Cidadãos fazem campanha para que haja tratamento inicial contra COVID em Pouso Alegre

Publicado por Tv Minas em 01/04/2021 às 11h48

Apesar de muitos especialistas serem contra, há casos de cidades que adotaram a medida e colheram bons resultados.

Nas últimas semanas, muito tem se falado Brasil afora sobre o "tratamento precoce" contra a COVID-19 e a sua eficácia não comprovada. Trata-se de uma combinação de medicamentos que, utilizados em conjunto, visam reduzir os efeitos da doença, o que ocasiona uma diminuição do número de casos considerados graves entre os que se beneficiam do tratamento em comparação àqueles que não. Não há consenso na área da medicina sobre o assunto, dividindo opiniões entre favoráveis e contrários à adoção da medida.

 

Campanha Publicitária em Pouso Alegre

A exemplo do que houve em outras cidades do país, um grupo de moradores iniciou uma campanha a favor do tratamento inicial, com os seguintes dizeres: “A população de Pouso Alegre exige uma chance a mais para viver. Tratamento inicial, aliado à vacina, salva vidas”.

Sem-t-tulo-1Arte que está sendo exibida em pontos de divulgação outdoor da cidade.

A campanha foi encabeçada pelo Direita Minas, movimento que tem como principal prerrogativa a defesa dos valores conservadores, dentre eles o das liberdades individuais.

Procurado pela redação do Portal TV Minas, Robson Magalhães de Lima, coordenador do movimento em Pouso Alegre, explicou que o objetivo da campanha é que o debate público em torno do tratamento inicial seja fomentado na cidade e que tal protocolo possa ser adotado a nível municipal pelos gestores públicos, respeitando a autonomia médica e a liberdade dos pacientes acerca da administração do protocolo, fornecendo, assim, mais uma alternativa de combate à COVID-19 para os pouso-alegrenses que contraírem o vírus, podendo estes se tratarem desde a fase inicial, o que diminui, conforme estudos preliminares, as chances de agravamento da doença, possibilitando uma pronta recuperação dos indivíduos contaminados pelo coronavírus.

 

Eficácia

Ao contrário do que muitos dizem, não há um consenso entre os especialistas. Podemos encontrar médicos renomados que recomendam o tratamento inicial contra a COVID-19, da mesma forma que encontramos também muitos outros que condenam a prática. De um lado, contra o tratamento, figuram personalidades como o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns, enquanto que, do lado favorável ao tratamento, figuram personalidades como o ex-presidente da Associação Nacional dos Médicos Peritos, o infectologista Francisco Cardoso.

Acerca do debate em torno da comprovação científica, o tema traz polêmicas. Para determinados grupos, apenas haveria a comprovação científica se houvessem estudos com evidência científica de nível 1A favoráveis ao tratamento, evidência esta que é o padrão ouro, conforme a Tabela de Oxford, e não é realidade da maioria dos tratamentos aplicados na área médica. Tais estudos demorariam anos para serem desenvolvidos e chegarem a uma conclusão favorável ou contrária à eficácia dos medicamentos, algo inviável durante uma pandemia em que se conhece o vírus há pouco mais de um ano.

Por outro lado, grupos de médicos como os mais de 4.000 que subscrevem o manifesto do movimento Médicos Pela Vida, defendem que, a partir dos estudos já existentes, contendo evidência científica de nível B e C, é possível atestar a eficácia do tratamento inicial para que o vírus não se agrave e leve o paciente a ter desfechos críticos. Também mensuram que os medicamentos usados nesse protocolo existem há décadas e têm sua segurança na área médica atestada no meio científico, não sendo algo visível na literatura médica, por exemplo, casos de problemas hepáticos em pacientes que tenham utilizado Ivermectina ou Hidroxicloroquina.

A partir de uma análise observacional, existem estatísticas bastante animadoras em cidades onde o tratamento foi adotado. Uma das cidades exemplares na adoção do tratamento inicial foi São Lourenço, no Sul de Minas, com baixos índices de ocupações de leitos clínicos e de UTI, assim como uma baixa taxa de letalidade.

Logo após o Ministério Público abrir investigação sobre o caso, a partir de reclamações direcionadas ao órgão por indivíduos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), que discordam do tratamento, no dia 20 de Março, o prefeito Valter José Lessa, que também é médico, esclareceu alguns pontos: 

 

Contraindicação

Após toda a repercussão sobre o assunto, muitos profissionais de saúde foram a público para dizer que o protocolo do tratamento inicial não só não tem eficácia, como também estaria causando sérias complicações em pacientes que fizeram uso de tais medicamentos, a exemplo de problemas hepáticos, bem como que não surtem efeitos positivos contra o COVID-19 e que diversos dos pacientes que se trataram com medicamentos do chamado Kit Covid tiveram a necessidade de serem internados em leitos clínicos e unidades de terapia intensiva (UTI).

Os médicos defensores do tratamento inicial, no entanto, rebatem argumentando que a maior parte das pessoas que tiveram complicações em decorrência do uso dos medicamentos que compõem o protocolo do tratamento não o fizeram de maneira adequada, assim como consideram que o vírus é sistêmico, bem como que o tratamento inicial não é sinônimo de cura, mas um tratamento que visa enfraquecer o vírus e possibilitar uma melhor recuperação do paciente.

Ao que tudo indica, muitas pessoas vêm se automedicando por longos períodos, algo condenado pela classe médica, e, por isso, estão surgindo tantos casos de efeitos colaterais. Os médicos defensores do tratamento também questionam sobre os problemas hepáticos atribuídos à administração desses medicamentos, uma vez que os mesmos demonstram baixa toxicidade hepática, ou seja, não causam danos ao fígado.

Vale ressaltar que o tratamento inicial não consiste em tomar os medicamentos do protocolo pelo período que o paciente bem entender. Assim como grande parte dos medicamentos, alguns deles podem apresentar contraindicações em circunstâncias específicas, principalmente se ingeridos por longos períodos e, portanto, o tratamento inicial deve ser adotado apenas em caso de indicação médica, recebendo o paciente acompanhamento e monitoramento adequados.

Os organizadores da campanha publicitária a favor do tratamento inicial contra a COVID-19 em Pouso Alegre reforçam que a campanha não é para que haja a automedicação, mas sim para que haja a busca pelo atendimento médico a partir do aparecimento dos primeiros sintomas, para que se administre o protocolo do tratamento inicial com acompanhamento médico, compreendendo a situação de cada paciente e o medicamento que lhe convém ser prescrito, a exemplo da Ivermectina, Hidroxicloroquina, Azitromicina e vitaminas, com a finalidade de que não haja o agravamento do quadro do paciente. Também mencionam que o tratamento inicial em nada contraria medidas preventivas e tampouco as vacinas, mas sim complementa os meios existentes para que se assegure um controle sobre o vírus, diminuindo o percentual de óbitos e ocupações de leitos clínicos e de unidades de terapia intensiva (UTI), podendo, assim, salvar a vida de mais pouso-alegrenses e moradores de cidades vizinhas. 

 

Apelo

Se você é contra ou a favor do tratamento inicial contra a COVID-19, pedimos que exponha seu ponto de vista nos comentários da publicação no Facebook clicando aqui. Pedimos apenas que se valha de argumentos, e não xingamentos, para que possamos enriquecer o debate.

Fonte: TV MINAS

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