uma "declaração de guerra" contra os terroristas na internet. Contudo, as ações desses ativistas digitais começaram há muito mais tempo.

 

Foi em junho de 2014 que o grupo lançou a chamada "Operation Ice ISIS" - ou "Operação Congelamento do Estado Islâmico", em tradução livre. Identificada com a hashtag #OpIceISIS no Twitter, a iniciativa tinha como alvos os países que financiam a luta armada dos terroristas.

 

Na época, o Estado Islâmico começava a ganhar a atenção do mundo enquanto expandia sua influência no Oriente Médio, controlando grandes porções do território do Iraque. "O povo iraquiano tem passado por semanas de terror que muitos de nós nunca irão conhecer ou experimentar. Eles [terroristas] precisam ser detidos", dizia o vídeo que o Anonymous publicou na época.

 

O objetivo do #OpIceISIS era derrubar sites e páginas de órgãos do governo de ao menos três países que, segundo investigações internacionais, poderiam estar financiando o Estado Islâmico na aquisição de armas, proteção e outros recursos. São eles Qatar, Turquia e Arábia Saudita.

 

Em janeiro deste ano, a operação ganhou uma nova hashtag: #OpCharlieHebdo. A mudança foi uma resposta ao ataque sofrido pela redação da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, que deixou 12 mortos. O alvo do Anonymous passou a ser a política de comunicação do grupo terrorista.

 

Afinal de contas, as redes sociais são uma importante ferramenta para o Estado Islâmico, que usa vídeos, posts, mensagens e campanhas na internet para atrair e recrutar jovens soldados ao seu projeto de "califado". Por isso, o Anonymous se concentrou em localizar, denunciar e derrubar perfis favoráveis ao grupo terrorista na web.

 

À princípio, o grupo divulgou uma relação de 36 contas no Twitter que defendiam os ataques à Charlie Hebdo, convidando os usuários da rede social a denunciá-las. Em seguida, o Anonymous assumiu a responsabilidade pela suspensão de 200 perfis do microblog que demonstraram apoio aos extremistas.

 

A declaração de guerra desta semana nada mais é do que uma evolução natural desses ataques que começaram há mais de um ano na web. Para entender como o Anonymous pode prejudicar a estratégia de expansão do Estado Islâmico, clique aqui e confira nossa reportagem sobre o tema.

 

 

"Idiotas": Estado Islâmico responde à ameaça de guerra do Anonymous

 

O Estado Islâmico respondeu nessa terça (17/11) a ameaças feitas pelo grupo de ativistas hackers conhecido como Anonymous. De acordo com o Business Insider, a resposta veio por meio de um canal do aplicativo Telegram supostamente afiliado à facção radical.

 

A mensagem dizia: “Os hackers #Anonymous ameaçaram em um novo vídeo levar a cabo uma gigantesca operação hacker contra o Estado Islâmico (idiotas)”. Em seguida, a facção pergunta “O que é que eles vão hackear?”.

 

Até agora, apenas contas do Twitter e e-mails supostamente afiliados ao Estado Islâmico foram hackeados pelo Anonymous. No entanto, segundo um especialista ouvido pelo Olhar Digital, esse pode ser um dos principais planos de ação do Anonymous.

 

Em seguida, o grupo extremista oferecia instruções básicas para evitar ataques em potencial: não abrir links de origens incertas, mudar de endereço de IP constantemente e não conversar com desconhecidos por meio do Telegram ou das mensagens diretas do Twitter. A mensagem foi enviada tanto em árabe quanto em inglês, e foi veiculada depois por outros canais do Telegram supostamente ligados ao Estado Islâmico.

 

 

Anonymous ensina internautas a hackear para enfrentar o Estado Islâmico

 

Na intenção de ampliar os esforços em sua guerra contra o Estado Islâmico, o Anonymous resolveu dar poderes a internautas comuns interessados em se envolver na história. O grupo publicou uma série de tutoriais com truques que ajudam a identificar e hackear alvos.

