Venda do controle da Braskem avança após acordo entre Novonor e fundo IG4
O cenário corporativo brasileiro movimentou-se com a notícia de que a Novonor e a NSP Investimentos assinaram um acordo definitivo para vender o controle da Braskem. O comprador é o fundo de private equity Shine I, que tem gestão da asset IG4 Capital. A resposta dos investidores foi imediata. Durante o pregão de segunda-feira, os papéis da companhia registraram alta impulsionados pelas negociações. As ações preferenciais (BRKM5), por exemplo, fecharam o dia com uma valorização de 1,47%, cotadas a R$ 8,98, após oscilarem entre a mínima de R$ 8,83 e a máxima de R$ 9,33. O volume financeiro movimentado apenas nessa sessão ultrapassou os R$ 54,7 milhões. Nos Estados Unidos, os recibos de ações (ADRs) negociados sob o ticker BAK acompanharam o otimismo e subiram cerca de 1,7%.
Os detalhes da reestruturação societária
A expectativa da IG4, confirmada em comunicado oficial, é de que a transferência do controle seja finalizada nos próximos 30 dias. Evidentemente, o fechamento do negócio ainda depende do aval de órgãos reguladores e da Justiça. O acordo estabelece as condições para a venda, sob supervisão judicial, de um pacote de ações ordinárias e preferenciais classe A. Esses papéis representam aproximadamente 50,1% do capital votante e 34,3% do capital total da petroquímica.
A Petrobras tem um papel decisivo nos próximos capítulos dessa história. A estatal, que hoje detém 47% das ações com direito a voto e 36,1% das ações totais da Braskem, informou que já está avaliando os termos da transação para decidir se vai exercer ou abrir mão dos seus direitos de preferência. Se tudo correr como o mercado projeta, o fundo Shine I e a petroleira devem assinar um novo acordo de acionistas dentro desse mesmo prazo de um mês.
O peso global de uma gigante petroquímica
Para entender a dimensão dessa transação bilionária, basta olhar para a magnitude da operação da Braskem. Criada no ano de 2002 a partir da integração de seis companhias diferentes, a empresa é controlada pela Novonor (antiga Odebrecht) e possui forte participação da Petrobras. Atualmente, ela desponta não apenas como a principal produtora de resinas termoplásticas das Américas, com uma capacidade de quase 9 milhões de toneladas, mas também marca presença entre as seis maiores gigantes do seu segmento no mundo.
A companhia opera mais de 40 unidades industriais distribuídas por quatro países e produz, a cada ano, mais de 10 milhões de toneladas de químicos básicos. Outro diferencial estratégico é a sua liderança absoluta na fabricação de biopolímeros. A empresa consegue entregar anualmente 200 mil toneladas do seu selo I’m green, um polietileno verde feito inteiramente a partir do etanol de cana-de-açúcar.
Presença no mercado e o fantasma da Lava-Jato
Com uma estrutura de capital dividida entre ações ordinárias (BRKM3) e preferenciais (BRKM5 e BRKM6), a Braskem está listada no Nível 1 de Governança Corporativa da B3. Apesar disso, ela já opera atendendo a diversas exigências mais rigorosas do Nível 2 e do Novo Mercado. O alcance financeiro da empresa rompe fronteiras, tendo suas ações negociadas também na Bolsa de Valores de Nova York e no Latibex, da Bolsa de Madri.
A trajetória da companhia, contudo, carrega marcas profundas das investigações da Operação Lava-Jato. Em 2016, para regularizar sua situação após os fatos apurados, a Braskem precisou firmar um amplo Acordo de Leniência com as autoridades do Brasil, dos Estados Unidos e da Suíça, virando uma página complexa da sua história corporativa.