15 Janeiro 2026

Euforia com tecnologia e alívio geopolítico impulsionam Wall Street; China destoa com forte queda

Os mercados acionários dos Estados Unidos engataram um forte movimento de alta nesta quinta-feira, revertendo a cautela observada nas sessões anteriores. O otimismo foi impulsionado majoritariamente pelos resultados robustos da gigante de chips TSMC e por uma descompressão nos riscos geopolíticos envolvendo o Oriente Médio. O índice Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq avançaram 0,7%, 0,7% e 0,9%, respectivamente, com o Dow subindo mais de 300 pontos. Esse cenário positivo contrasta com o início da semana, quando os índices futuros operavam em leve queda à espera da ata do Fomc e em meio a incertezas sobre a economia chinesa.

O protagonismo do setor de tecnologia

A temporada de balanços trouxe ânimo renovado aos investidores, com destaque absoluto para a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC). A maior fabricante de chips por contrato do mundo reportou um aumento de 35% no lucro do quarto trimestre em comparação ao ano anterior. A reação foi imediata: as ações da empresa listadas nos EUA dispararam 6%, arrastando consigo a fabricante holandesa de equipamentos para semicondutores ASML, que também viu seus papéis subirem 6%.

Esse movimento de compra no setor de tecnologia ajudou a recuperar as perdas da véspera. A Nvidia, empresa pública mais valiosa do mundo, recuperou-se cerca de 3% após ter recuado na quarta-feira devido a novas exigências de segurança impostas pelo governo Trump para a exportação de seus chips de IA para a China. A Broadcom também surfou na onda positiva, alinhando-se ao desempenho superior das ações ligadas à inteligência artificial.

Petróleo recua com sinalização de Trump

Outro fator determinante para o apetite ao risco foi o arrefecimento das tensões geopolíticas. O petróleo WTI, referência americana, despencou 4,5%, sendo negociado a US$ 59,20 o barril. A queda acentuada ocorreu após o presidente Donald Trump sinalizar que poderia suspender possíveis ataques militares ao Irã, revertendo ameaças feitas no início da semana.

Essa movimentação nos preços da energia alimenta a tese de um “pouso suave” para a economia americana, retirando pressão inflacionária em um momento em que o mercado de trabalho continua mostrando resiliência. Os pedidos semanais de seguro-desemprego ficaram em 198.000, abaixo das expectativas de 215.000, o que levou o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos a subir para perto de 4,16%.

Decepção com estímulos na China

Enquanto Wall Street celebra, a situação na Ásia-Pacífico é de cautela e volatilidade. As bolsas chinesas sofreram um duro golpe devido à ausência de informações concretas sobre novos estímulos econômicos, frustrando as expectativas criadas antes do feriado da Semana Dourada. O Índice de Xangai amargou uma queda de 6,62%, e a bolsa de Hong Kong encerrou em baixa, estendendo as perdas após seu pior dia em 16 anos.

Analistas apontam que a coletiva de imprensa das autoridades chinesas não entregou as medidas vigorosas que o mercado aguardava, gerando um efeito cascata que atingiu também as negociações de commodities, com o minério de ferro fechando em queda. Esse pessimismo na Ásia acabou contaminando o sentimento nos mercados europeus, que reagiram à desaceleração chinesa.

Desempenho misto nos bancos e commodities

No setor financeiro americano, o cenário se mostrou dividido após o início da temporada de balanços. Enquanto papéis de grandes instituições como BlackRock, Morgan Stanley e Goldman Sachs avançaram 5%, 4,5% e 3,5% respectivamente após divulgarem seus números, outros gigantes sofreram. O JPMorgan Chase acumulou queda de 5% em dois dias, acompanhado por recuos acentuados do Citigroup, Bank of America e Wells Fargo.

Entre as commodities e criptoativos, a volatilidade permaneceu alta. O ouro futuro recuou 0,4%, cotado a US$ 4.620 a onça, após atingir recorde recente. A prata, apesar de ter batido um novo recorde de US$ 93,75 no início da quinta-feira, virou para queda de 1,5%. Já o Bitcoin oscilou, sendo negociado em torno de US$ 95.800, abaixo da máxima do dia, enquanto o índice do dólar se fortaleceu 0,3% frente a uma cesta de moedas globais.

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