 

Os guias foram postados no canal do IRC usado pelo Anonymous para compartilhar informações a respeito da OpParis - como vem sendo chamada a operação contra o EI. Um deles é chamado “NoobGuide” e permite que qualquer um aprenda a hackear. Outro, “Reporter”, explica como configurar um bot para Twitter capaz de descobrir contas relacionadas ao EI. E também há o “Searcher”, contando como encontrar sites relacionados aos terroristas.

 

Em mensagem repercutida pelo International Business Times, o coletivo hacker convoca quem acompanha as discussões no IRC a tomar alguma atitude “em vez de ficar sentado (...) sem fazer nada”. “Sua contribuição significa muito e nós o encorajamos a participar em todas as atividades da operação que você puder, quanto mais, melhor”, comentam.

 

O Anonymous afirma ter derrubado mais de 5,5 mil contas no Twitter relacionadas ao EI e começou a divulgar informações de pessoas supostamente ligadas ao grupo terrorista, mas há certa desconfiança sobre as ações pela falta de comprovação de que eles atingiram os alvos certos. O próprio EI desacredita do potencial do coletivo, a quem chamou de “idiotas”.

 

 

É possível combater terroristas pela internet?

 

Mas, afinal, de que modo é possível combater terroristas pela internet? O Olhar Digital consultou Arthur Cesar Oreana, especialista em segurança e tecnologia da informação da empresa de soluções em segurança Symantec, a respeito das possíveis ações que um grupo como o Anonymous pode tomar - e como uma possível “guerra cibernética” pode gerar consequências no mundo todo.

 

Antes de mais nada, é preciso esclarecer que não é possível prever o que o Anonymous, especificamente, vai fazer contra o Estado Islâmico. O grupo já fez esse tipo de “declaração de guerra” no passado - mais recentemente após o atentado à redação da revista francesa Charlie Hebdo, em janeiro deste ano.

 

De acordo com Arthur, é pouco provável que um site mantido na Argentina, por exemplo - tendo ele ou não relação com o Estado Islâmico - seja atingido por essa “guerra virtual”. Dada a natureza do Anonymous, portanto, é mais prudente acreditar que esses ataques se limitem a prejudicar o sistema de propaganda dos terroristas, meio pelo qual eles recrutam novos membros na Europa e no Oriente Médio.

 

Um contra-ataque, porém, é o que pode tornar as coisas um pouco mais sérias. Se o Estado Islâmico encarar o Anonymous como inimigo, é possível que a organização lance uma série de vírus de computador que ataquem indústrias e setores da economia em países ocidentais. Uma estratégia que já foi vista no passado.

 

“A guerra cibernética é o quinto meio de guerra, depois da guerra na terra, no mar, no ar e no espaço. Já tivemos situações em que um vírus desacelerou o programa de enriquecimento de urânio em um país”, diz Arthur, em referência ao método utilizado para a obtenção de energia nuclear (e também de bombas). “Essa pode ser uma opção para o Estado Islâmico tanto de ataque quanto de contra-ataque. Não há como saber se outros países serão ou não afetados.”

 

Uma notícia divulgada no site Olhar Digital nesta segunda-feira dá conta de que os terroristas poderiam ter utilizado um PlayStation 4 para se comunicar e planejar os ataques. De acordo com Oreana, é possível, sim, que o console seja utilizado para essa finalidade, mas não por uma questão de segurança ou criptografia.

 

“Se essa comunicação é feita pela rede da PSN, então ela está na internet, deixa rastros e pode ser interceptada. Redes ocultas como a dark web ou a deep web oferecem opções de encriptação e segurança muito mais avançadas neste sentido. A PSN é uma opção, pode funcionar ou pode não funcionar, mas nada impede a Sony [empresa que administra a rede do PlayStation] de encontrar terroristas usando o sistema”, conclui Oreana.

 

Na época, perfis do Anonymous no Twitter divulgaram uma relação de usuários da rede social que se diziam membros do Estado Islâmico ou faziam propaganda a favor do regime extremista do califado sugerido pelos terroristas. Arthur acredita, sim, que esse é um dos possíveis planos de ação dos hackers.

 

“Eles podem tirar sites de propaganda do Estado Islâmico do ar, denunciar perfis, mas é difícil elencar quais seriam os alvos. Só estando dentro do grupo para saber seu plano de ação. Mas a promessa deles é caçar terroristas pela internet”, diz o especialista. Segundo ele, porém, é mais provável que essa troca de ataques cibernéticos se limite apenas aos países mais diretamente envolvidos com a crise.

 

 

Dois dias após os atentados terroristas na cidade de Paris, na França, que mataram mais de 120 pessoas, o grupo hacker conhecido como Anonymous declarou guerra ao Estado Islâmico, organização que assumiu a autoria dos ataques.


 


Em vídeo, um porta-voz usando a máscara de Guy Fawkes - que é a marca do grupo Anonymous - disse que membros de todo o mundo vão "caçar" os terroristas do Estado Islâmico. "Esperem por nós. Saibam que vamos achá-los e não vamos deixá-los. Lançaremos nossa maior operação até hoje contra vocês", diz o vídeo.


 


O porta-voz afirma ainda, em francês, que o objetivo é "unir a humanidade" e que o Estado Islâmico pode esperar por ataques cibernéticos "massivos". No Twitter, a organização Anonymous ainda alertou: "nós somos hackers melhores".


 


Não é a primeira vez que pessoas falando em nome do grupo Anonymous fazem ameaças ao Estado Islâmico. Em janeiro, após os atentados contra jornalistas e cartunistas da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, os hackers também se declararam em ação contra os extremistas.


 


 


Anonymous iniciou ataques ao Estado Islâmico há mais de um ano


 


Os recentes ataques do grupo fundamentalista Estado Islâmico à cidade de Paris, na França, motivaram o coletivo de hackers Anonymous a lançar uma "declaração de guerra" contra os terroristas na internet. Contudo, as ações desses ativistas digitais começaram há muito mais tempo.


 


Foi em junho de 2014 que o grupo lançou a chamada "Operation Ice ISIS" - ou "Operação Congelamento do Estado Islâmico", em tradução livre. Identificada com a hashtag #OpIceISIS no Twitter, a iniciativa tinha como alvos os países que financiam a luta armada dos terroristas.


 


Na época, o Estado Islâmico começava a ganhar a atenção do mundo enquanto expandia sua influência no Oriente Médio, controlando grandes porções do território do Iraque. "O povo iraquiano tem passado por semanas de terror que muitos de nós nunca irão conhecer ou experimentar. Eles [terroristas] precisam ser detidos", dizia o vídeo que o Anonymous publicou na época.


 


O objetivo do #OpIceISIS era derrubar sites e páginas de órgãos do governo de ao menos três países que, segundo investigações internacionais, poderiam estar financiando o Estado Islâmico na aquisição de armas, proteção e outros recursos. São eles Qatar, Turquia e Arábia Saudita.


 


Em janeiro deste ano, a operação ganhou uma nova hashtag: #OpCharlieHebdo. A mudança foi uma resposta ao ataque sofrido pela redação da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, que deixou 12 mortos. O alvo do Anonymous passou a ser a política de comunicação do grupo terrorista.


 


Afinal de contas, as redes sociais são uma importante ferramenta para o Estado Islâmico, que usa vídeos, posts, mensagens e campanhas na internet para atrair e recrutar jovens soldados ao seu projeto de "califado". Por isso, o Anonymous se concentrou em localizar, denunciar e derrubar perfis favoráveis ao grupo terrorista na web.


 


À princípio, o grupo divulgou uma relação de 36 contas no Twitter que defendiam os ataques à Charlie Hebdo, convidando os usuários da rede social a denunciá-las. Em seguida, o Anonymous assumiu a responsabilidade pela suspensão de 200 perfis do microblog que demonstraram apoio aos extremistas.


 


A declaração de guerra desta semana nada mais é do que uma evolução natural desses ataques que começaram há mais de um ano na web. Para entender como o Anonymous pode prejudicar a estratégia de expansão do Estado Islâmico, clique aqui e confira nossa reportagem sobre o tema.


 


 


"Idiotas": Estado Islâmico responde à ameaça de guerra do Anonymous


 


O Estado Islâmico respondeu nessa terça (17/11) a ameaças feitas pelo grupo de ativistas hackers conhecido como Anonymous. De acordo com o Business Insider, a resposta veio por meio de um canal do aplicativo Telegram supostamente afiliado à facção radical.


 


A mensagem dizia: “Os hackers #Anonymous ameaçaram em um novo vídeo levar a cabo uma gigantesca operação hacker contra o Estado Islâmico (idiotas)”. Em seguida, a facção pergunta “O que é que eles vão hackear?”.


 


Até agora, apenas contas do Twitter e e-mails supostamente afiliados ao Estado Islâmico foram hackeados pelo Anonymous. No entanto, segundo um especialista ouvido pelo Olhar Digital, esse pode ser um dos principais planos de ação do Anonymous.


 


PATROCINADORES

Em seguida, o grupo extremista oferecia instruções básicas para evitar ataques em potencial: não abrir links de origens incertas, mudar de endereço de IP constantemente e não conversar com desconhecidos por meio do Telegram ou das mensagens diretas do Twitter. A mensagem foi enviada tanto em árabe quanto em inglês, e foi veiculada depois por outros canais do Telegram supostamente ligados ao Estado Islâmico.


 


 


Anonymous ensina internautas a hackear para enfrentar o Estado Islâmico


 


Na intenção de ampliar os esforços em sua guerra contra o Estado Islâmico, o Anonymous resolveu dar poderes a internautas comuns interessados em se envolver na história. O grupo publicou uma série de tutoriais com truques que ajudam a identificar e hackear alvos.


 


Os guias foram postados no canal do IRC usado pelo Anonymous para compartilhar informações a respeito da OpParis - como vem sendo chamada a operação contra o EI. Um deles é chamado “NoobGuide” e permite que qualquer um aprenda a hackear. Outro, “Reporter”, explica como configurar um bot para Twitter capaz de descobrir contas relacionadas ao EI. E também há o “Searcher”, contando como encontrar sites relacionados aos terroristas.


 


Em mensagem repercutida pelo International Business Times, o coletivo hacker convoca quem acompanha as discussões no IRC a tomar alguma atitude “em vez de ficar sentado (...) sem fazer nada”. “Sua contribuição significa muito e nós o encorajamos a participar em todas as atividades da operação que você puder, quanto mais, melhor”, comentam.


 


O Anonymous afirma ter derrubado mais de 5,5 mil contas no Twitter relacionadas ao EI e começou a divulgar informações de pessoas supostamente ligadas ao grupo terrorista, mas há certa desconfiança sobre as ações pela falta de comprovação de que eles atingiram os alvos certos. O próprio EI desacredita do potencial do coletivo, a quem chamou de “idiotas”.


 


 


É possível combater terroristas pela internet?


 


Mas, afinal, de que modo é possível combater terroristas pela internet? O Olhar Digital consultou Arthur Cesar Oreana, especialista em segurança e tecnologia da informação da empresa de soluções em segurança Symantec, a respeito das possíveis ações que um grupo como o Anonymous pode tomar - e como uma possível “guerra cibernética” pode gerar consequências no mundo todo.


 


Antes de mais nada, é preciso esclarecer que não é possível prever o que o Anonymous, especificamente, vai fazer contra o Estado Islâmico. O grupo já fez esse tipo de “declaração de guerra” no passado - mais recentemente após o atentado à redação da revista francesa Charlie Hebdo, em janeiro deste ano.


 


De acordo com Arthur, é pouco provável que um site mantido na Argentina, por exemplo - tendo ele ou não relação com o Estado Islâmico - seja atingido por essa “guerra virtual”. Dada a natureza do Anonymous, portanto, é mais prudente acreditar que esses ataques se limitem a prejudicar o sistema de propaganda dos terroristas, meio pelo qual eles recrutam novos membros na Europa e no Oriente Médio.


 


Um contra-ataque, porém, é o que pode tornar as coisas um pouco mais sérias. Se o Estado Islâmico encarar o Anonymous como inimigo, é possível que a organização lance uma série de vírus de computador que ataquem indústrias e setores da economia em países ocidentais. Uma estratégia que já foi vista no passado.


 


“A guerra cibernética é o quinto meio de guerra, depois da guerra na terra, no mar, no ar e no espaço. Já tivemos situações em que um vírus desacelerou o programa de enriquecimento de urânio em um país”, diz Arthur, em referência ao método utilizado para a obtenção de energia nuclear (e também de bombas). “Essa pode ser uma opção para o Estado Islâmico tanto de ataque quanto de contra-ataque. Não há como saber se outros países serão ou não afetados.”


 


Uma notícia divulgada no site Olhar Digital nesta segunda-feira dá conta de que os terroristas poderiam ter utilizado um PlayStation 4 para se comunicar e planejar os ataques. De acordo com Oreana, é possível, sim, que o console seja utilizado para essa finalidade, mas não por uma questão de segurança ou criptografia.


 


“Se essa comunicação é feita pela rede da PSN, então ela está na internet, deixa rastros e pode ser interceptada. Redes ocultas como a dark web ou a deep web oferecem opções de encriptação e segurança muito mais avançadas neste sentido. A PSN é uma opção, pode funcionar ou pode não funcionar, mas nada impede a Sony [empresa que administra a rede do PlayStation] de encontrar terroristas usando o sistema”, conclui Oreana.


 


Na época, perfis do Anonymous no Twitter divulgaram uma relação de usuários da rede social que se diziam membros do Estado Islâmico ou faziam propaganda a favor do regime extremista do califado sugerido pelos terroristas. Arthur acredita, sim, que esse é um dos possíveis planos de ação dos hackers.


 


“Eles podem tirar sites de propaganda do Estado Islâmico do ar, denunciar perfis, mas é difícil elencar quais seriam os alvos. Só estando dentro do grupo para saber seu plano de ação. Mas a promessa deles é caçar terroristas pela internet”, diz o especialista. Segundo ele, porém, é mais provável que essa troca de ataques cibernéticos se limite apenas aos países mais diretamente envolvidos com a crise.


 


 



Dois dias após os atentados terroristas na cidade de Paris, na França, que mataram mais de 120 pessoas, o grupo hacker conhecido como Anonymous declarou guerra ao Estado Islâmico, organização que assumiu a autoria dos ataques.



Em vídeo, um porta-voz usando a máscara de Guy Fawkes - que é a marca do grupo Anonymous - disse que membros de todo o mundo vão "caçar" os terroristas do Estado Islâmico. "Esperem por nós. Saibam que vamos achá-los e não vamos deixá-los. Lançaremos nossa maior operação até hoje contra vocês", diz o vídeo.



O porta-voz afirma ainda, em francês, que o objetivo é "unir a humanidade" e que o Estado Islâmico pode esperar por ataques cibernéticos "massivos". No Twitter, a organização Anonymous ainda alertou: "nós somos hackers melhores".



Não é a primeira vez que pessoas falando em nome do grupo Anonymous fazem ameaças ao Estado Islâmico. Em janeiro, após os atentados contra jornalistas e cartunistas da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, os hackers também se declararam em ação contra os extremistas.



Anonymous iniciou ataques ao Estado Islâmico há mais de um ano



Os recentes ataques do grupo fundamentalista Estado Islâmico à cidade de Paris, na França, motivaram o coletivo de hackers Anonymous a lançar uma "declaração de guerra" contra os terroristas na internet. Contudo, as ações desses ativistas digitais começaram há muito mais tempo.



Foi em junho de 2014 que o grupo lançou a chamada "Operation Ice ISIS" - ou "Operação Congelamento do Estado Islâmico", em tradução livre. Identificada com a hashtag #OpIceISIS no Twitter, a iniciativa tinha como alvos os países que financiam a luta armada dos terroristas.



Na época, o Estado Islâmico começava a ganhar a atenção do mundo enquanto expandia sua influência no Oriente Médio, controlando grandes porções do território do Iraque. "O povo iraquiano tem passado por semanas de terror que muitos de nós nunca irão conhecer ou experimentar. Eles [terroristas] precisam ser detidos", dizia o vídeo que o Anonymous publicou na época.



O objetivo do #OpIceISIS era derrubar sites e páginas de órgãos do governo de ao menos três países que, segundo investigações internacionais, poderiam estar financiando o Estado Islâmico na aquisição de armas, proteção e outros recursos. São eles Qatar, Turquia e Arábia Saudita.



Em janeiro deste ano, a operação ganhou uma nova hashtag: #OpCharlieHebdo. A mudança foi uma resposta ao ataque sofrido pela redação da revista satírica Charlie Hebdo, também na França, que deixou 12 mortos. O alvo do Anonymous passou a ser a política de comunicação do grupo terrorista.



Afinal de contas, as redes sociais são uma importante ferramenta para o Estado Islâmico, que usa vídeos, posts, mensagens e campanhas na internet para atrair e recrutar jovens soldados ao seu projeto de "califado". Por isso, o Anonymous se concentrou em localizar, denunciar e derrubar perfis favoráveis ao grupo terrorista na web.



À princípio, o grupo divulgou uma relação de 36 contas no Twitter que defendiam os ataques à Charlie Hebdo, convidando os usuários da rede social a denunciá-las. Em seguida, o Anonymous assumiu a responsabilidade pela suspensão de 200 perfis do microblog que demonstraram apoio aos extremistas.



PATROCINADORES

A declaração de guerra desta semana nada mais é do que uma evolução natural desses ataques que começaram há mais de um ano na web. Para entender como o Anonymous pode prejudicar a estratégia de expansão do Estado Islâmico, clique aqui e confira nossa reportagem sobre o tema.



"Idiotas": Estado Islâmico responde à ameaça de guerra do Anonymous



O Estado Islâmico respondeu nessa terça (17/11) a ameaças feitas pelo grupo de ativistas hackers conhecido como Anonymous. De acordo com o Business Insider, a resposta veio por meio de um canal do aplicativo Telegram supostamente afiliado à facção radical.



A mensagem dizia: “Os hackers #Anonymous ameaçaram em um novo vídeo levar a cabo uma gigantesca operação hacker contra o Estado Islâmico (idiotas)”. Em seguida, a facção pergunta “O que é que eles vão hackear?”.



Até agora, apenas contas do Twitter e e-mails supostamente afiliados ao Estado Islâmico foram hackeados pelo Anonymous. No entanto, segundo um especialista ouvido pelo Olhar Digital, esse pode ser um dos principais planos de ação do Anonymous.



Em seguida, o grupo extremista oferecia instruções básicas para evitar ataques em potencial: não abrir links de origens incertas, mudar de endereço de IP constantemente e não conversar com desconhecidos por meio do Telegram ou das mensagens diretas do Twitter. A mensagem foi enviada tanto em árabe quanto em inglês, e foi veiculada depois por outros canais do Telegram supostamente ligados ao Estado Islâmico.



Anonymous ensina internautas a hackear para enfrentar o Estado Islâmico



Na intenção de ampliar os esforços em sua guerra contra o Estado Islâmico, o Anonymous resolveu dar poderes a internautas comuns interessados em se envolver na história. O grupo publicou uma série de tutoriais com truques que ajudam a identificar e hackear alvos.



Os guias foram postados no canal do IRC usado pelo Anonymous para compartilhar informações a respeito da OpParis - como vem sendo chamada a operação contra o EI. Um deles é chamado “NoobGuide” e permite que qualquer um aprenda a hackear. Outro, “Reporter”, explica como configurar um bot para Twitter capaz de descobrir contas relacionadas ao EI. E também há o “Searcher”, contando como encontrar sites relacionados aos terroristas.



Em mensagem repercutida pelo International Business Times, o coletivo hacker convoca quem acompanha as discussões no IRC a tomar alguma atitude “em vez de ficar sentado (...) sem fazer nada”. “Sua contribuição significa muito e nós o encorajamos a participar em todas as atividades da operação que você puder, quanto mais, melhor”, comentam.



O Anonymous afirma ter derrubado mais de 5,5 mil contas no Twitter relacionadas ao EI e começou a divulgar informações de pessoas supostamente ligadas ao grupo terrorista, mas há certa desconfiança sobre as ações pela falta de comprovação de que eles atingiram os alvos certos. O próprio EI desacredita do potencial do coletivo, a quem chamou de “idiotas”.



PATROCINADORES

É possível combater terroristas pela internet?



Mas, afinal, de que modo é possível combater terroristas pela internet? O Olhar Digital consultou Arthur Cesar Oreana, especialista em segurança e tecnologia da informação da empresa de soluções em segurança Symantec, a respeito das possíveis ações que um grupo como o Anonymous pode tomar - e como uma possível “guerra cibernética” pode gerar consequências no mundo todo.



Antes de mais nada, é preciso esclarecer que não é possível prever o que o Anonymous, especificamente, vai fazer contra o Estado Islâmico. O grupo já fez esse tipo de “declaração de guerra” no passado - mais recentemente após o atentado à redação da revista francesa Charlie Hebdo, em janeiro deste ano.



De acordo com Arthur, é pouco provável que um site mantido na Argentina, por exemplo - tendo ele ou não relação com o Estado Islâmico - seja atingido por essa “guerra virtual”. Dada a natureza do Anonymous, portanto, é mais prudente acreditar que esses ataques se limitem a prejudicar o sistema de propaganda dos terroristas, meio pelo qual eles recrutam novos membros na Europa e no Oriente Médio.



Um contra-ataque, porém, é o que pode tornar as coisas um pouco mais sérias. Se o Estado Islâmico encarar o Anonymous como inimigo, é possível que a organização lance uma série de vírus de computador que ataquem indústrias e setores da economia em países ocidentais. Uma estratégia que já foi vista no passado.



“A guerra cibernética é o quinto meio de guerra, depois da guerra na terra, no mar, no ar e no espaço. Já tivemos situações em que um vírus desacelerou o programa de enriquecimento de urânio em um país”, diz Arthur, em referência ao método utilizado para a obtenção de energia nuclear (e também de bombas). “Essa pode ser uma opção para o Estado Islâmico tanto de ataque quanto de contra-ataque. Não há como saber se outros países serão ou não afetados.”



Uma notícia divulgada no site Olhar Digital nesta segunda-feira dá conta de que os terroristas poderiam ter utilizado um PlayStation 4 para se comunicar e planejar os ataques. De acordo com Oreana, é possível, sim, que o console seja utilizado para essa finalidade, mas não por uma questão de segurança ou criptografia.



“Se essa comunicação é feita pela rede da PSN, então ela está na internet, deixa rastros e pode ser interceptada. Redes ocultas como a dark web ou a deep web oferecem opções de encriptação e segurança muito mais avançadas neste sentido. A PSN é uma opção, pode funcionar ou pode não funcionar, mas nada impede a Sony [empresa que administra a rede do PlayStation] de encontrar terroristas usando o sistema”, conclui Oreana.



Na época, perfis do Anonymous no Twitter divulgaram uma relação de usuários da rede social que se diziam membros do Estado Islâmico ou faziam propaganda a favor do regime extremista do califado sugerido pelos terroristas. Arthur acredita, sim, que esse é um dos possíveis planos de ação dos hackers.



“Eles podem tirar sites de propaganda do Estado Islâmico do ar, denunciar perfis, mas é difícil elencar quais seriam os alvos. Só estando dentro do grupo para saber seu plano de ação. Mas a promessa deles é caçar terroristas pela internet”, diz o especialista. Segundo ele, porém, é mais provável que essa troca de ataques cibernéticos se limite apenas aos países mais diretamente envolvidos com a crise.





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